A partir desta terça (04/06), o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh) avança no tratamento cardíaco e passa a realizar três novos procedimentos que até então não existiam no SUS (Sistema Único de Saúde) do Distrito Federal: programa de fisiologia intracoronária, programa de imagem intracoronária e programa para tratamento de lesões calcificadas (rotablator).
Responsável técnico do serviço de hemodinâmica do HUB, o cardiologista intervencionista Mateus Veloso esclarece que historicamente o tratamento das lesões da fisiologia intracoronária são baseadas na quantificação percentual do grau de estenose (estreitamento dos vasos), que é feita visualmente, durante o exame, estabelecendo uma relação entre o menor diâmetro do vaso e o menor diâmetro na lesão, comparando ao que seria o diâmetro de referência do vaso.
“Normalmente tratamos a maioria das lesões acima de 70% e, as abaixo disso, não. A única exceção é o tronco da coronária esquerda, que é o início do vaso da maior coronária, onde uma lesão de 50%, a princípio, já é passível de intervenção”, diz o médico.
O hemodinamicista explica o que a fisiologia intracoronária acrescenta para o tratamento de doenças cardiovasculares: “O que descobrimos é que eventualmente podem ter lesões de 70%, até um pouco mais, que não trazem repercussão hemodinâmica, que não impedem o fluxo, e, portanto, neste caso, o tratamento seria fútil, mas também existe o contrário, há lesões menores do que 70% que causam restrição de fluxo e, nesse caso, precisam ser tratadas. Dispor deste método significa que eu posso selecionar mais adequadamente quais lesões precisam ser tratadas, aumentando a nossa precisão”.
Outro ponto sobre a fisiologia intracoronária é que ela dá refinamento de escolha, do que tratar e de como fazer em caso de pacientes com muitas lesões e que, ao serem avaliadas, eventualmente se descobre que um ou dois vasos não precisariam ser tratados.
“De imediato, o paciente teria indicação de um tratamento cirúrgico, com toda a complexidade de realizar a cirurgia, tempo de fila no SUS, questão de vaga de UTI e custos relacionados a um procedimento cirúrgico e, depois, se descobre que ele só precisaria de uma angioplastia, por exemplo. Em números, pode-se dizer que mais ou menos de 20% a 30% das lesões não precisariam ser tratadas e, às vezes, lesões um pouco menores do que isso, nesse mesmo percentual, precisariam”, comenta Veloso.
O programa de imagem intracoronária
Esta modalidade de avaliação envolve duas técnicas: o ultrassom intracoronário, que é imagem baseada na emissão de ondas de som e o OCT (Tomografia de Coerência Óptica), que é a emissão de um feixe de luz infravermelha que detalha e melhora a nitidez das características do vaso.
A aplicação destes dois programas é importante para refinar os diagnósticos e auxiliar no tratamento.
“Em relação ao diagnóstico, principalmente nas lesões de tronco de paciente cirúrgico, se a gente mede a área e consegue saber que ainda é boa, por mais que tenha uma carga de placa importante, então esse paciente não precisaria de qualquer tratamento; sendo um paciente que sai de uma cirurgia, temos a segurança do tratamento clínico. O raciocínio contrário também é verdadeiro: podemos achar que aquilo é bom, que parece ter um tamanho razoável, e quando vamos medir de fato, descobrimos que não é uma área tão grande assim e atestamos que o paciente precisaria de alguma intervenção”, observa Mateus Veloso.
Do ponto de vista de auxiliar o tratamento, o programa de imagem intracoronária dá mais detalhes sobre o tamanho do vaso, o comprimento da lesão e, depois que o Stent é colocado, consegue-se ter mais segurança, diminuindo a chance de complicações futuras.
Programa para tratamento de lesões calcificadas (rotablator)
O rotablator é um dispositivo que oferece uma solução avançada para o tratamento de lesões vasculares mais complexas resultantes do acúmulo de cálcio nas paredes dos vasos sanguíneos.
“Estas lesões apresentam desafios significativos ao tratamento rotineiramente oferecido no SUS, por limitar a abertura do vaso com uso dos materiais convencionais. Neste cenário, muitos pacientes ficam em tratamento clínico, a despeito da gravidade das lesões, podendo levar a complicações graves, como angina e ataque cardíaco”, explica o cardiologista Mateus Veloso.
“Com o rotablator, fragmenta-se o cálcio em micropartículas, que são eliminadas na corrente sanguínea e, logo após, pode-se fazer a angioplastia com resultado ótimo”, finaliza o médico.
Serviço:
Procedimento inaugural do Rotablator
Terça-feira 4/6/2024
8h – apresentação teórica do procedimento, dos fluxos e da equipe de hemodinamicistas, na Sala da Saúde Mental do HUB
9h início do procedimento no Centro de Hemodinâmica do HUB
Com informações do HUB