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Kátia Flávia
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Ancelotti abandona o Brasil para treinar time na Europa após vexame na Copa; entenda

Davide Ancelotti, filho e auxiliar de Carlo Ancelotti, encerrou passagem pela Seleção Brasileira depois da queda para a Noruega e foi apresentado como novo técnico do Lille, da França.

Kátia Flávia

08/07/2026 16h15

Davide Ancelotti deixou a comissão da Seleção Brasileira após eliminação na Copa

Davide Ancelotti deixou a comissão da Seleção Brasileira após eliminação na Copa

Davide Ancelotti encerrou sua passagem pela comissão técnica da Seleção Brasileira após a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Filho e auxiliar de Carlo Ancelotti, ele foi apresentado como novo treinador do Lille, da França, poucos dias depois da derrota brasileira por 2 a 1 para a Noruega.

Eu estava subindo para o Cosme Velho, com o celular no colo, a agenda da tarde aberta e uma reunião já me ameaçando pelo calendário, quando li “Ancelotti deixa o Brasil para treinar time na Europa” e quase pedi para o motorista encostar. Achei que Carlo tinha largado a Seleção no acostamento moral da Copa e fugido para o primeiro voo com escala em Milão. Respirei, abri a matéria direito e vi que era Davide, o filho. Menos escândalo, mas ainda assim mais um capítulo da família Ancelotti saindo pela tangente enquanto o Brasil tenta entender o que aconteceu contra a Noruega.

Filho de Carlo Ancelotti foi apresentado como novo técnico do Lille, da França
Filho de Carlo Ancelotti foi apresentado como novo técnico do Lille, da França

A ida de Davide para o clube francês já estava acertada antes do Mundial, mas a apresentação oficial foi adiada até o fim da participação brasileira na competição. Como a Seleção Brasileira caiu cedo, o auxiliar também virou a página antes do que muita gente esperava. Aos 36 anos, ele assume pela primeira vez o comando de uma equipe profissional como técnico principal.

Descansar, aliás, é uma palavra quase debochada nesse contexto. O homem saiu de uma eliminação brasileira, atravessou o Atlântico e caiu direto em emprego novo, como se a Copa do Mundo tivesse sido apenas uma conexão turbulenta. Eu, no lugar dele, pediria pelo menos uma sala sem reprise de Brasil x Noruega e um café forte o suficiente para apagar lembrança de oitavas de final.

A passagem pela Seleção Brasileira terminou junto com a campanha brasileira no Mundial. Davide integrou a comissão de Carlo Ancelotti e viveu de perto a pressão sobre um time que chegou cercado de expectativa e saiu pela porta pequena. A derrota para a Noruega virou símbolo de fracasso, e qualquer movimentação ao redor da comissão agora ganha cara de bastidor, mesmo quando já estava planejada.

O auxiliar também chamou atenção nas redes durante a partida contra a Escócia, quando uma expressão facial dele no banco de reservas, enquanto Neymar recebia instruções antes de entrar em campo, viralizou entre torcedores. A internet fez o que sempre faz: pegou uma cara de dois segundos, transformou em diagnóstico emocional e escreveu a novela inteira em cima de uma sobrancelha.

A saída de Davide, no entanto, não deve ser lida como rompimento dramático com a Seleção Brasileira. O acordo com o Lille já existia. O que mudou foi o cenário. Se o Brasil tivesse ido longe, a despedida pareceria transição elegante. Depois do vexame, virou mais uma peça no mural da crise: Carlo Ancelotti pressionado, CBF em ebulição, elenco questionado e o filho do técnico começando carreira solo na Europa.

Davide Ancelotti deixou a comissão da Seleção Brasileira após eliminação na Copa
Davide Ancelotti deixou a comissão da Seleção Brasileira após eliminação na Copa

E aí entra a parte interessante. Davide passou anos ao lado do pai em clubes gigantes e agora vai precisar mostrar que aprendeu mais do que pose de banco e leitura de jogo em família. Ser auxiliar de Carlo Ancelotti é uma escola de luxo. Ser treinador principal é outra conversa. No Lille, não terá o sobrenome resolvendo coletiva, substituição ou resultado ruim. A prancheta agora pesa sozinha.

Para Carlo Ancelotti, a saída do filho também mexe na rotina da comissão. Em meio à cobrança pela eliminação precoce, o técnico perde um auxiliar de confiança justamente no começo da reconstrução. E reconstrução, no Brasil, nunca vem com calma. Vem com debate aos gritos, ex-jogador opinando, CBF fervendo e torcedor querendo trocar até a marca da bola.

Cheguei em casa com a primeira reunião chamando no celular e a certeza de que, no futebol brasileiro, nem sobrenome famoso passa ileso depois de vexame. Davide Ancelotti fez o movimento mais saudável dessa Copa do Mundo: saiu do incêndio com contrato assinado e destino definido. Enquanto a Seleção Brasileira tenta descobrir quem é, o filho de Carlo Ancelotti já sabe pelo menos onde vai trabalhar amanhã.

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