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Kátia Flávia
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“O problema é só do pobre”: Sára Zara é escrachada por Luciano Huck após fala sobre o Bolsa Família

Comunicadora viralizou ao rebater fala do apresentador em evento para empresários e apontou o abismo entre quem vive de benefício e quem discute pobreza em mesa de milionário

Kátia Flávia

25/05/2026 13h51

Sára Zara viralizou após rebater fala de Luciano Huck sobre o Bolsa Família

Sára Zara viralizou após rebater fala de Luciano Huck sobre o Bolsa Família

Sára Zara viralizou nas redes sociais após responder uma fala de Luciano Huck sobre o Bolsa Família e colocar o apresentador no centro de uma crítica sobre privilégio, desigualdade e pobreza discutida por quem nunca precisou escolher entre conta atrasada e comida na mesa. A comunicadora reagiu à declaração de Huck em um evento para empresários, no qual ele afirmou que o programa social não criaria estímulos para que famílias deixem a situação de pobreza e disse que beneficiários buscariam “atalhos” para permanecer no benefício.

No Cosme Velho, o almoço já tinha virado pós-almoço, que é quando ninguém mais assume que está comendo, mas todo mundo continua pegando alguma coisa da mesa como se fosse investigação arqueológica. Uma amiga tentava justificar a terceira colherada de sobremesa, outra estava no sofá fazendo análise política com a perna dobrada, e eu tentava responder mensagem sem derrubar café no teclado. Aí veio Sára Zara colocando Luciano Huck no devido lugar. Pronto. A sala acordou. Porque quando alguém rico fala de pobre para outros ricos, minha filha, o Brasil inteiro deveria ganhar direito de resposta automático.

Sára criticou o fato de pessoas milionárias debaterem pobreza sem abrir espaço para quem vive essa realidade. “Falar de pobre com outro rico é muito fácil, eu quero ver falar de pobre com o próprio pobre”, afirmou. A frase circulou nas redes e foi tratada por internautas como uma resposta direta à fala do apresentador.

A comunicadora também rebateu a ideia de que o problema estaria na forma como famílias pobres tentam sobreviver. “Cada brasileiro vai se melhorando como pode, mas o problema é só do pobre”, disse. “O atalho do pobre é o Bolsa Família, o do rico é não pagar imposto (…) explorar o povo pobre.”

A crítica pegou justamente no ponto que Huck tentou contornar depois da repercussão: falar em “atalhos” quando o assunto é Bolsa Família, mas não aplicar o mesmo peso aos mecanismos usados por ricos para acumular, proteger patrimônio, driblar impostos e transformar privilégio em mérito no discurso público. Sára não deixou a conta passar batida.

“Você não abre a janela de conversa para a gente porque você sabe que a resposta vem, e você já sabe a resposta e foge dela”, afirmou a comunicadora, questionando por que debates sobre pobreza costumam acontecer em ambientes ocupados por empresários, celebridades e gente muito distante da fila do mercado no fim do mês.

Huck já havia tentado se defender dizendo que sua fala foi tirada de contexto, mas a reação de Sára mostra que o incômodo foi mais fundo. O problema não é só uma frase solta. É o retrato de uma elite que adora diagnosticar a pobreza sem sentar na mesma mesa de quem sente a fome, paga aluguel, pega ônibus lotado e ainda escuta sermão de superação de quem nunca precisou do benefício para fechar o mês.

No sofá, uma amiga resumiu melhor do que muito comentarista engravatado: “rico chama sobrevivência de atalho porque nunca precisou atravessar a rua correndo atrás de desconto”. Eu só assenti, terminei meu café frio e pensei que Sára fez o que Huck evitou: colocou pobre dentro da conversa sobre pobreza. E quando isso acontece, o discurso bonito de palco começa a suar mais que apresentador em evento fechado.

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