Gabriel Vaquer
Folhapress
Luciano Braga Simplício, padre que viralizou em outubro de 2025 após ter sido flagrado com a noiva de um fiel em uma casa paroquial de Nova Maringá (MT), cidade a 392 km de Cuiabá, está processando as três maiores redes de TV do Brasil.
O padre acusa Globo, Record e SBT de estimular o linchamento virtual de sua imagem por terem exibido um vídeo do momento em questão. A Igreja Católica passou a investigá-lo por conduta inadequada.
Luciano pede a retirada de conteúdos do ar, além de indenização por danos morais de R$ 300 mil. Procuradas, as TVs dizem que não comentam processos em andamento. A defesa de Luciano Braga Simplício não respondeu aos e-mails enviados desde quinta-feira (2) pela manhã.
No processo, os advogados de Luciano alegam que ele não consegue mais exercer seu trabalho sem ser confrontado na internet e na cidade onde mora. “Ele passou a ter uma vida ruim com a exposição em massa de um mal-entendido”, afirma sua defesa.
Em decisão liminar, a 2ª Vara de Justiça de São José de Rio Claro (MT) determinou que as TVs retirassem de suas redes sociais vídeos sobre o padre e não divulgassem qualquer informação sobre seus planos.
A Globo recorreu da decisão judicial e alegou que a liminar feria a liberdade de imprensa e configurava censura prévia.
O desembargador Ricardo Gomes de Almeida, da 1ª Câmara do Direito Privado do TJ-MT (Tribunal de Justiça do Mato Grosso), concordou. Ele revogou as obrigações da liminar para a emissora carioca. Ainda não há previsão de julgamento definitivo.
Relembre o caso
O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo que mostra o religioso e a mulher no interior da paróquia.
Em áudios que também viralizaram, o padre tenta explicar o ocorrido e nega qualquer envolvimento com a jovem. Segundo ele, a mulher teria pedido autorização para usar um quarto anexo à residência paroquial para tomar banho, pois tinha trabalhado pela manhã na igreja.
“Ela brincou: ‘padre, eu vou dormir ali’, e eu disse que lá fora não tinha problema. Ela estava sozinha e o menino [noivo] tinha viajado”, contou.
“Então ela foi para a casa paroquial comigo. Eu fui tomar banho, e aí de repente escutei barulho. Ela falou que tinha gente batendo na porta. Quando saí, ela já estava dentro da casa, assustada. (…) Não teve nada com ela, o problema é que na hora que eles chegaram, eu tinha ido tomar banho e ela estava lá, ela não queria ser vista. Ela disse que tinha medo porque já foi assaltada. Era onze e pouca. Não teve nada além disso”, afirma o padre no áudio.
A Diocese de Diamantino, na região onde fica a paróquia, diz em nota oficial que está ciente do caso e que “todas as medidas canônicas previstas já estão sendo devidamente tomadas, tendo em vista o bem da Igreja e do povo de Deus”. O comunicado é assinado por dom Vital Chitolina, bispo diocesano.