Neymar já tinha contratos comerciais encaminhados para campanhas ligadas a uma possível conquista do hexa pelo Brasil na Copa do Mundo, segundo o Diário do Centro do Mundo. Os acordos miravam ações publicitárias que seriam acionadas em caso de título, mas a Seleção Brasileira caiu para a Noruega nas oitavas de final e transformou a antecipação em mais um capítulo constrangedor do vexame brasileiro.
Eu ainda estava em Nova York, tentando fazer a tarde render antes do voo da noite, quando a informação apareceu no celular e eu quase pedi um copo d’água com gelo só para resfriar a vergonha alheia. Minha filha, Neymar preparou contrato para comemorar hexa e o Brasil não conseguiu atravessar a Noruega. É como encomendar faixa de campeão antes da final e tropeçar na porta da festa.

A lógica dos acordos era aproveitar comercialmente uma eventual conquista da Seleção Brasileira. Em casos assim, marcas deixam campanhas, produtos e peças publicitárias prontos para entrar no ar imediatamente após a confirmação do título. O problema é que a bola não assinou contrato.
Em campo, o Brasil perdeu por 2 a 1 para a Noruega, foi eliminado nas oitavas de final e protagonizou um dos maiores vexames recentes da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. Neymar marcou o único gol brasileiro, mas também terminou a partida no centro das críticas por provocar o goleiro Orjan Nyland antes do pênalti perdido por Bruno Guimarães e se envolver em confusão na reta final.
E aí está o retrato cruel: enquanto o marketing preparava a festa do hexa, o futebol entregava eliminação precoce, descontrole emocional e um país inteiro olhando para a televisão sem acreditar. Neymar queria campanha de campeão, mas saiu com campanha espontânea de meme.
Não é proibido negociar antes. Publicidade vive de timing, e empresas se antecipam para não perder o embalo de uma conquista. Mas, no caso de Neymar, a antecipação soa como soberba porque combina com a imagem de uma Seleção Brasileira que entrou cercada de expectativa, discurso de estrela e promessa de redenção, mas saiu pela porta dos fundos contra uma seleção muito mais organizada.
O escândalo não está apenas no contrato. Está no símbolo. Enquanto torcedores esperavam resposta em campo, havia plano pronto para transformar eventual taça em produto. Só que a Noruega desmontou o roteiro, Erling Haaland fez o serviço, e o Brasil ficou com o pior dos dois mundos: sem hexa e com a arrogância exposta.
Eu imagino a pasta no computador da agência: “campanha hexa Neymar final”. Agora deve estar arquivada ao lado de “não usar”, “crise”, “plano B” e “pelo amor de Deus, não postar”. Porque não existe publi comemorativa que sobreviva a uma eliminação desse tamanho.

Neymar segue sendo uma potência comercial, disso ninguém duvida. Mas talvez seja justamente esse o problema. A máquina ao redor dele parece sempre pronta para transformar qualquer coisa em produto, até antes de o jogo ser jogado. E futebol, ao contrário de contrato, não aceita assinatura antecipada.
No fim, o hexa ficou no briefing, a Noruega ficou com a vaga, e Neymar ficou com mais um episódio para a coleção de momentos em que a marca pareceu maior que a Seleção Brasileira. A soberba saiu caro. E quem pagou a conta, mais uma vez, foi o torcedor brasileiro.