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Artista de Brasília expõe obras feitas de arame para a Semana de Arte de Paris

Ele explica que as obras fazem parte de uma crítica social ao consumo de recursos naturais da Terra, com base em dados oferecidos pela ONU

Foto: Divulgação

Mayariane Castro
(Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB)

Esculturas feitas de arames, que antes estavam enferrujados, produzidas pelo artista plástico Manu Militão, radicado em Brasília, estão entre as representantes nacionais na Semana de Arte de Paris desde a semana passada. O artista  levou para a França sete esculturas, em formatos de mãos. Ele explica que as obras fazem parte de uma crítica social ao consumo de recursos naturais da Terra, com base em dados oferecidos pela ONU. “Cada um trouxe seu trabalho, mas cada um com um propósito e um foco”.

Confira abaixo a entrevista:

Como foi levar sua exposição para outro país?

Manu Militão: É um trabalho que a gente costuma dizer que o artista não pode parar. A gente tem que tá o tempo todo preocupado em investir, e é investimento mesmo financeiro, é aprendizado, é troca de experiências, e o que está acontecendo aqui é isso. Eu estou com artistas de Paris, dos Estados Unidos, do Brasil, de Israel, e todos aqui estão trocando experiências. É um projeto arrojado, acontecem exposições de arte pela cidade toda, e estamos em uma galeria, numa região onde há mais galerias. Cada um trouxe seu trabalho, mas cada um com um propósito e um foco. No caso do meu trabalho, eu tive que arcar com todas as despesas de pegar as esculturas, colocar em uma bagagem, trazer para cá e expor.

Nesse momento, o que acontece é que produzir arte no Brasil é uma aventura maior do que parece. A gente tem dificuldade para tirar as obras do Brasil, tem dificuldade para voltar com as obras para o Brasil, não há nenhum tipo de incentivo e é uma realidade que eu tô vivendo que talvez artistas de dois séculos atrás viveram. A gente tá revivendo situações muito parecidas. Eu costumo dizer que pessimismo é um luxo que eu não tenho.

Quais as principais diferenças que você vê entre o público brasileiro e o parisiense em relação a sua arte?

Manu Militão: Como eu disse, é uma exposição coletiva, mas o que a gente percebe é que ainda estamos fazendo a parte de curadoria, apenas eu e outra artista, a Susi, trouxemos esculturas. O que a gente percebe do público de Paris é que a vitrine da galeria está aberta, o público passa e muita gente para para ver a montagem, há um interesse cultural das pessoas. A tradição cultural do francês, do parisiense é apreciar obras de arte e no Brasil, talvez a gente ainda tenha algum estranhamento, não é cultural para nós parar e apreciar uma obra de arte. Arte para nós ainda é algo que não faz parte da nossa cultura, talvez a música, talvez a dança, mas a arte como expressão visual ainda é algo que a gente precisa trabalhar muito.

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Explique um pouco como é o processo de montagem das esculturas

Manu Militão: São esculturas feitas em arame. A proposta dos artistas aqui é pensar disruptivamente, e a minha proposta passa muito por um olhar ao meio-ambiente, na ideia de sustentabilidade, então, eu fiz obras a partir de arames e restos de construção civil e assim construí estas mãos. As mãos têm uma medida simbólica, a exposição se chama “As Sete Mãos Transparentes”, e as mãos estão em algumas posições que sugerem ações e atitudes. Para montar essa obra tem os questionamentos “qual é o melhor lugar para pôr as obras?”, “onde ela fica melhor disposta?”, então, neste momento, elas estão em cima de um pallet e ela tem uma disposição que cabe todas as esculturas. São esculturas leves, de mais ou menos 1,5kg cada uma.

Foto: Divulgação

Como está a situação das galerias e exposições, em relação à situação do coronavírus?

Manu: Todos que estamos nesta exposição estamos vacinados, todos com as duas doses das vacinas, passamos por um controle sanitário. Alguns restaurantes em Paris pedem na entrada o cartão de vacina e daí temos que andar com o cartão de vacina, com o selo informando quando fomos vacinados, isso é um rigor. Algumas pessoas aqui na rua andam sem máscara, não é mais obrigatório o uso de máscara nas ruas, mas em todo ambiente fechado ainda é obrigatório. Em ambientes públicos, o número de pessoas é controlado e a diferença básica é que as pessoas são iguais, mas aqui existem regras do Estado. A gente vê uma diferença tremenda do que é uma ação do Estado do que apenas uma ação cultural das pessoas.  

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