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Número de brasileiros interessados em adquirir imóvel ultrapassa expectativa

Mesmo com alta da taxa Selic (6,25%), o segmento deve continuar crescendo nos próximos meses

Desde o começo deste ano, havia a expectativa de até o final de 2021, 15 milhões de famílias tivessem a intenção de comprar um imóvel, porém, esse recorde foi ultrapassado antes do previsto, já entre julho e agosto, chegando a 15,489 milhões. Todavia, de todos esses compradores que querem adquirir imóvel em até 24 meses, 59% deles têm a intenção de compra em até 12 meses, ou seja, para cada dez compradores dos próximos dois anos, seis devem tomar a decisão em até 12 meses. Esse cenário cria a sensação de escassez.

“No primeiro semestre de 2021, fizemos pesquisas de potencial de mercado para R$ 52 bilhões em novas ideias imobiliárias, e os dados constataram que, devido as enormes filas para aprovação de projetos e com os serviços dos órgãos ainda operando de forma lenta, em virtude dos reflexos da pandemia, não há lançamentos suficientes para suprir a demanda, com isso, o que fica disponível é vendido rapidamente, já que as pessoas estão investindo mais no seu conforto familiar, mesmo com a inflação e os juros mais altos, a procura continua muito forte frente a oferta”, ressalta Marcus Araujo, estatístico, CEO e fundador da Datastore.

De acordo com Araujo, esse é o maior patamar de interesse em compra de imóveis da história recente, o que não só consolida 2021 como um dos mais importantes para o mercado imobiliário brasileiro neste século, como já projeta 2022 como um período que pode surpreender a muitos no setor imobiliário”, explica.

Segundo o especialista, houve um recuo de 60% para 59% na intenção de compra imediata, com a tomada de decisão em até 12 meses, devido ao reflexo do quadro inflacionário que vem tirando o poder de compra dos consumidores das rendas mais baixas. No entanto, esse cenário ainda não prejudica a velocidade de vendas dos imóveis, pois a Caixa Econômica Federal adequou as taxas de juros para algumas linhas de crédito imobiliário, possibilitando a continuidade de novos negócios para esse público que está com um dos níveis mais baixos de inadimplência da história.

Já na renda média/alta, a inflação está menor, pois os consumidores estão gastando menos com viagem, combustível, fazendo trabalho remoto, o que gera economia e neutraliza esse fenômeno inflacionário. Mesmo antes da chegada das eleições, que acontecerão no ano que vem, e que podem gerar incertezas na economia, o número de famílias que deseja adquirir bens imóveis já passa de 9 milhões.

Intenção de compra por região

Os dados mais recentes do Datastore Series apontam que todas as regiões do país apresentam forte crescimento da intenção de compra por imóveis nos próximos 24 meses. Pelo que tem sido visto no mercado, a saída da pandemia com retomada do consumo passa pela aquisição de imóveis para melhorar a vida pessoal e profissional, priorizando o convívio mais íntimo no ambiente familiar, além da continuidade do home office. As regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul chegaram ao seu maior patamar, com (31,84%), seguido do Sul do Brasil (30,19%). Nordeste (28,71%) e Norte (24,75%), que voltaram a crescer de forma mais forte. Esse avanço deve neutralizar o leve aumento dos juros para o crédito imobiliário, permitindo que o segmento continue em alta.

“São Paulo e algumas cidades do interior paulista avançam ainda mais. Os apartamentos compactos chegam aquecidos e com boas expectativas das novas gerações. O Centro-Oeste continua acima dos 30% por mais de 60 dias. O agronegócio tem impulsionado a região, que já compete com o Sudeste de igual para igual nas intenções de compras. O Sul também ultrapassa esse percentual com polos como o Vale do Itajaí, grande Florianópolis, Joinville, Blumenau, Criciúma e Chapecó. Porto Alegre e o litoral gaúcho também seguem em alta. Na capital do Paraná – Curitiba – há muito não se via compradores tão velozes tomarem a decisão de comprar o imóvel”, diz o estatístico.

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Ele diz ainda que no Nordeste o crescimento vai de “vento em popa”. Com esta alta e considerando que os estoques estão baixos, os lançamentos devem ser vendidos rapidamente, em virtude da valorização em cidades como Salvador, Recife, Fortaleza, Teresina e outras capitais. “O Norte voltou a crescer de forma surpreendente e abre caminho para boas possibilidades de vendas em Manaus, Belém, Boa Vista e Palmas”, finaliza Araujo.

Datastore Series

A Datastore Series é uma análise completa e gratuita sobre os dados do mercado imobiliário com projeções e análises mensais feitas pela Datastore e Marcus Araujo sobre a movimentação do setor. A análise pode ser feita por abrangência nacional, regional, mensal, trimestral, quadrimestral e pode, inclusive, indicar os próximos passos do mercado imobiliário em geral. A Series é consistente e traz dados coletados com abrangência nacional desde 2007 com mais de 245 mil entrevistas com consumidores interessados em adquirir um imóvel.

Sobre Datastore

Empresa especializada em pesquisas de demanda para o setor imobiliário. Fundada pelo estatístico Marcus Araujo em 1994, a empresa possui o maior banco de dados de informações sobre as expectativas imobiliárias dos brasileiros, que abrange desde grandes comunidades planejadas, terrenos em bairro planejado, terrenos em loteamento fechado, apartamentos de todas as categorias, imóveis na praia, no campo, salas e lajes corporativas, hotelaria, terrenos industriais até galpões logísticos, e os novos formatos de apartamentos compactos para locação. Entre 2020 e 2021 manteve a grande mídia informada sobre os números de demanda e os novos hábitos dos compradores de imóveis.

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