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Primeiros adolescentes começam a ser vacinados no DF

Nessa primeira etapa, poderão fazer a marcação pessoas com idade de 12 a 17 anos que tenham síndrome de Down e autismo

Foto: Vitor Mendonça/Jornal de Brasília

Guilherme Gomes e Vitor Mendonça
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Nesta quinta-feira (5), o Distrito Federal começou a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos com deficiência ou síndromes. O agendamento foi aberto na quarta-feira (4) no site vacina.saude.df.gov.br. Nessa primeira etapa, poderão fazer a marcação pessoas com idade de 12 a 17 anos que tenham síndrome de Down e autismo.

No caso de pessoas com síndrome de Down, não é preciso levar laudo médico. Já para adolescentes com autismo, será necessário apresentar laudo apenas se a pessoa não tiver feito algum atendimento na rede pública do DF nos últimos 12 meses.

No início da tarde desta quinta-feira (5), Josiane Marinho, 34 anos, levou a filha Nicole Marinho, 13, que tem Transtorno do Espectro Autista, para tomar a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus. Elas foram à Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 do Núcleo Bandeirante, onde a adolescente foi vacinada com o imunizante da Pfizer. A segunda aplicação acontecerá daqui a 90 dias, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

“Tô muito feliz que tomei. Não aguentava mais esperar”, disse a jovem. “Doeu e pareceu uma picada de abelha”, acrescentou. Segundo Nicole, depois de todo o processo de imunização, a primeira coisa que quer fazer é voltar a fazer seu programa preferido, que é ir ao shopping com a mãe e irmã, onde também pode ir ao cinema. “Quero que o coronavírus acabe, porque não aguento mais usar máscara”, comentou.

A mãe também recebeu a primeira dose da Pfizer, mas no Riacho Fundo, onde moram. Para ela, o momento é de esperança. “Estávamos muito ansiosas pela nossa vez, principalmente ela [Nicole], que queria muito vacinar. A vacina é essencial. Salva vidas e é ela que vai nos proteger, mesmo com várias variantes. Acredito que a ciência é a melhor solução nesse momento”, destacou.

A família se manteve ao máximo dentro de casa durante estes um ano e cinco meses de pandemia, para evitar a contaminação. O processo para se acostumar com a máscara, para Nicole, não foi tão incômodo e logo se acostumo, mas tiveram alguns episódios de esquecimento. “Foi difícil só pelo calor [de usar a máscara]”, finalizou Nicole.

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Vacinação na capital

De acordo com o último boletim epidemiológico, divulgado na quarta-feira (4), o DF tem 1.432.454 vacinados da primeira dose, mais 570.466 pessoas que levaram a segunda dose e 52.818 da dose única. Nas últimas 24h foram 44.645 vacinados da primeira dose, 7.421 da segunda dose e 150 da dose única.

A vacinação contra a Covid-19 começou no Distrito Federal no dia 19 de janeiro. Já foram recebidas 844.760 doses da vacina CoronaVac, que é produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Além das 1.104.200 mil doses da vacina Covishield, desenvolvida pela universidade inglesa de Oxford, com a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca, 423.660 da Pfizer e 59.050 da Janssen.

Taxa de transmissão preocupa

Pelo terceiro dia seguido, o Distrito Federal manteve uma taxa de transmissão da covid-19 equivalente ou acima de 1. Mesmo não se tratando do único critério para política pública de contenção da pandemia, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) alerta que, a longo prazo, o DF pode sofrer consequências caso a taxa não volte a cair, e que a população não deve ainda abaixar a guarda ao lidar com a doença.

O valor 1 é considerado a taxa que indica estabilidade na transmissão da doença: o número de casos tende a permanecer o mesmo ao longo dos dias. Valores abaixo indicam tendência de queda, e acima, tendência de aumento no número de infecções.

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No caso do Distrito Federal, a taxa permaneceu oscilando pouco acima de 0,9 ao longo das últimas semanas, até atingir 1 na última segunda-feira; 1,1 na terça-feira passada e 1,2 ontem.

De acordo com Farid Buitrago, presidente do CRM-DF, esse aumento não trará efeitos a curto prazo. Mas se essa taxa não for contida, as consequências tornam-se perceptíveis a longo prazo. “Isso representa um aumento no número de casos, o que pode resultar em aumento na demanda por leitos hospitalares, levando à sobrecarga dos serviços de saúde”, explica.






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