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Projeto dá novo sentido à vida de crianças e adolescentes vítimas de violência

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Tainá Morais
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Criado há nove anos, o projeto Vira Vida tem como principal objetivo transformar a história de crianças e adolescentes vítimas de violência e exploração sexual. O programa, desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), oferece cursos profissionalizantes para os acolhidos em situação de vulnerabilidade. Mais de 500 alunos já foram formados.

“Toda a programação é focada no enfrentamento à violência. Queremos dar acolhimento e carinho, ao mesmo tempo em que repassamos informações sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, para que eles possam defender outras pessoas, já que sabem a dor de ser violentado”, explica Cida Lima, coordenadora do Vira Vida no DF.

Dos 92 acolhidos, 30% vivem em abrigos por não ter uma estrutura familiar. “Os que moram com os parentes tiveram o vínculo rompido devido aos acontecimentos passados, ou vivem de favor. Eles ficam de galho em galho”, relata.

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Cida Lima é coordenadora do Vira Vida no DF. / Foto: Francisco Nero/Jornal de Brasília

“Mãe” dos irmãos

Para muitos desses menores, a responsabilidade chegou cedo. A.A.L., 17 anos, por exemplo, teve de cuidar dos irmãos mais novos desde os 12 anos, uma vez que a mãe trabalhava fora para sustentar a família. “Costumo dizer que eu sou a mãe dos meus irmãos”, define. Um deles, aos 6 anos, foi abusado pelo primo. A. descobriu e sentiu o mundo desmoronar. “Esse peso caiu em mim, porque eu era a responsável por eles”, lamenta. Ela também foi vítima do mesmo familiar, dos 10 aos 14 anos de idade.

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“Quando fiz 13 anos comecei a entender o que realmente havia acontecido comigo. Eu fui abusada, não foi uma brincadeira”, revolta-se. A partir disso, a menor mergulhou no mundo das drogas por um ano. “Meu maior desejo era morrer de overdose para não continuar vivendo aquela precariedade que estava a minha vida”, diz.

O programa do Sesi resgatou a dignidade de A.. “Eu venci o vício e estou aqui para tentar uma nova vida”, alegra-se.

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Auxílio completo

O Vira Vida recebe adolescentes de 14 a 21 anos. Os inscritos têm todo o apoio necessário: da formação educacional e profissional ao ingresso no mercado de trabalho, incluindo atendimento psicológico. Cada aluno ganha uma bolsa por um período de 24 meses.

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A partir de novembro, a expectativa é que os organizadores do programa possam formar a 13ª turma e tirar mais adolescentes das ruas. “Quem deveria cuidar deles não cuidou. Quem deveria amar abusou. E nossa esperança é que possamos fazer mais, não só por esses que estão aqui, mas para os que ainda não tiveram a oportunidade de sair dessa violência”, diz a coordenadora Cida Lima, confiante.

A maioria dos estudantes tem histórico de repetência. Porém, aqueles que não foram alfabetizados têm uma nova oportunidade. Cida exemplifica que uma das alunas que viviam em estado de miséria ganhava R$ 0,50 por dia de trabalho. Mas, sem desistir dos sonhos, deu a volta por cima e se tornou empresária. “A melhor recompensa é ver uma criança dessa, sem perspectiva de vida, se tornar uma grande profissional”, comemora.

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Mês que vem, uma nova turma formará novos jovens que estão preparados para enfrentar o mercado de trabalho fora do Vira Vida. As expectativas dos formandos são as melhores possíveis.

V.N., 18 anos, por exemplo, sonha se tornar comissária de bordo. A motivação é tanta que a menina personalizou uma camiseta com hashtag #latammecontrata. “Vou começar um curso de inglês e de comissário”, prevê.

Ela considera sua história um exemplo de superação. “Sofri abusos sexuais dos 6 aos 15 anos. Entrei no mundo das drogas aos 12, aos 14 engravidei e sofri um aborto”, revela. A jovem rompeu o silêncio e denunciou os abusos sofridos.

Adolescente faz campanha para se tornar comissária de bordo. / Foto: Francisco Nero/Jornal de Brasília

Fora de casa aos oito anos de idade

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A vida do jovem A.S., 19 anos, teve uma reviravolta quando a mãe iniciou um relacionamento abusivo, que afetava ambos. “A violência começou aí, em 2005. Meu padrasto tinha ciúme da minha mãe comigo. Com isso, batia em nós dois”, conta o rapaz. Ele saiu de casa aos 8 anos, voltou aos 11, mas nada mudou. “Para completar, sofri tentativa de abuso sexual”, relata.

Hoje, apesar de manter contato com a mãe, o jovem nunca a contou sobre a ameaça que sofreu, por medo. “Faltava mais aproximação para falarmos de um assunto sério como esse”, justifica.

A vontade dele é tornar-se psicólogo para ajudar outras pessoas, assim como recebe apoio por meio do Vira Vida. “O programa me proporcionou uma vida melhor. Nos sentimos acolhidos, não passamos mais fome nem sede e temos o que vestir. A única palavra que resume meu sentimento no momento é gratidão”, comemora.

Seleção dos participantes

A identificação de jovens que atendam aos critérios do Vira Vida é realizada por meio do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. Os candidatos enviam um formulário ao programa e, a partir disso, são escolhidos. No caso do DF, eles são escolhidos por meio dos Conselhos Tutelares, Centros de Referência de Assistência Social, Programa de Atendimento à Vítima, Vara da Infância e da Juventude, Ministério Público do DF e Entidades de Acolhimento e Organizações não governamentais.


Capacitação

Cursos oferecidos

Senai-DF
Eletricista; Instalador; Residencial; Modelagem; Operador de Computador.

Senac
Assistente Administrativo; Operador de Computador; Recepcionista.

Sebrae
Cursos sobre empreendedorismo como Crescendo e Empreendendo; Startups; Designer Thinking.


Inserção

Critérios

Ser vítima de violência sexual ou estar em situação de extrema vulnerabilidade para violência sexual

Ter de 14 a 21 anos

Ter defasagem de série e idade

Ter histórico de evasão escolar e/ou de repetência

Ter vínculos familiares fragilizados ou rompidos

Apresentar baixa ou nenhuma dependência química




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