Acordei na minha casa com aquela preguiça boa de quem dormiu bem, tomando meu suco de melancia gelado de frente pro espelho, já me ajeitando pra encarar a academia do Leblon de má vontade. Foi quando o celular começou a ferver no grupo, e eu, claro, larguei a maquiagem pela metade. Tinha babado fresquinho da Seleção pingando na tela, e fofoqueira que se preza não vai pra esteira antes de ligar o modo coluna.
O rolo começou na sexta, quando o presidente Lula soltou uma alfinetada em Neymar num evento em Belo Horizonte. Perguntou pra uma criança quem era bom de bola hoje, ouviu o nome do craque e respondeu na lata que o Neymar nem está jogando, ainda chamou o moço de primeiro convocado home office do mundo. Domingo, na coletiva da Seleção, o repórter Gabriel Reis, da Placar, jogou o assunto no colo do Lucas Paquetá e perguntou como o grupo se blinda de tanta gente que deveria apoiar e não apoia.

E foi aí que o menino deu uma aula de compostura sem precisar citar o nome de ninguém. Paquetá falou que a gente aprende desde cedo a blindar o que vem de fora, e disse que tenta filtrar o que pode servir de combustível pra seguir adiante com o trabalho. Saiu de cena sem armar barraco e sem devolver a alfinetada, recusando entregar munição pra manchete maldosa. Confesso que esperava menos diplomacia de um jogador em plena reta de Copa.
Enquanto o meia segurava a pose, a turma do Neymar respondia do jeito que a internet entende. A equipe do craque postou fotos do treino dele com a Seleção e cravou um “No day off”, sem dia de folga, que todo mundo leu como recado pro presidente. Resultado, a tal história de home office virou piada nacional, com a torcida dividida entre rir do Lula e defender o moço de Santos. A coluna acompanhou o vai e vem dos prints e garanto que rendeu mais textão do que partida amistosa.

Para mim fica o retrato da semana, o presidente caçando risada fácil num palanque e o jogador dando lição de jogo de cintura na frente do microfone. Lula quis o deboche, a turma do Neymar mandou a indireta de academia, e quem saiu por cima da história foi justamente o Paquetá, que nem entrou na briga direito. Vou pra esteira do Leblon convencida de que, nesse campeonato de quem fala melhor, o craque da rodada foi o que menos abriu a boca.