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Erosão próxima a torres de energia preocupa autoridades

O deputado Luis Miranda enviou requerimento ao ministro Bento Albuquerque e à Agência Nacional de Energia Elétrica cobrando providências no caso

Por Ary Filgueira 19/10/2021 5h44

Autoridades local e federal reagiram com preocupação ao risco de apagão que se avizinha ao Distrito Federal. Conforme noticiou a reportagem do Jornal de Brasília, uma eclosão de erosões avançam sobre três torres de linha de transmissão de energia que levam luz para boa parte do país, inclusive para Brasília, dentro de propriedade particular em Águas Lindas de Goiás.

O polêmico deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que prestou depoimento bombástico na CPI da Covid, no Senado Federal, em que afirmou ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre as suspeitas envolvendo as negociações para aquisição da Covaxin pelo governo, disse que é “inadmissível o risco de falta de energia na capital do país por conta de cuidado prévio”.

O parlamentar encaminhou um requerimento ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os riscos de apagão no Distrito Federal. O documento foi elaborado com base na reportagem do jornal.

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Num dos trechos, o deputado cita uma parte da matéria para embasar seu pedido: “Segundo matéria veiculada no jornal de Brasília, no dia 19 de outubro de 2021, a chegada da chuva nunca foi tão aguardada como neste ano. Mas não era para menos, uma vez que havia chance real de racionamento de energia devido ao baixo volume dos reservatórios. Então, o período chuvoso chegou, mas a ameaça de apagão está perto. Mais precisamente a 35 metros”.

Foto: Claudio Andrade/Câmara dos Deputados

“Com base em todo o exposto, solicitamos essas informações, com o máximo de urgência, com a finalidade de evitarmos enorme apagão (Blackout) no Distrito Federal e prejudicar, de forma nefasta, a energia elétrica consumida pela população de Brasília. Há possibilidades reais de causar danos irreparáveis ou de difícil reparação aos empresários e consumidores”, conclui.

“Tem de haver uma solução imediata desse problema. É inaceitável. A linha vai desabar?”, interpelou o deputado brasiliense.

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O assunto também repercutiu entre as autoridades locais. A Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal, cujo titular é o José Humberto Pires, informa que está articulando, junto à Prefeitura de Águas Lindas de Goiás, as providências a serem tomadas. O primeiro passo é identificar a real situação.

A prefeitura chegou a ser notificada pelo problema pela Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa) sobre o problema das erosões. No relatório que acompanhou a notificação extrajudicial, a concessionária afirmou que o processo seria “provocado pelo direcionamento das águas pluviais de uma estrada lateral nas proximidades da linha de transmissão”.

Em seguida, mas ainda no mesmo documento, do qual a reportagem teve acesso, a Taesa admite a possibilidade de haver danos às estrutural do empreendimento (no caso, das torres). Mas negou que o processo tenha sido provocado pela instalação das torres. “A origem principal da erosão está correlacionada com o curso d’água provocado pela estrada lateral nas proximidades da referida linha de transmissão”. E recomendou à Prefeitura de Águas Lindas providências urgentes para a solução do problema. Esse contato foi feito em julho. Já se passaram quase três meses e nada de uma solução.

Furnas também negou se responsável pelo problema. A concessionária afirmou que a causa do processo erosivo não possui relação com os empreendimentos da empresa. E garantiu que realizou inspeção técnica para avaliar o referido processo de erosão e constatou que “não há risco de queda de torres de transmissão por este motivo. A área afetada encontra-se fora da faixa de servidão das linhas de transmissão de Furnas, portanto distante das torres da empresa”.

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Não é o que a reportagem constatou. Ao contrário do que informou a empresa, um dos enormes buracos está a 35 metros das duas torres de Furnas. E tem avançado a cada dia de chuva. É o que afirma o dono da terra, Gilberto Camargos, 57 anos. “O que eles estão esperando para resolver isso aqui? A responsabilidade é dessas empresas. Elas tiveram de fazer a terraplanagem, para instalar as torres, mas não colocaram boca-de-lobo e nem bolsão para acumular a água. Então, a água da chuva vem toda aqui para minha propriedade. Isso provocou a erosão, que chega a avança dois metros a cada chuva”, afirmou ele.








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