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Barra Torres diz que teve reação “brusca” quando médica sugeriu alterar bula da cloroquina

Documento tratava da alteração da bula do medicamento para que ele fosse indicado para o tratamento contra a covid-19. Remédio não tem eficácia

Por Willian Matos 11/05/2021 11h55
Foto: Reprodução/TV Senado

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, relembrou nesta terça-feira (11) de uma reunião com membros do governo federal onde se discutiu a alteração da bula do medicamento cloroquina para incluí-lo no tratamento contra a covid-19. Barra Torres, que participa de sessão da CPI da Covid, confessou que chegou a ter uma reação mais exaltada quando a imunologista Nise Yamaguchi sugeriu a mudança.

“Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. A minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que seja solicitado pelo detentor do registro”, contou Barra Torres.

“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso [alterar a bula de um medicamento], me causou uma reação um pouco mais brusca. Eu disse: ‘olha, não tem cabimento, isso não pode’. E a reunião, inclusive, nem durou muito mais depois disso.”

O presidente da Anvisa confirmou ainda que participaram da reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, a médica Nise Yamaguchi e um médico que se sentou ao lado de Nise, mas que ele não lembra o nome.

Barra Torres disse que não sabe quem elaborou o documento que sugeria a alteração da bula, mas confirmou que “a doutora, de fato, perguntou dessa possibilidade e pareceu estar, digamos, mobilizada”.

Mandetta também falou sobre

Na terça-feira passada (4), quando depôs à CPI, o ex-ministro da Saúde Mandetta já havia falado sobre essa reunião e disse que eve acesso ao que seria uma proposta de decreto presidencial para que fosse sugerida a mudança na bula. Mandetta disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro possuía um “assessoramento paralelo”.

“Havia sobre a mesa um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido naquela reunião mudar a bula da cloroquina na Anvisa para que na bula tivesse a indicação do medicamento para o coronavírus. O presidente da Anvisa disse que não”, relembrou Mandetta. O ex-ministro citou ainda que testemunhou por diversas vezes a presença de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro e filho do presidente, em reuniões ministeriais. 

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