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Israel derruba prédio de escritório do Hamas, e grupo islâmico dispara contra Tel Aviv

Um vídeo registrou o colapso do prédio mostra colunas de fumaça subindo do edifício, com os andares superiores ainda intactos o desabamento

Lucas Alonso e Daniela Kresch
Bauru, SP, Tel Aviv, Israel

Em mais um dia de confrontos, um prédio de 13 andares em Gaza desabou depois de ter sido atingido por foguetes disparados por Israel. A torre abrigava um escritório usado pela liderança política do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza e é considerado terrorista por Israel, EUA e União Europeia.

Um vídeo que registrou o colapso do prédio mostra colunas de fumaça subindo do edifício, com os andares superiores ainda intactos até a construção desabar, o que levou a um corte de eletricidade na área ao redor do ataque. Moradores usavam lanternas para procurar pertences. Os habitantes do edifício e pessoas que moram nas proximidades da região atingida foram avisados para evacuar a área cerca de uma hora antes do ataque aéreo, de acordo com testemunhas à agência de notícias Reuters. Não ficou claro, porém, se o prédio foi totalmente evacuado ou se houve vítimas.

Nesta terça (11), Israel enviou 80 jatos para bombardear a região e concentrou tanques na fronteira, enquanto, em retaliação, o Hamas disparou ao menos 130 foguetes contra Tel Aviv, segunda maior cidade e capital econômica de Israel. Ato contínuo, Israel suspendeu por um breve período os voos do aeroporto Ben Gurion, e sirenes de ataque aéreo e explosões foram ouvidas ao redor da cidade. No céu, rastros de mísseis interceptores lançados contra os foguetes que se aproximavam iluminavam a escuridão.

Assim, muitas pessoas em Tel Aviv foram vistas deitadas no chão em shoppings, estações de trem e bares. Nas praças, houve correria em direção a abrigos antiaéreos públicos, enquanto em apartamentos e escritórios muitos buscaram “espaços seguros” -quartos com paredes reforçadas, obrigatórios em todas as casas construídas após 1991, ou escadarias de prédios mais antigos, distantes de vidros e janelas.

A escalada de violência, que já deixou ao menos 31 pessoas mortas -três em Israel e 28 em Gaza- evoluiu rapidamente da retórica para a prática. Mais cedo nesta terça, o premiê Binyamin Netanyahu havia anunciado que Israel vai intensificar a força e a frequência dos ataques contra a Faixa de Gaza.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, corroborou as declarações do primeiro-ministro, ao afirmar que a operação, apelidada de “Guardião dos Muros”, é “só o começo” e que a ofensiva não tem prazo para terminar e deve se prolongar pelos próximos dias.

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A escalada de hostilidades entre Israel e Hamas foi desencadeada por confrontos que já duram cinco dias entre manifestantes palestinos e forças de segurança israelenses na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 28 palestinos morreram, incluindo dez crianças, e 152 ficaram feridos devido ao revide israelense após o Hamas atacar Jerusalém pela primeira vez desde 2014.

Pouco antes das 21h desta terça, no horário local, o grupo radical islâmico disparou centenas de foguetes em direção à parte central de Israel, alcançando cidades mais ao norte, como Raanana, que abriga a maior comunidade brasileira no país. Além das sirenes, avisos dos alvos dos projéteis apareciam um atrás do outro na TV. O aplicativo do Exército para avisar a ocorrência de ações do tipo também enviou alertas.

Segundo o serviço nacional de emergência de Israel, uma mulher de 50 anos foi morta após um foguete atingir um prédio em Rishon Lezion, e outras duas mulheres morreram em ataques em Ashkelon, no sul do país. A polícia disse ainda que mais de 30 pessoas ficaram feridas, ainda que os militares tenham afirmado que as defesas aéreas estavam interceptando cerca de 90% dos disparos vindos de Gaza.

De acordo com a emissora israelense Canal 12, um oleoduto entre as cidades de Eilat e Ashkelon também teria sido atingido por um foguete lançado desde Gaza. Já na cidade de Beit Hanooun, no norte da Faixa de Gaza, o palestino Abdel-Hamid Hamad disse à Reuters que seu sobrinho Hussein, 11, foi morto na segunda-feira no que os moradores disseram ter sido um ataque aéreo israelense. O menino estava recolhendo lenha quando foi atingido. “Gaza está farta e nada faz diferença agora. Nossos filhos estão sendo mortos. O que devemos fazer?” disse Hamad.

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Militantes da Jihad Islâmica, grupo radical também considerado terrorista por Israel, disseram que três de seus membros morreram após serem atingidos por um míssil israelense num prédio residencial em Gaza. O Hamas, por sua vez, informou que, em um dos ataques contra as cidades de Ashkelon e Ashdod, disparou 137 mísseis em cinco minutos. Segundo autoridades de Israel, uma escola foi atingida em Ashkelon, mas não houve vítimas porque as aulas foram canceladas e o prédio estava vazio.

Israel contesta os relatos das autoridades de Gaza sobre as vítimas, assumindo a responsabilidade apenas pelas mortes de 15 combatentes do Hamas. As demais mortes, segundo as forças israelenses, teriam sido causadas por falhas nos disparos dos foguetes lançados pelos próprios militantes islâmicos -não é possível confirmar de maneira independente essa afirmação.

O Hamas batizou o ataque a Israel como “a Espada de Jerusalém”, num movimento que reforça a postura do grupo como defensor dos palestinos e marca oposição à ideia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como representante de todos eles. Desde 2007, o Hamas comanda sozinho a Faixa de Gaza, enquanto seu rival Fatah controla a ANP e a Cisjordânia.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, adiou por tempo indeterminado as eleições legislativas que estavam previstas para este mês. Além de frustrar as expectativas dos palestinos que não vão às urnas há 15 anos, o adiamento foi visto como uma manobra para prejudicar o Hamas, que aparecia com força nas pesquisas de intenção de voto.

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Jerusalém, sagrada para judeus, palestinos, cristãos e muçulmanos, vive um estado de tensão desde o início do ramadã, mês mais importante para a tradição religiosa islâmica. No centro dos conflitos, estão a liberdade de culto em alguns pontos da Cidade Antiga -que os palestinos dizem estar sendo tolhida- e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas de uma área disputada em Jerusalém.

O impasse envolve também a retirada de quatro famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah que, por decisão do tribunal regional de Jerusalém, devem devolver os terrenos a famílias judias -o local abriga um espaço sagrado para os judeus: a tumba de Simeão, o Justo, sumo sacerdote por volta do ano 300 a.C.

Pela lei de Israel, se judeus provarem que suas famílias viviam em Jerusalém Oriental antes de 1948, eles podem pedir a restituição de seus direitos de propriedade. A regra é contestada pelos palestinos, e o governo de Israel argumenta que eles estão “tratando uma disputa imobiliária entre partes privadas como uma causa nacionalista, para incitar violência”.

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Jerusalém está no centro do conflito israelense-palestino. De um lado, Israel reivindica a cidade inteira, incluindo seu setor oriental capturado na guerra de 1967, como sua capital. Os palestinos, do outro, buscam fazer de Jerusalém Oriental a capital de um futuro Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza.

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No mês passado, a ONG Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório em que acusa Israel de cometer crimes de apartheid e perseguição contra árabes e palestinos, o que, no direito internacional, equivale a crimes contra a humanidade.

No documento com mais de 200 páginas, intitulado “Um Limite Ultrapassado: Autoridades Israelenses e os Crimes de Apartheid e Perseguição”, a HRW aponta restrições impostas por Israel à movimentação dos palestinos e a apreensão de terras para a construção de assentamentos judaicos em territórios ocupados desde a guerra de 1967 como exemplos dos crimes cometidos.

As informações são da FolhaPress






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