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Diretor do Colégio Militar de BH é acusado de submeter alunos a maus-tratos

Segundo as pessoas que participaram da elaboração do documento, a declaração não foi assinada por medo de represálias do comando

Por FolhaPress 15/09/2021 1h04
Imagem: Reprodução

Funcionários do Colégio Militar de Belo Horizonte divulgaram um manifesto contra o diretor da escola, o coronel de cavalaria Régis Rodrigues Nunes. O texto acusa o militar de submeter os alunos a maus-tratos e de não garantir o cumprimento das regras de combate à Covid-19. Segundo as pessoas que participaram da elaboração do documento, a declaração não foi assinada por medo de represálias do comando da instituição.

A decisão de escrever o manifesto foi tomada pelos funcionários da escola na semana passada, durante a preparação dos alunos -que têm entre 12 e 18 anos- para as comemorações do aniversário de 66 anos da instituição, que aconteceu no último sábado (11). Um dos convidados do evento foi o ministro da Defesa, o general da reserva Walter Braga Netto. O texto afirma que o coronel é responsável “por submeter crianças e adolescentes à exaustão durante treinamento para a formatura do aniversário do colégio”.

Segundo funcionários da escola, Nunes queria usar o evento para chamar a atenção do ministro porque tenta conseguir uma promoção para a patente de general. Antes de assumir o comando do Colégio Militar na capital mineira, ele serviu no Centro de Doutrina do Exército no Comando de Operações Terrestres, em Brasília. O manifesto afirma também que durante o treinamento, os alunos eram obrigados a “ficar de pé o tempo todo e imóvel em boa parte do tempo, além de momentos em que a tropa desfila”.

Um áudio gravado no mesmo dia, ainda conforme os funcionários da escola, mostra o coronel criticando os estudantes que deixaram a formação. “Qual o motivo pelo qual eles saíram de forma? Depois me passa, o que que está acontecendo. É falta de café, o que que é?”, diz ele num áudio dirigido a um dos instrutores da instituição. Há registros ainda de estudantes segurando uma espécie de espingarda conhecida como “pau de fogo”. Funcionários afirmaram que alguns dos estudantes que carregam o equipamento nas imagens têm menos de 18 anos, e que eles estavam descarregados.

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) proíbe a entrega de qualquer tipo de armas a menores de idade, mesmo descarregadas. Uma outra foto tirada pelos funcionários mostra alunos utilizando um bebedouro, o que vai contra as recomendações de combate à Covid-19 determinadas pelas autoridades de saúde. Essa não é a primeira denúncia contra a escola durante a pandemia. Em julho, a Justiça Federal em Minas Gerais determinou inclusive a abertura de uma investigação contra o comando da instituição por descumprimento de medida judicial sobre o tema.

O caso aconteceu porque professores civis da instituição, por meio do Sindsep (Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal em Minas Gerais) conseguiram o direito de somente aulas online durante a pandemia. A direção da escola, porém, obrigava os profissionais a irem até o local para exercer outras atividades, como abrir portas de salas. Por isso, o juiz William Ken Aoki, da 3ª Vara Federal de Belo Horizonte, ordendou a investigação contra o Colégio Militar. Segundo ele, havia necessidade de garantir que “tais arroubos autoritários e antipatrióticos não sejam incentivados ou permitidos em um regime democrático e constitucional”.

Em grupos de WhatsApp, pais de estudantes do colégio defenderam a cúpula da instituição. Entre outros comentários, um deles, que afirma também ter estudado no local, diz que “quem escolhe o Colégio Militar sabe das regras, da disciplina e do que acontece”. O pai de aluno afirma saber qual o funcionário que fez as acusações e diz que ele deveria sair da escola se tiver insatisfeito

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A reportagem enviou questionamentos sobre o manifesto ao Ministério da Defesa, ao Exército e ao Colégio Militar de Belo Horizonte, mas nenhum deles respondeu às perguntas. No Brasil há 14 colégios militares como o de Belo Horizonte, em cidades como Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Rio e São Paulo. Todos funcionam com ensinos fundamental e médio. A ampliação desse número é uma bandeira do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).






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