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Pesquisa da Prevent Senior sobre kit Covid é alvo de críticas em novo estudo

Em estudo publicado na última terça-feira (28), na revista Developing World Bioethics, são levantadas questões em relação ao desenho do estudo

Por FolhaPress 01/07/2022 9h08
Foto: Divulgação

Samuel Fernandes
São Paulo, SP

A pesquisa da Prevent Senior que investigou se hidroxicloroquina e azitromicina tinham eficácia na redução de hospitalizações de pacientes suspeitos de Covid-19 voltou a ser alvo de críticas.

Em estudo publicado na última terça-feira (28), na revista Developing World Bioethics, são levantadas questões em relação ao desenho do estudo.

Procurada, a Prevent Senior afirmou que “já reconheceu, em várias ocasiões e em entrevistas de seus representantes à Folha e outros veículos de imprensa, não haver provas e evidências científicas no trabalho mencionado”.

O estudo da Prevent Senior foi divulgado em um artigo pré-print -ou seja, sem revisão de pares. Segundo a publicação da empresa, 636 pacientes com sintomas de gripe participaram do estudo.

Destes, 412 utilizaram azitromicina e hidroxicloroquina -que compõem o chamado kit Covid, medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença– e 224 recusaram os medicamentos.

O problema é que, segundo o artigo recém-publicado, os dados de participações são diferentes daqueles fornecidos a órgãos responsáveis pela regulação de estudos clínicos.

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Na Plataforma Brasil, um espaço dedicado a informações de pesquisas clínicas da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), e no ClinicalTrials, sistema para registro de estudos clínicos dos Estados Unidos, é dito que a pesquisa da Prevent Senior contou com 200 participantes.

Outro problema encontrado é que o estudo foi cadastrado na Plataforma Brasil três dias antes de ser publicado a versão pré-print da pesquisa.

No pré-print, os autores da pesquisa apontam a conclusão de que o “tratamento empírico com hidroxicloroquina associado a azitromicina para casos suspeitos de infecção por Covid-19 reduz a necessidade de hospitalização”.

“O grande problema do projeto é que é extremamente falho, do ponto de vista metodológico, mas mesmo assim é informado um resultado que não seria conseguido se afirmar com esse tipo de pesquisa que eles fizeram”, afirma Fernando Hellmann, professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

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Entre os problemas de metodologia, está a divisão falha entre grupo controle e experimental. “O grupo controle é quem não quis kit Covid, mas deveria ser um placebo, porque aí sim poderia dizer que reduz ou não a necessidade de hospitalização.”

Os pontos em abertos da metodologia do estudo fazem com que não seja possível afirmar uma associação entre os medicamentos e a redução de hospitalização dos pacientes com Covid. “Foi criada uma relação causal quando não teria como chegar a essa conclusão dado as fragilidades do projeto”, diz o professor.

O artigo assinado por Hellmann também aborda as revelações das CPIs realizadas sobre a Prevent Senior. Foram duas investigações: uma em Brasília e outra na Câmara Municipal de São Paulo.

Um dessas revelações foram as afirmações de médicos, à CPI da Pandemia, de que a direção da empresa orientou o corpo clínico a não informar os pacientes e parentes sobre a realização da estudos com kit Covid.

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Após as várias denúncias, um acordo foi firmado entre a empresa e o Ministério Público de São Paulo em que se oficializou a obrigação da empresa de interromper a prescrição da cloroquina a pacientes com diagnóstico de infecção pelo coronavírus.








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