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Presidente da Anvisa diz que população não deve se guiar por declarações de Bolsonaro

Para Antônio Barra Torres, falas do presidente Jair Bolsonaro vão contra tudo que a Anvisa tem aconselhado publicamente

Por Willian Matos 11/05/2021 12h23
Barra Torres na CPI da Covid Foto: Agência Senado

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, confirmou nesta terça-feira (11) que as declarações do presidente Jair Bolsonaro vão contra as recomendações de autoridades de saúde como a própria agência. Barra Torres é ouvido pela CPI da Covid no Senado.

Barra Torres foi perguntado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) qual o impacto das declarações de Bolsonaro que condenam a vacinação contra a covid-19. O presidente da Anvisa respondeu que o posicionamento “vai contra tudo que nós temos preconizado em todas as manifestações públicas”.

O presidente foi incisivo ao falar que a vacinação contra a covid-19 é essencial e chegou a citar países estrangeiros que avançaram na vacinação e retomaram atividades como shows. “Eu diria até que o meu pensamento era um pouco sombrio em relação a isso, mas vejo que podemos estar mais perto, talvez, de um momento melhor. Mas, sem dúvida alguma, passa pela necessidade da vacina”.

"Se todos nós estamos sentados aqui nessa sala, é porque, um dia, o pai, ou mãe, ou responsável, nos levou pela mão e nos vacinou. Então, discordar de vacina e falar contra a vacina não guarda uma razoabilidade histórica, inclusive. Vacina é essencial."

Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa

Barra Torres disse ainda que o povo brasileiro não deve se guiar por falas como as de Bolsonaro. “Eu penso que a população não deva se orientar por condutas dessa maneira. Ela deve se orientar por aquilo que está sendo preconizado, principalmente pelos órgãos que têm linha de frente no enfrentamento da doença.”

Mudança na bula da cloroquina

Barra Torres também foi perguntado sobre uma reunião de membros do governo federal onde se discutiu a alteração da bula do medicamento cloroquina para incluí-lo no tratamento contra a covid-19. O presidente confessou que chegou a ter uma reação mais exaltada quando a imunologista Nise Yamaguchi sugeriu a mudança.

“Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. A minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que seja solicitado pelo detentor do registro”, contou Barra Torres.

“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso [alterar a bula de um medicamento], me causou uma reação um pouco mais brusca. Eu disse: ‘olha, não tem cabimento, isso não pode’. E a reunião, inclusive, nem durou muito mais depois disso.”

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O presidente da Anvisa confirmou ainda que participaram da reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, a médica Nise Yamaguchi e um médico que se sentou ao lado de Nise, mas que ele não lembra o nome.






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