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UnB nega contaminação de jovem por raiva na universidade

Segundo a universidade, os animais que vivem no campus são comunitários e são identificados e monitorados quanto ao estado sanitário

Por Geovanna Bispo 04/08/2022 12h30
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agêcnia Brasil

Após a família do jovem que faleceu por raiva humana suspeitar que ele havia se contaminado na Universidade de Brasília (UnB), a universidade negou, em nota, a acusação.

Segundo a UnB, os animais que vivem no Campus Darcy não são “animais errantes”, mas sim animais comunitários, que são identificados e monitorados quanto ao estado sanitário, por médicos veterinários da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da própria universidade. “Ressaltamos que todos os gatos do campus, que aceitam contato humano, foram vacinados contra a raiva”, garante.

De acordo com o apresentado pela família do jovem, que faleceu no último sábado (30), ao contrário do que foi inicialmente noticiado pela Secretaria de Saúde, de que ele teria sido infectado por uma gata recém adotada, na verdade, ele teria sido arranhado por um dos animais que vivem na universidade.

Isso porque, durante os 24 dias em que esteve internada em observação, a gata não apresentou qualquer sinal de que estivesse doente. ” A partir de exames e avaliação diária, atestou que desde a sua admissão a filhote se encontra sadia, com comportamento normal, ativa e sem apresentar qualquer intercorrência clínica, quadro que se mantém até a presente data”, explica a família.

Ainda de acordo com a defesa, o jovem não frequentava qualquer ambiente rural ou silvestre, onde pudesse ter sido infectado. Sobrando, assim, apenas a hipótese de que ele teria sido infectado nas dependências da UnB.

O homem teria ingressado na universidade no dia 6 de junho e sido internado na rede particular de saúde pela doença no dia 20. “É notório que a universidade possui diversos animais errantes em suas dependências, entre eles gatos e morcegos, situação que pode ter sido agravada pela pandemia e lockdown, pelo abandono, ausência de vacinação, descontrole da população pela reprodução, além da ausência de alimentos, antes fornecidos pelos alunos e frequentadores”, continua o comunicado.

Ainda assim, a universidade afirma que, durante o lockdown pela covid-19, os animais continuaram a ser alimentados e acompanhados pelos protetores. “Neste contexto, é importante afirmar que o monitoramento sanitário também não foi interrompido durante este período”, continua o documento.

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A UnB ainda contesta o período de incubação informado pela família, já que, segundo a universidade, o tempo é, na maioria das vezes, entre duas e três meses após a agressão.”Só este fato, afastaria a suspeita de contaminação no campus, pois o estudante começou a frequentar a universidade em 6 de junho e manifestou os primeiros sintomas no dia 15, ou seja, em um período de 9 dias.”

Por fim, a universidade lamenta pelo falecimento do jovem.

Primeiro caso em 44 anos

Com isso, a secretaria intensificou as medidas de foco e controle animal, como a antecipação da vacinação antirrábica animal em áreas urbanas e rurais. Até a esta quarta-feira (03), a SES havia vacinado mais de 135 mil gatos e cachorros.

Ainda segundo a médica infectologista, a raiva é uma doença infecciosa aguda. “Ela é invariavelmente fatal, com pouquíssimos casos no mundo que sobreviveram a essa doença”, explica a especialista.

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No DF, o único caso de raiva humana foi registrado em 1978. O último em cães foi em 2000 e em gatos em 2001. No geral, o vírus rábico circula em quirópteros, bovinos, equídeos e outros animais.








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