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Economia

Brasil alcança maior IDH da história e entra no grupo muito alto

Educação puxou o avanço do índice, enquanto saúde e renda tiveram evolução mais lenta no período analisado pelo Pnud Brasil.

Redação Jornal de Brasília

26/05/2026 11h33

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Foto: Divulgação/Leia Brasil

O Brasil ingressou, pela primeira vez, na categoria de países com desenvolvimento humano muito alto, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil. Em 2024, o país alcançou IDHM de 0,805, ante 0,744 em 2012, de acordo com a pesquisa Radar IDHM, divulgada nesta terça-feira (26).

A escala do Pnud vai de 0 a 1, e a classificação de desenvolvimento humano muito alto começa acima de 0,800. Quando o programa passou a calcular o índice, há 30 anos, o Brasil era enquadrado como país de IDHM baixo, abaixo de 0,555.

Entre os subíndices, a educação foi o principal motor da melhora no período. O indicador passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024. A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, associou esse avanço à concessão do Bolsa Família e afirmou que o programa retirou muitas crianças do trabalho e ampliou a permanência na escola.

Segundo ela, a melhora educacional é mais expressiva entre famílias de renda mais baixa, especialmente as famílias negras. Betina Barbosa também destacou que a redução das desigualdades de raça e de gênero é fundamental para o avanço do desenvolvimento humano no país.

Nos demais componentes, a saúde já aparecia em patamar de muito alto desenvolvimento em 2012, com 0,829, e chegou a 0,860 em 2024. Ainda assim, foi o subíndice de crescimento mais lento. Já a renda subiu de 0,732 para 0,760 no mesmo intervalo, permanecendo no patamar de alto desenvolvimento.

Os dados do Pnud mostram ainda que as regiões metropolitanas têm papel importante na elevação da média nacional. Segundo Betina Barbosa, áreas que antes puxavam o índice para baixo agora ajudam o país a atingir a faixa de desenvolvimento muito alto. Ela citou, entre outros exemplos, a Grande Teresina, com índice de 0,809.

No Nordeste, sete das nove regiões metropolitanas já apresentam IDH muito alto, algo que o Pnud classificou como inédito. A lista inclui Natal, Aracaju, Grande Teresina, Recife, São Luís, Salvador e João Pessoa.

A pesquisa também menciona os efeitos da pandemia de covid-19 sobre o indicador entre 2020 e 2022. Em 2021, o IDHM do país chegou a 0,757. Betina Barbosa afirmou que o Brasil ainda não se recuperou, em termos de esperança de vida, do impacto da crise sanitária, e avaliou como preocupante a falta de resposta rápida para enfrentar os efeitos da pandemia, especialmente sobre a mortalidade infantil.

Os resultados do Radar IDHM foram calculados com base na PNAD Contínua, do IBGE, em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

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