Saí de Cosme Velho ainda com o café na mão quando o e-mail chegou com essa bomba: Bruna Mendonça, modelo e influencer brasileira, foi escolhida para representar a Arábia Saudita no Miss Copa do Mundo, concurso de beleza inspirado no mundial de futebol, com final marcada para julho em São Paulo. Ela será a primeira mulher trans na história da competição, e é isso que torna essa história impossível de ignorar.
O contraste que essa escolha carrega é imenso. A Arábia Saudita figura entre os países mais conservadores do mundo em relação a pautas LGBTQIA+, onde ser trans enfrenta repressão legal e criminalização. Bruna vai carregar a faixa desse país com a missão declarada de expor e enfrentar exatamente isso. A organização foi direta: ela não representa apenas uma faixa, representa uma ruptura.

Bruna iniciou sua transição aos 16 anos, com apoio da família, e nunca havia entrado num concurso de beleza justamente por medo da discriminação. Foi um fotógrafo amigo quem indicou o nome dela para a organização. Ela conta que nem cogitou se inscrever, achava que não seria aceita, que o preconceito já a havia descartado antes mesmo de tentar. No primeiro dia de votação online, disparou.

A final é em julho, em São Paulo, e o Brasil inteiro vai estar de olho. Bruna se define como maria-chuteira sem cerimônia, quer usar o concurso como porta de entrada para o entretenimento e diz ter muita história para contar. Com essa faixa no ombro, ela já começou.