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JBr News #145 – O campo minado da CPI da Covid

Ao longo da história, a sífilis não poupou reis nem plebeus. Todos sofreram o estigma de serem portadores da temida peste venérea, cuja disseminação era atribuída aos invasores de terras vizinhas ou países longínquos. Passariam séculos até que ela deixasse de ser tratada com compostos à base de plantas, mercúrio e arsênico. Somente na década de 1940 apareceria a penicilina, até hoje utilizada na terapia da sífilis, uma doença causada pela bactéria Treponema pallidum.

Considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), a sífilis atinge 12 milhões de pessoas em todo o mundo e continua a ser um desafio para as autoridades sanitárias. No Brasil, a enfermidade avança entre as mulheres, especialmente as negras e jovens na faixa etária de 20 a 29 anos. A região do país com o maior número de incidência é a Sudeste, representando 51,5% dos casos notificados, seguida da região Sul, com 24,3%. Os dados são do Ministério da Saúde.

Para saber mais assista ao vídeo do Bio Sem Neura com o @philipbio

Bio sem Neura #055 – Sífilis

A decisão do ministro do STF Luiz Roberto Barroso que determina a instalação da CPI da Pandemia é mais um tijolo no processo de emparedamento do presidente Jair Bolsonaro. O presidente perde popularidade, sofre pressão política do Centrão, ainda administra os danos das trocas dos comandantes militares com as Forças Armadas. Um momento político delicado para Bolsonaro. Esse é o tema central da conversa desta semana no podcast Imagem&Credibilidade/Jornal de Brasília. Alexandre Jardim, Estevão Damázio e Rudolfo Lago têm como convidada a editora executiva da edição impressa do Jornal de Brasília, Vanessa Lippelt.

Imagem & Credibilidade #074 – Mais um tijolo no emparedamento de Bolsonaro
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JBr News #144 – Como termina essa CPI?

Desde a morte de Eduardo Campos em plena campanha presidencial em 2014, o PSB tornou-se meio uma nau sem rumo. Um partido fragmentado e sem um plano político muito claro. Mas, justamente por isso, observá-lo vira uma opção interessante para avaliar os rumos que a oposição tomará para 2022 e quais são as chances.

Dividido, o partido parece ter loteado seus espaços para abrigar em cada ponto seus principais jogadores e dali municiar as diversas opções que não só ele mas toda a oposição têm para o jogo eleitoral do ano que vem. O pernambucano Danilo Cabral tornou-se líder do partido na Câmara retirando dali o carioca Alessandro Molon, que foi se aliar na liderança da Oposição. E o ex-governador de São Paulo Márcio França preside o braço intelectual do partido, a Fundação João Mangabeira. O gaúcho Beto Albuquerque segue na vice-presidência.

Assim, cada perna do PSB fixa-se em um ponto estratégico. Danilo Cabral é remanescente do grupo que era mais ligado a Eduardo Campos e à tentativa que ali se fez de voo próprio. Beto Albuquerque vem fazendo a ponte com o PT a partir da perspectiva de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, que retornou ao páreo após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin que anulou as suas condenações na Lava Jato. Márcio França, que foi vice-governador do tucano Geraldo Alckmin e depois assumiu o governo paulista no seu lugar, faz as pontes com o centro e as forças políticas mais conservadoras. E Molon é considerado um jogador independente, apoiador de si mesmo, na visão de quem o critica no partido.

Por fora, corre no PSB uma outra figura: o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Em 2018, o PSB ensaiou a candidatura de Barbosa à Presidência, e sua entrada no páreo por um momento movimentou fortemente o tabuleiro. O ex-ministro do Supremo recusou a possibilidade. Mas naquele momento filiou-se ao partido e hoje milita nele. Barbosa novamente rejeita a ideia de ser candidato, mas está trabalhando internamente para influir na costura das alianças que a oposição vem fazendo para 2022. Ele e o PSB acreditam que Barbosa é, no mínimo, um importante cabo eleitoral: para onde pender na disputa, será um nome de peso e influência.

Em torno desses expoentes do partido seguem as perguntas que hoje estão também na cabeça do restante da oposição. Qual é a melhor alternativa para enfrentar Bolsonaro no pleito do ano que vem? Deve-se desde já construir uma aliança robusta unindo diversas forças para derrotar o presidente ou cada força deve sair com seu próprio candidato com um eventual compromisso de união no segundo turno? A ideia de aliança robusta deve ser em torno de um nome de centro eliminando a polarização Lula/Bolsonaro ou deve ser em torno de Lula, diante do quadro que o mostra como mais forte opositor do presidente?

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Assim, se tais hipóteses hoje dividem a oposição, elas dividem também o PSB. Nas conversas internas, há uma ala que cogita mesmo a hipótese de lançamento de uma candidatura própria do partido no primeiro turno, que seria o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande. Embora tenha pessoalmente algumas restrições a um alinhamento automático, Beto Albuquerque mantém a aproximação com o PT. E Márcio França com o centro e os grupos mais conservadores.

Na quarta-feira (7), ao dizer que estava “se lixando” para a eleição de 2022, Bolsonaro acabou na sequência traindo o seu desejo de quadro ideal para a disputa. Evidentemente, ao contrário do que afirmou, o presidente só pensa na reeleição, e não é de agora. Na sequência do “se lixando”, ele disse acreditar que vai haver um monte de candidatos na disputa. Ou seja, no fundo a aposta hoje de Bolsonaro reside na ideia de uma fragmentação dos seus adversários que o coloque no segundo turno. Com Lula. E aí, no segundo turno, ele imagina poder vencer dada a rejeição forte que ainda há sobre o candidato petista.

Assim, o raciocínio de quem deseja vencer Bolsonaro em 2022 passa também por isso. Ou acreditar que a polarização agora venha a dar em outro resultado ou ajudar a construir um novo cenário. E o curioso na edição de hoje do Jornal de Brasília é notar que tal raciocínio acontece mesmo dentro do PT, a partir da visão de um expoente do partido, seu ex-presidente Ricardo Berzoini.

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Na entrevista, Berzoini deixa claro que, na sua visão, a construção de uma aliança mais ampla para derrotar Bolsonaro é algo mais importante que a definição agora de nomes. Mesmo quando um dos nomes na discussão é o de Lula.
É por isso que acompanhar as evoluções de uma legenda como o PSB, um partido literalmente “partido”, é importante para compreender por qual rumo seguirá no futuro próximo a política brasileira.

Coluna Informação #071 – Evoluções de um partido “partido”