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Economia

Sebrae: presidente Carlos Melles diz que a crise parou de piorar no país

O representante nacional da instituição, no entanto, chegou a ressaltar a importância do avanço tecnológico adotado por muitos dos pequenos negócios

Lucas Valença

Publicado

em

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O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Melles, criticou, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, a dificuldade na captação de crédito junto aos bancos brasileiros neste período de pandemia do novo coronavírus.

O representante nacional da instituição, no entanto, chegou a ressaltar a importância do avanço tecnológico adotado por muitos dos pequenos negócios e disse acreditar em um possível aumento de produtividade no período pós-pandemia.

O que o Sebrae Nacional está feito para amenizar a crise que atinge as micro e pequenas empresas neste contexto de pandemia do novo coronavírus?

Em 2019 nós fizemos uma análise e constatamos que as micro e pequenas empresas empregam 50% dos trabalhos de carteira assinada no Brasil. Além dos micro e pequenos negócios representarem 99.1% das empresas do país, eles são responsáveis por gerar 27.5% do PIB brasileiro.

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Nós também procuramos incentivar o emprego e a produtividade em 2019. A ideia seria preparar as empresas através do empreendedorismo para que, nos próximos 10 anos, possamos sair da representação de 27.5% do PIB para aproximadamente 40%. Para isso, nós tentamos inicialmente digitalizar o Sebrae para levar a tecnologia também às micro e pequenas empresas.

Só que com a pandemia do novo coronavírus, aquilo que demoramos um ano para “virar a chave” para o digital, em apenas 60 dias estávamos com a “chave virada”. Todo mundo entrou muito no digital, seja nos aplicativos de redes sociais, seja nas plataformas on-line, ou em qualquer outra ferramenta que fosse necessária para a sobrevivência dos investimentos.

Em nossas pesquisas percebemos que, no primeiro momento, 89% dos pequenos e micro empresários chegaram a afirmar que não aguentariam a crise e fecharam os estabelecimentos. Só que na segunda pesquisa, a percentagem caiu para cerca de 70%. E hoje, no último levantamento elaborado ao em junho e julho, nós vimos que as coisas pararam de piorar. Parece que chegamos no fundo do poço e os números mostram que 50% das vendas já foram retomadas, o que é um sinal bom para quem já tinha perdido mais de 70% dessas vendas.

Em meio à crise, no entanto, nós também vimos o aumento da procura pro cursos on-line, que subiu mais de 200%. As aulas relacionadas às questões financeiras, foram as que mais cresceram, seguida pelos cursos sobre gestão.

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Mas esses cursos também foram intensificados pelo Sebrae, além das aulas que já possuíam?

Muito. E as pesquisas mostram isso, o que nos deixou muito gratificado. Mas outra coisa que também aumentou demais foi o atendimento on-line. Tem estado que apresentou crescimento de 1.200% com o facilitamento do atendimento virtual das empresas. Nesse aspecto, a crise está fazendo bem, permitindo que possamos fazer 50 em 5. Claro, por questão de necessidade, sofrimento.

Neste momento de crise sanitária e também econômica, os bancos têm liberado crédito às micro e pequenas empresas?

O que mais falta é crédito, que é o oxigênio do empreendedor. Nós colocamos o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), que tem R$ 1 bilhão e que alavanca até R$ 12 bilhões, à disposição das empresas, mas há uma falta de apetite, de disposição do sistema financeiro para emprestar ao pequeno. É muita insegurança, muita desconfiança, que dificulta a captação dos recursos.

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Mas aí veio o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que acaba sendo melhor do que o Fampe. Enquanto o Fampe garante 80% da dívida, o Pronampe garante 100%. Ou seja, retira o risco dos bancos.

Já foi disponibilizado e consumido R$ 15.9 bilhões e deve estar saindo mais R$ 12 bilhões para o Pronampe. Esse é o melhor crédito que temos hoje para os pequenos negócios. Só que ele tem um defeito, ele não alavanca. Se ele alavancasse cinco vezes, por exemplo, teríamos como disponibilizar cerca de R$ 100 bilhões em crédito.

Nesse aspecto, infelizmente os bancos são muito conservadores. Por isso, estamos tentando fazer uma melhoria na redação do Fampe para estimular a disponibilidade de mais crédito.

Ainda com relação ao Pronampe, como está sendo a distribuição desses recursos? Existe uma cerca capilaridade desses valores, já que sabemos que, em certa medida, os bancos preferem distribuir quantias maiores a uma única empresa, do que valores repartidos a vários negócios?

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A lógica de banco é mesmo essa. Ou seja, elas preferem ter trabalho com uma única empresa, do que com 100, que acaba aumentando o risco aplicado. A desconfiança e a falta de acesso ao crédito, se dá basicamente pela insegurança do recebimento. E isso é tão forte que dos 100% das micro e pequenas empresas, apenas 48% desse universo procuram ter crédito, os demais já desistiram e passaram a procurar recursos de outra maneira, como pela ajuda de familiares.

Com relação à reforma tributária que já começa a ser debatida no Congresso Nacional, o senhor acredita que as mudanças poderão afetar o modelo do Simples? Ou há uma despreocupação com relação a esse tema?

A reforma tributária (que está sendo proposta) não atinge a micro e pequena empresa. Agora, a fonte de recursos do Sebrae no Sistema S, pode ser que a afete. Mas certamente, se tiver alguma mudança nesse sentido, deverá ser estabelecido uma outra fonte garantidora para o Sistema S continuar fazendo o seu papel.

Eu acredito muito nos deputados e senadores, na diversidade interna e no produto que o Legislativo pode entregar. Vale lembrar que, quando as Casas legislativas decidiram se envolver na reforma da Previdência, ela saiu melhor do que a protocolada. A gente espera muito que a tributária também tenha essa preocupação e que venha na concordância da população. Só que o maior problema do Brasil não estão nos impostos federais, mas nos estaduais, por meio do ICMS.




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