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Professor M.

Neuromarketing e a tecnologia de ler pensamentos

O desenvolvimento de uma tecnologia que pode ser capaz de ler pensamentos levará o neuromarketing a um nível mais elevado de interação com os clientes.

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Diversas empresas de alta tecnologia e universidades de vários países estão realizando estudos e desenvolvendo pesquisas para ler os pensamentos das pessoas. O Facebook é um dos grandes players de financiamento de investigações nesse campo, objetivando o neuromarketing.

Em 2017 o Facebook anunciou que estava realizando investimentos no desenvolvimento de uma interface entre o computador e o cérebro humano, que permitisse identificar palavras pensadas pelas pessoas.

É um sonho e objetivo antigo de vários estudiosos, pesquisadores e cientistas a interação direta, por meio da identificação e decodificação das atividades cerebrais humanas, de uma conexão humano-máquina.

Isso já é possível na área da saúde com a robótica para pessoas com deficiência física, com braços e pernas mecânicas integradas que se movimentam pelos estímulos do cérebro enviado aos músculos. Agora a ciência busca ampliar a conexão da neurologia com o marketing – neuromarketing.

Neuromarketing é um campo da ciência que estuda a essência do comportamento do cliente/consumidor, integrando áreas do conhecimento como marketing, antropologia, psicologia, biologia e neurociência, com o objetivo de gerar maior impacto na mente das pessoas (clientes/consumidores).

A neurociência é a área do conhecimento que tem concentrado a maior atenção dos estudiosos, pesquisadores, cientistas e profissionais nas organizações, por gerar conhecimento para as áreas de marketing, publicidade, propaganda, vendas e comunicação nas empresas.

O interesse pelas reações do cérebro humano nos processos de compra expandiu-se na década de 90 do século XX, e o termo neuromarketing foi utilizado pela primeira no início dos anos 2000, e envolve duas abordagens principais: neurociência e neuroeconomia.

Conhecendo esses conceitos se torna mais fácil entender o motivo das organizações se interessarem e financiarem estudos e pesquisas sobre a interação e conexão direta humano-máquina: realizar mais negócios!

Facebook e SpaceX em conexão

Controlar máquinas e equipamentos com nossas mentes já não é mais ficção científica, é uma realidade em alguns centros de pesquisa universitários e organizacionais em locais como os Estados Unidos, Europa, China, Japão e Austrália.

“Imagine um mundo onde todo o conhecimento, diversão e utilidade dos smartphones de hoje forem instantaneamente acessíveis e completamente livre das mãos?”. Essa frase é de um post do Facebook de 2017.

O experimento, iniciado em 2017 “[…] foi capaz de decodificar um pequeno conjunto de palavras e frases completas e faladas da atividade cerebral em tempo real. O algoritmo é até agora apenas capaz de reconhecer um pequeno conjunto de palavras e frases, mas o trabalho em curso visa traduzir vocabulários muito maiores com taxas de erro dramaticamente menores” (Facebook, 2017)

As pesquisas inicialmente buscam resolver problemas de saúde de pessoas com lesão cerebral grave como as do tronco encefálico, lesão medular, epilepsia, doença neurodegenerativa, entre outas, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida.

São experimentos com braços mecânicos e próteses robóticas com pessoas com distúrbios neurológicos e pessoas que sofrem de paralisia e outras formas de comprometimento da fala.

Na pesquisa em San Francisco (USA) da Universidade da Califórnia, financiada pelo Facebook, implantaram eletrodos na superfície do cérebro de pacientes com problemas de fala e conseguiram taxa de precisão das respostas em torno de 61%, segundo dados revelados agora em 2019.

“[…] os pesquisadores esperam alcançar uma velocidade de decodificação em tempo real de 100 palavras por minuto com um vocabulário de 1.000 palavras e taxa de erro de palavras de menos de 17%” (Facebook, 2019).

Essa tecnologia é denominada de Brain-computer interface (BCI), em português, interface cérebro-computador, e o objetivo maior é conseguir construir equipamentos que colete as informações do cérebro de forma não invasiva.

Os últimos experimentos estão utilizando infravermelho para medir as atividades cerebrais pela variação da oxigenação em partes do cérebro. Mas outras tecnologias estão sendo testadas para esse fim, na intensão de construírem capacetes, óculos e headset wearable, por exemplo.

Em um futuro não muito distante poderemos jogar jogos digitais em uma conexão direta cerebral humano-máquina. Jogos que vão integrar interface cérebro-computador, realidade virtual e realidade aumentada – brain-computer interface, augmented reality e virtual reality (BCI + AR +VR).

É louvável o investimento de organizações e empresas em ajudar pessoas com deficiência mas, não podemos ignorar a perspectiva de negócios dessa nova tecnologia, que também é válida, faz parte da inovação e competitividade. A SpaceX, de Elon Musk, também está investindo nessa tecnologia, tanto quanto Mark Zuckerberg, do Facebook.

Neuroética no ambiente

Grandes empresas de tecnologia estão tentando ler os pensamentos das pessoas, e será que estamos prontos para as consequências dessa inovação?

Imaginemos a evolução exponencial que as áreas de marketing, publicidade, propaganda, vendas e comunicação nas empresas e organização. O quanto poderão coletar de informações e influenciar nossas decisões de compra, opiniões sobre produtos, serviços e empresas e nossas reações, atitudes e comportamentos.

Um leitor de informações do cérebro é uma maneira conveniente de controlar máquinas e equipamentos, mas é também uma maneira bastante direta de coletar informações de como as pessoas estão reagindo às ações de marketing, publicidade, propaganda, vendas e comunicação.

A tecnologia BCI pode ser a inovação que romperá a última fronteira da privacidade das pessoas, o último lugar seguro para a liberdade de pensamento: o cérebro.

Nos artigos ‘Privacidade deve ser o maior desejo do futuro’ e ‘Era 3EX chegou rápido’ falamos sobre questões de privacidade e segurança das informações das pessoas, como as organizações e empresas estão lidando com isso e o avanço exponencial da diminuição de privacidade.

Assim, a Neuroética, uma nova vertente do conhecimento humano, se apresenta como protagonista na defesa e proteção de prováveis malefícios dessa nova tecnologia. A neuroética é um novo campo de pesquisa que trata de questões comuns à neurociência, filosofia e ética.

“Inclui o estudo das implicações das novas descobertas sobre o funcionamento do cérebro humano e a possibilidade de existirem bases neurais determinantes do comportamento ético” (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Filosofia da Mente, 2013).

No contexto da BCI, extrapolaremos o imaginária atual de limites da privacidade e da segurança de informações pessoais. As empresas tentarão ler os pensamentos das pessoas, e será que estamos preparados para as consequências dessa inovação?

O tema está posto e o debate se coloca à disposição! O que você pensa sobre isso? Podemos ler seus pensamentos?

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Prof. Manfrim, L. R.

Compulsivo em Administração (Bacharel). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Empreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Projetos, Pessoas e Educacional, Marketing, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação e Empreendedorismo.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil e UDF/Cruzeiro do Sul. Já cruzou os oceanos do IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco (NCNB) e Cia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Freelance em atividades com a Microlins SP, Sebrae DF e GDF – Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias e avaliação de pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

Currículo Lattes – Prof. Manfrim

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