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Secretaria de Saúde opera estratégias para vacinar população do DF

Novos horários de vacinação e Carro da Vacina são algumas das ferramentas usadas para garantir esquema vacinal completo para os brasilienses

Por Mayra Dias 27/06/2022 6h00
Foto: Tony Winston/Agência Saúde-DF

Mesmo com o empenho da Secretaria de Saúde nas ampliação da cobertura vacinal, cerca de 110 mil crianças de 5 a 11 anos, 41,3% do total, ainda não tomaram a primeira dose. Para tentar melhorar essa situação, no último sábado (25) sete locais de vacinação contra a covid-19 funcionaram no Distrito Federal no, incluindo a Administração Regional de São Sebastião e escolas em Ceilândia e Riacho Fundo. Além disso, o Carro da Vacina percorreu ruas do Sol Nascente. 

De acordo com o doutor Victor Bertollo, médico infectologista do Hospital Anchieta de Brasília, por mais que as crianças sejam um grupo menos suscetível a agravamento da doença, não é um risco desprezível, e por isso elas devem se vacinar tanto quanto qualquer outro grupo. “É um risco maior do que muitas outras doenças que as pessoas, geralmente, têm mais medo. Tivemos muito mais portes, por exemplo, por covid do que meningite, doença que assombra muitas pessoas”, defende. De acordo com o especialista, por mais que as chances sejam menores que em adultos, a covid nas crianças pode sim evoluir para um quadro mais grave, assim como trazer outras complicações. Há algumas hipóteses sendo estudadas, inclusive, de doenças relacionadas à síndrome pós covid. 

“Manter a vacinação em dia é fundamental para garantir a proteção coletiva contra a covid-19. Temos profissionais e imunizantes para vacinar, cabe a população fazer a sua parte e comparecer”, afirma a secretária de Saúde, Lucilene Florêncio. Por esse motivo, a dedicação da pasta não é só pelas crianças. Os adultos também precisam voltar às unidades de saúde. O Distrito Federal já permite o segundo reforço para quem tem mais de 40 anos, no entanto, 47,3% da faixa etária de 40 a 49 anos sequer recebeu o primeiro reforço. Se tratando do público entre 30 e 39 anos, este índice é de 60,2%. Qualquer pessoa com mais de 12 anos pode receber o primeiro reforço, desde que respeite o prazo de quatro meses da segunda dose. Para quem tomou Janssen, a espera é de dois meses.  

No feriadão de Corpus Christi, de acordo com a secretaria, entre quinta-feira e sábado, mais de 30 mil pessoas foram imunizadas. De segunda a sexta-feira, são mais de 70 unidades abertas para atendimento. “As estratégias diferenciadas são fundamentais para aumentarmos os números e igualmente para ampliar acesso a pessoas que eventualmente não iriam à unidade de saúde”, explica o chefe da Assessoria de Atenção Primária da Secretaria de Saúde, Adriano Oliveira. De acordo com ele, as estratégias têm sido adotadas para oferecer a vacinação em novos locais e em horários diferentes. Na quarta-feira (22), por exemplo, 14 unidades de saúde passaram a oferecer o serviço das 19h às 22 horas. 

Aos 47 anos, Cintia Teixeira Sá foi uma das brasilienses que aproveitou o feriado para buscar sua dose da vacina. “Quando soube que estava liberado para a minha faixa etária, aproveitei o feriado e fui logo, com o braço pronto”, brinca a candanga. “Já estamos vendo os resultados do esquema vacinal completo. Apesar de ainda ter muitos casos, o número de mortes caiu radicalmente”, completou, ressaltando que sempre foi a favor da vacinação. 

Para o infectologista do Hospital Anchieta, os números são reflexo de desinformação e disseminação de ideias precipitadas, tanto com relação a vacina quanto da doença em si. “Infelizmente o que a gente tem visto é um movimento de regresso da população com relação à vacina. Isso é decorrente de muita informação falsa e isso cria um aumento da percepção de risco do imunizante. Além disso, tem se disseminado a ideia de a doença não tão grave assim, e isso também contribuiu para uma menor busca pelo imunizante por parte da população”, acredita o médico Victor Bertollo. 

Desta forma, uma das estratégias da secretaria de saúde, como pontua Lucilene, é o Carro da Vacina, que chega a pessoas que não vão aos postos. “É um projeto que funciona com excelência na região de saúde oeste e que queremos levar para outras áreas do DF”, ressalta a secretária de Saúde, Lucilene Florêncio.  Em sua 12ª edição, a iniciativa vai levar imunizantes para as ruas do Trecho 3 do Sol Nascente. O veículo irá circular das 8h às 17 horas entre as chácaras 5, 5 Estrelas, Gênesis, 7, 7A, 8, 9, 73, 73B, 74 e 75. Será disponibilizada primeira dose, segunda dose e os reforços para todas as pessoas acima dos 12 anos. 

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O veículo conta com os imunizantes, seringas, material de apoio e acesso ao sistema de registro de vacinação, o que permite saber se uma pessoa já tomou alguma dose da vacina de covid-19 e quando. “Prestamos todo o apoio ao cidadão. Se necessário, nós até emitimos o cartão de vacina na hora”, detalha a chefe do Núcleo de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Região de Saúde Oeste, Zildene Bitencourt.   

Ainda segundo Victor Bertollo, deve-se ter em mente que o esquema vacinal é sempre pensado de acordo com os dados epidemiológicos e científicos que surgem ao longo do tempo. “Por isso a vacina tem um papel fundamental na hora de evitar formas graves da covid-19”, pontua. Porém, já é comprovado que, com o passar do tempo, a proteção trazida por ela tende a diminuir, por isso a importância da dose de reforço. “Elas voltam a estimular o sistema imunológico a produzir uma resposta até mais intensa que apenas com o esquema primário”, ressaltou o médico, relembrando ainda que, no caso da variante Omicron, as doses de reforço são as únicas capazes de enfrentá-la. 








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