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Casos de feminicídio crescem 47,1% em 2021 no DF

O crescimento no número de casos de feminicídio no Distrito Federal em 2021 representa um aumento de 47,1% em relação ao ano de 2020

Agosto Lilás: Uma em cada quatro mulheres sofreu algum tipo de agressão durante a pandemia Imagem ilustrativa

O crescimento no número de casos de feminicídio no Distrito Federal em 2021 representa um aumento de 47,1% em relação ao ano de 2020. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados na última terça-feira (28), a capital teve registrados 25 casos no ano passado e 17 em 2020.

No proporcional com os outros Estados do país, o DF fica em 1° lugar no número de homicídios femininos classificados como feminicídios, com 58,1% dos casos. Outro dado do Anuário Brasileiro mostra que na capital federal houve um aumento de 16,4% nos registros de tentativa de feminicídio, foram 78 casos em 2021 e 67 no ano de 2020.

Suposto crime de feminicídio

Na quarta-feira (29), uma mulher foi encontrada morta a facadas em Taguatinga, o corpo de Priscila Teixeira, de 33 anos, foi achado por volta das 10h na sua residência pela própria mãe, localizada na QNH 13. O principal suspeito é o namorado da vítima, Gustavo Brito, de 22 anos. Segundo relato de vizinhos, o homem estava com ela na noite de terça-feira (28) e após isso, não foi mais visto.

O caso segue sendo investigado pela 17ª DP de Taguatinga Norte, os oficiais acreditam que o crime tenha acontecido durante a madrugada de terça. Está sendo adotado um procedimento operacional padrão para investigação de um suposto crime de feminicídio. A motivação do crime ainda é desconhecida. A Polícia Civil informou que não dará mais informações à imprensa para não atrapalhar as investigações.

Casos em 2022

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), em 2022 já foram registrados 6 casos de feminicídio no DF, entre eles, duas mulheres foram encontradas carbonizadas. No dia (07/5), foi encontrado o corpo de uma mulher carbonizado no Parque Gatumé, em Samambaia. A vítima, Brenda Pinheiro da Silva, de 26 anos, estava sem roupas e com ferimentos de pelo menos 22 facadas. A vítima morava com a mãe no Recanto das Emas e estava desaparecida há quatro dias. 

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De acordo com as investigações, ainda teria indícios de que a mulher possa ter sido estuprada antes de ser assassinada e ter o corpo queimado. Brenda deixou três filhos entre 3 e 10 anos. Ninguém foi preso até o presente momento.

No dia (18/5), outra mulher foi encontrada morta e com o corpo parcialmente carbonizado, a vítima era Marina Paz Katriny, de 30 anos. O namorado da vítima, Wallace Eduardo, 34 anos, foi indiciado por feminicídio qualificado após confessar que matou Marina após uma discussão com uma pedra, na BR-070, em Taguatinga Norte. Os dois tinham um relacionamento de cinco meses bastante conturbado, de acordo com as investigações.

O número de casos em 2022, segundo a SSP/DF, apresentou uma redução de 50% em comparação de janeiro a maio de 2021, que foi de 12 casos. A SSP ainda relata que “o enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica é prioridade”, e que conta com iniciativas e ações voltadas para os crimes de gênero e fortalecimento de mecanismos de proteção.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, a delegada da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II da Ceilândia (DEAM II), Adriana Romana, contou que os crimes de feminicídio, em sua maioria, já vem de uma violência muito evidente que não ocorre do dia para a noite. A delegada ainda ressalta que os criminosos são na maior parte homens que não aceitam o fim do relacionamento.

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“A maioria dos casos apontam que os autores são companheiros com relação íntima de afeto presente ou pretérita. Os homens fazem parte da maioria dos agressores, não tem uma relação homoafetiva, […] É uma relação de dominação do homem sobre a mulher, ele tem a crença de poder de dominação sobre os atos dela mesmo quando essa relação já não existe mais, […] Tudo isso é complexo e tem sido a motivação desses crimes aqui no DF”, contou Adriana Romana.

A delegada ainda conta que é de extrema importância que a mulher fique atenta quando começa as ações de perseguição. “Tem que buscar ajuda nas delegacias de polícia e órgãos de proteção, nós temos o sistema das medidas protetivas de urgência que precisam ser observadas e não aceitar a aproximação do agressor, […] Então essas mulheres precisam se conscientizar que elas estão em risco e que precisam romper com esse ciclo e procurar ajuda”, disse Adriana Romana.

Canais de ajuda à mulher

Em casos de violência doméstica, as vítimas podem procurar diversos órgãos do DF, como a Polícia Militar do DF (190) para a solicitação de uma viatura, a Polícia Civil do DF através do telefone (197), pelo Whatsapp: (61) 98626-1197, pelo e-mail: [email protected] ou pelo site: www.pcdf.df.gov.br/servicos/197/violencia-contra-mulher.

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Há também as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher, a DEAM I da Asa Sul é localizada na EQS 204/205, a vítima também pode entrar em contato pelos telefones: 3207-6172 / 3207-6195 / 98362-5673 e pelo email: [email protected] A DEAM II da Ceilândia está localizada no St. M QNM 2, os telefones são os: 3207-7391 / 3207-7408 / 3207- 7438.

A denúncia pode ser feita pelo disque 180, da Central de Atendimento à Mulher, canal da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres; O Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, pelo Whatsapp: (61) 99656-5008; Secretaria da Mulher do DF pelo Whatsapp: (61) 99415-0635; Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) para as Promotorias nas regiões administrativas do DF pelo link: www.mpdft.mp.br/portal/index.php/promotorias-de-justica-nas-cidades.

Além disso, no Núcleo de Gênero pelos telefones: 3343-6086 e 3343-9625; na Defensoria Pública do DF através do Núcleo de Assistência Jurídica de Defesa da Mulher (Nudem) pelo Whatsapp: (61) 999359-0032, pelo e-mail: [email protected] e pelo site: www.defensoria.df.gov.br/nucleos-de-assistencia-juridica/.

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E também pelos Núcleos do Pró-Vítima, localizados na Ceilândia (61) 98314-0620 das 8h às 17h, Guará (61) 98314-0619 das 8h às 17h, Paranoá (61) 9 8314-0622 das 8h às 17h, Planaltina (61) 9 8314-0611 /3103-2405 das 12h às 19h, Recanto das Emas (61) 9 8314- 0613 das 8h às 17h, na Rodoferroviária ((61) 98314-0626 / 2104-4288 / 4289), Itapoã (61) 9 8314-0632 das 8h às 17h, Taguatinga (61) 98314-0631, e pelo site: www.sejus.df.gov.br/pro-vitima/.

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