Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Mundo

Rompimento de geleira que matou 7 é consequência de mudanças climáticas, diz premiê da Itália

A tragédia aconteceu na montanha Marmolada, a maior da cadeia das Dolomitas. Imagens registradas de um abrigo próximo mostram o momento

Por FolhaPress 04/07/2022 9h28
Foto: ONU

O desprendimento de uma geleira nos Alpes italianos que provocou uma avalanche e deixou ao menos sete pessoas mortas foi consequência da degradação do meio ambiente e das mudanças climáticas, afirmou nesta segunda-feira (4) o premiê da Itália, Mario Draghi, durante visita à região.

A tragédia aconteceu neste domingo na montanha Marmolada, a maior da cadeia das Dolomitas. Imagens registradas de um abrigo próximo mostram como neve e rocha começam a cair da montanha.

Outros registros exibem a avalanche arrastando tudo no caminho. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas.

“Essa tragédia certamente tinha um elemento de imprevisibilidade, mas também está relacionada, sem dúvida, à degradação do meio ambiente e à situação climática”, afirmou Draghi, que esteve na cidade de Canazei, perto de onde sai o teleférico que leva ao topo da geleira.

O premiê se reuniu com socorristas que fazem buscas por ao menos 14 desaparecidos. Mas, nesta segunda, o chefe dos serviços de resgate, Giorgio Gajer, admitiu que as esperanças de encontrar sobreviventes são quase nulas.

Entre os feridos, dois estão em estado grave e sob cuidados intensivos.

Pelo menos três italianos e um tcheco foram atingidos pela avalanche e não resistiram aos ferimentos, segundo a imprensa local. As nacionalidades das outras vítimas não foram divulgadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Encontramos alguns corpos mutilados entre a pilha de gelo e detritos espalhados por uma área de mais de mil metros”, disse Gino Comelli, que faz parte das equipes de resgate, segundo o jornal italiano Corriere della Sera.

O desastre aconteceu um dia após o registro da temperatura recorde de 10°C no topo da geleira. Helicópteros continuam sendo usados nas operações de resgate e monitoramento.

Autoridades afirmam que a área é perigosa para os socorristas, que não podem avançar a pé.

Em linha com Mario Draghi, o professor Massimo Frezzotti, do departamento de Ciências da Universidade Roma, disse à agência AFP que o colapso da geleira “é consequência das condições climáticas atuais, ou seja, de um episódio de calor antecipado que coincide com o problema do aquecimento global”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O papa Francisco escreveu no Twitter que “as tragédias que estamos vivendo devido à mudança climática devem nos encorajar a buscar buscar urgentemente novos meios que respeitem as pessoas e a natureza”.

O engenheiro Stefano Dal Moro estava na geleira com um amigo israelense no momento do rompimento e disse ser um milagre o fato de estarem vivos.

“Ouvimos um barulho e, naquele momento, um mar de gelo se soltou. Não adiantava correr, só rezar”, disse ele ao italiano Corriere della Sera.

A geleira Marmolada, apelidada de “rainha das Dolomitas”, é a maior da cordilheira no norte da Itália. A velocidade da avalanche foi de aproximadamente 300 km por hora, segundo cálculos de especialistas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De acordo com relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) divulgado em março, o derretimento do gelo e da neve é uma das dez principais ameaças causadas pelo aquecimento global, perturbando ecossistemas e ameaçando infraestruturas.

O painel alertou que as geleiras da Escandinávia, Europa Central e Cáucaso podem perder de 60% a 80% de massa até o final deste século.

Também nesta segunda, a Itália declarou estado de emergência para áreas ao redor do rio Pó, o maior do país e que enfrenta a pior seca em 70 anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O decreto do governo permitirá que autoridades tomem medidas imediatas caso necessário, como impor o racionamento de água para residências ou empresas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O rio Pó percorre mais de 650 km no norte da Itália e tem trechos secos. Agricultores dizem que o fluxo é tão fraco que a água do mar está se infiltrando no interior e destruindo as plantações.

A Itália vem registrando altas temperaturas desde o início de junho. Em Milão, apagões de energia foram provocados no mês passado pelo aumento do uso de ar-condicionado, afetando pontos turísticos como o Duomo, que ficou sem elevador para acesso ao topo da catedral.








Você pode gostar