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Bolsonaro critica lockdown e STF: “Não sou ditador do Brasil”

“O pessoal vive reclamando que acabou o emprego. Quem fechou o comércio não fui eu”, esquivou-se o presidente

Foto: Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro tem tornado rotina as críticas ao isolamento social e ao Supremo Tribunal sempre que encontra apoiadores no Palácio da Alvorada. Na manhã desta terça-feira (13), não foi diferente.

Quando perguntado sobre o desemprego no país, Bolsonaro culpou indiretamente uma decisão do STF que dá aos estados e municípios a liberdade de impor restrições próprias. O presidente disse ainda que não é “ditador do Brasil”.

“O pessoal vive reclamando que acabou o emprego. Quem fechou o comércio não fui eu. Quem te obrigou a ficar em casa não fui eu. Eu não sou ditador do Brasil”, cravou. “Quem deu poderes para estados e municípios fazerem o que estão fazendo, inclusive ignorando a Constituição? Não estou criticando nada. Mas quem foi que deu esse poder?”, complementou o presidente.

Na conversa, Bolsonaro respondeu a um apoiador que pediu maior atenção para o Estado do Rio de Janeiro. “Lá o povo elegeu 70 deputados estaduais e elegeu 51 vereadores. Eu sou presidente da República. Estados e municípios têm outras pessoas para tomar conta”, disse. O presidente tem defendido que a CPI da Covid-19 também investigue governadores e prefeitos e suas ações durante a crise sanitária.

Em mais uma queixa, o presidente também citou ser cobrado por suas indicações de autoridades. Ontem, Bolsonaro riu quando soube que seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Kassio Nunes Marques, foi sorteado relator de um mandado de segurança para obrigar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a abrir um processo de impeachment contra o também ministro do STF Alexandre de Moraes.

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“Olha só, quando indicavam ministro do STF ninguém falava nada. Agora cobram tudo de mim”, declarou Bolsonaro. A fala tem relação à indicação de Kassio Nunes Marques ao Supremo.

Presidente ri sore Kassio Nunes x Moraes

Na noite de segunda (12), Bolsonaro soltou uma gargalhada ao ouvir de um apoiador que o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, foi sorteado relator do pedido de impeachment contra o também ministro da Corte Alexandre de Moraes.

“Caiu para o Kassio Nunes?”, respondeu Bolsonaro, antes de rir alto e reclamar de outra decisão do STF. “Eu não interfiro em lugar nenhum. Foi clara a decisão de um ministro do STF para abrir impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, e não contra quem possivelmente desviou recurso”, disse ele, numa referência ao ministro Luís Roberto Barroso, que deu ordem ao Senado para abrir a CPI da Covid. Bolsonaro quer incluir prefeitos e governadores na investigação.

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Nunes Marques foi o primeiro magistrado indicado pelo presidente para ocupar uma cadeira no STF. Nos primeiros seis meses no cargo, o ministro tomou decisões que agradaram a bolsonaristas e provocaram mal-estar entre outros integrantes do Tribunal.

Kajuru

O presidente também fez referência a uma declaração feita por Kajuru, mas não concluiu o raciocínio. Incomodado com interrupções, se despediu e deixou o local. “O senador Kajuru falou que dei um chá de cadeira de dez horas no presidente da Pfizer, é isso mesmo? E falou que um ex-ministro ia… um ex-ministro… Pessoal, obrigado aí”, disse e foi embora em direção ao Palácio do Planalto, onde despacha diariamente.

Kajuru afirmou nesta segunda-feira em entrevista à CNN Brasil que, no ano passado, Bolsonaro teria se recusado a receber o presidente da farmacêutica Pfizer, produtora de vacinas contra a covid-19. Na ocasião, o executivo teria esperado cerca de dez horas por um retorno de Bolsonaro, que não o recebeu. O senador afirmou que um “ex-ministro da Saúde” poderia confirmar o ocorrido.

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Em suas redes sociais, Bolsonaro compartilhou trecho da entrevista de Kajuru e disse que as declarações eram mentirosas. “Mais uma mentira do Kajuru. Quem seria o ex-ministro da Saúde citado pelo senador? Com a palavra aquele que me gravou, obviamente, sem autorização”, escreveu. Desde o início da pandemia, já ocuparam a vaga de ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello.






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