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Matéria do Jornal de Brasília vira tema em concurso público da Polícia Penal

A matéria serviu como base em três questões de raciocínio lógico da prova objetiva da Polícia Penal do Distrito Federal

Foto: Agência Brasil

Gabriel de Sousa
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Os concurseiros que realizaram a prova objetiva da Polícia Penal do Distrito Federal (PPDF), aplicada neste último domingo (3), tiveram que responder questões de diversas áreas classificadas como conhecimentos básicos, como itens de língua portuguesa, informática e raciocínio lógico. Neste último tema, o texto utilizado como base para três questões foi uma matéria feita pela editoria de Concursos & Carreiras do Jornal de Brasília.

A matéria, publicada em março no site do JBr, foi justamente sobre a divulgação do edital do concurso da Polícia Penal. A banca organizadora do certame, o Instituto AOCP, utilizou as informações citadas na reportagem, que noticiava os números de vagas e de itens da avaliação objetiva, além do valor das remunerações que serão oferecidas aos futuros policiais.

O certame teve a participação de 58.626 candidatos inscritos, que irão concorrer a 400 vagas imediatas e 779 oportunidades de cadastro reserva para compor o quadro da corporação. A próxima fase será um teste de aptidão física, que terá as suas datas reveladas em breve.

Após a avaliação da aptidão física, ainda será realizada uma prova de habilitação psicológica, uma sindicância de vida pregressa, e, por fim, um curso de formação profissional, que será a etapa final antes das nomeações. A remuneração inicial dos aprovados é de R$ 5.545, mas considerando os serviços voluntários que são pagos por fora, os servidores poderão receber entre R$ 8 mil e R$ 10 mil, em uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Questões sobre a matéria do JBr foram de certo e errado

As três questões de raciocínio lógico em que a matéria do Concursos & Carreiras do Jornal de Brasília esteve presente como texto-base consistiram em itens de certo e errado, em que uma resposta errada anulava uma questão certa respondida anteriormente pelo candidato. A primeira questão, utilizou o número de vagas informado pelo JBr, e supôs alterações no quadro de vagas destinadas aos candidatos negros, com deficiência e imunossuficientes.

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“Considerando as características atribuídas pelo texto e seus respectivos percentuais, suponha que haja uma alteração no edital e que sejam: diminuídas em 20% as vagas destinadas aos candidatos com deficiência, aumentadas em 20% as vagas destinadas aos candidatos negros e aumentadas em 10% as vagas destinadas aos candidatos hipossuficientes, então, o número de vagas restantes diminui em 2% (quando comparado ao número de vagas restantes da situação inicial)”, inferia o enunciado.

De acordo com Arthur Lima, professor e sócio fundador do Direção Concursos, a questão estava correta, já que através de cálculos de porcentagens e a utilização de frações, é constatado que o número de vagas restantes realmente diminuiria em 2%.

Na segunda questão onde foi utilizada a matéria, o Instituto AOCP utilizou uma entrevista feita com o especialista em carreiras policiais do Gran Cursos Online, Diego Fontes, onde ele dizia para a nossa equipe de reportagem que as reais remunerações dos policiais penais era superior aos R$ 5.545 previstos no edital: “Na prática, com os extras, como verbas indenizatórias, os serviços voluntários que são pagos por fora, ele pode tirar na prática entre R$ 8 mil e R$ 10 mil”.

“Se considerada a faixa inicial citada no texto, o Policial Penal poderia receber mais de R$ 8 mil a R$ 10 mil por mês. Em termos percentuais, isso corresponde a uma faixa de 45% a 95% de aumento em relação à remuneração prevista no edital”, questionava o enunciado da questão.

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Em seu gabarito extraoficial, o professor Arthur Lima corrigiu esta questão e chegou à conclusão que o item estava errado. A primeira afirmação é correta, já que o aumento era de 44%. Já no segundo valor proposto pela banca organizadora, a partir de cálculos matemáticos básicos, foi constatado que o acréscimo não era de 95%, e sim de 85%.

Na terceira e última questão em que a matéria do Jornal de Brasília foi utilizada, o Instituto AOCP testou o raciocínio lógico dos candidatos a partir das informações sobre o número de questões da avaliação objetiva. “Suponha que cada item marcado de forma correta na prova seja atribuído um valor igual a 1,4 pontos, então, o candidato que responder a todos os itens da prova errando apenas 1 ⁄ 5 do total terá nota igual a 126 pontos”, afirmava o enunciado.

Esta questão, assim como a primeira, também estava correta de acordo com Lima, já que os acertos líquidos do candidato citado no item era de 3/5, e o máximo possível para se obter na prova objetiva da Polícia Penal era de 150 pontos. A partir de um cálculo de equação, o concurseiro chegaria à resposta final: 126 pontos.

Questão teve recepção positiva

O professor Arthur Lima se diz “surpreendido positivamente” pelo uso do texto do Concursos & Carreiras na prova objetiva da Polícia Penal. Segundo ele, a junção entre o texto jornalístico e a matemática tornaram as questões mais atrativas para a extração das informações da reportagem, cujos números se tornaram os instrumentos empregados nas questões.

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“Eu me surpreendi positivamente ao ver o uso da matéria do Jornal de Brasília nas questões de Raciocínio Lógico do concurso. O examinador partiu da matéria jornalística e, a partir dela, elaborou questões em que o candidato deveria extrair informações adicionais da reportagem por meio do uso de tópicos básicos de matemática, como porcentagens, frações, e cálculos com números decimais.”, afirma.

O professor afirma também que essa relação entre o jornalismo e a matemática nos itens da prova destaca a importância da aplicação do raciocínio lógico no dia-a-dia dos concurseiros. A partir de uma reportagem, os concurseiros podem, além de realizar questões de ciências exatas que podem ser essenciais nos estudos e nas futuras aprovações, também se informar sobre os principais acontecimentos, aprimorando o seu conhecimento geral.

“Estas habilidades realmente são muito úteis para qualquer cidadão que queria compreender adequadamente uma notícia jornalística e fazer julgamentos que sejam relevantes para sua vida pessoal. Ao cobrar este tipo de conhecimento, a banca organizadora também incentiva os professores, como eu, a enfatizar a aplicação prática da matemática na vida dos alunos. Espero que as demais bancas organizadoras se inspirem neste bom exemplo”, conclui o especialista.

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