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Retorno às aulas presenciais tem misto de sentimentos

Enquanto a maioria das crianças está animada, os pais ficam apreensivos devido à pandemia e à variante Delta

Por Vítor Mendonça 05/08/2021 10h02
Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Animação, choro e receio. O misto de sentimentos marcou este primeiro dia de retorno às aulas presenciais da Educação pública, iniciado nesta quinta-feira (5) de forma escalonada. Os primeiros a adentrarem nas escolas, após um ano e cinco meses, foram os alunos de 3 a 5 anos dos Centros de Ensino Infantil (CEI) do DF. São cerca de 2,3 mil estudantes nesta faixa etária, segundo a Secretaria de Estado da Educação (SEE).

No CEI Núcleo Bandeirante, que iniciou o retorno às 8h, as crianças tiveram a temperatura aferida e a higienização das mãos com álcool feita. As mochilas também receberam borrifos do produto para a limpeza do material. Na unidade, a fim de evitar aglomerações na chegada, duas entradas foram abertas para dividir os alunos.

A previsão era a chegada de cerca de 100 estudantes, mas, nesta primeira manhã, apenas 45 compareceram à escola. A diretora da unidade, Ana Paula Gomes, acredita que o menor número de alunos se dá pelo fato do retorno acontecer em uma quinta-feira, e muitos pais ainda não esquematizaram o retorno com a nova rotina dos filhos. O período vespertino, porém, deve receber mais crianças, segundo ela.

Francislene da Costa, 38 anos, afirma que o pequeno Paulo Victor, 4, estava ansioso para poder ir à escola pela primeira vez nesta volta às aulas presenciais. “Acho que ele estava mais animado do que eu, nem olhou pra trás”, brincou a mãe. “Ele já acordou falando: ‘mamãe, vamos para a escola’. Ele está bem feliz. Não deu nem tchau. Vai fazer bem para ele”, continuou.

Apesar de estar preocupada quanto aos riscos de contaminação, ela entende que o ambiente escolar é o melhor para o crescimento do filho. “Fico apreensiva por conta da covid-19 e agora com essa variante Delta, mas também não posso tirar essa primeira experiência dele. Esse momento de iniciar a escola, não acho justo”, disse. “Já fiquei mais preocupada, mas agora estou tranquila.” Ela visitou o CEI Núcleo Bandeirante antes e confiou na nova estrutura, que disse estar “muito melhor”.

A única tristeza nesta volta foi de Isabela, sua filha mais velha, de 6 anos. Segundo Francislene, a pequena só voltaria na próxima segunda-feira (9), mas terá de esperar mais uma semana por estar no segundo grupo na intercala da Escola Classe 4 do Núcleo Bandeirante, retornando apenas no dia 16. “Foi ela quem chorou hoje pedindo para ir à escola também, e até perguntou para a tia se ela poderia ser a ajudante da sala do irmão, de tanta saudade”, comentou a mãe, que precisou explicar o porquê da menina não voltar hoje à escola.

O casal Daniela e Cássio França, de 34 e 35 anos, também levou o filho Heitor, 4, ao primeiro dia de aula na mesma unidade de ensino. Para a surpresa da mãe, o pequeno não chorou nem reclamou para entrar na unidade. Segundo ela, ele não estava muito animado para o retorno e disse que não queria ir. “Mas acho que eu estou mais nervosa que ele”, brincou.

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Os dois também estão confiantes dos protocolos que a escola adotou para receber o filho. “Temos que confiar, mas ainda temos um pouco de medo”, comentou. As duas reuniões que tiveram com os professores e educadores antes do retorno nesta quinta-feira (5), segundo ela, ajudaram na decisão de trazer o pequeno. “Fomos muito bem orientados sobre como seriam os protocolos a serem seguidos, como deve ser feita a higienização com os pais. Achei isso muito importante”, completou.

Heitor, 4 anos. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Já Carlos Henrique, 41, confia plenamente que levar à escola o filho Guilherme, 5, foi a melhor decisão. “Estou muito tranquilo. Vai ser o melhor para ele”, afirmou. “Mas ele não estava muito animado para vir não, tivemos que conversar ontem. Os professores orientaram de como poderíamos falar [os pais], e seguimos a recomendação. E agora está aqui”, disse. “Estamos despreocupados.”

Guilherme não estava muito animado e chegou ainda desconfiado, sem muita conversa com os educadores na entrada da escola. Quase não colocou a mochila nas costas. O pai acompanhou com o olhar, da entrada, o menino e a professora até a sala, para garantir que o filho não voltaria arrependido.

Dentro da sala, porém, o menino já conheceu os seis colegas de turma, que disseram os nomes, idades e quais eram suas comidas favoritas. Para Guilherme, a predileta é a banana. A atividade foi feita com cada um dentro de um bambolê, a fim de exemplificar a importância do distanciamento social entre as crianças. As instruções foram passadas pela “tia Camila”, educadora da classe onde Heitor também está matriculado.

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Guilherme, 5 anos. Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

No quadro, ela pendurou cartões com as novas instruções e recomendações de comportamento dos alunos durante este retorno e enquanto vigorar a pandemia da covid-19. Parte do conhecimento as crianças já tinham, mas outros foram aprendidos hoje, como as formas de cumprimentar colegas e professores, sempre ou com um toque no cotovelo ou com um toque com o pé. O aceno também foi ensinado como outra forma de dizer oi aos outros alunos.

Cada material foi separado e colocado dentro de caixas com os nomes dos alunos, além de todos terem uma bolsa plástica com os próprios brinquedos, que não deverão ser compartilhados. Não podem faltar nas aulas também as máscaras, que, segundo o ensinamento da professora, só pode ser tirada na hora de comer ou beber água, sempre pelo elástico da lateral, e nunca podendo emprestar para o colega.






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