Neymar foi convocado por Carlo Ancelotti para disputar a Copa do Mundo de 2026 pela Seleção Brasileira, encerrando o mistério que tomou conta do país nas últimas horas. Eu estava no café com minha fonte de TV, já com a segunda xícara na mesa e aquela sensação de que a tarde ainda ia aprontar, quando o celular começou a vibrar daquele jeito que só acontece em duas ocasiões: separação de famoso ou convocação da Seleção. Olhei a tela e estava lá: o menino Ney está na lista. Minha filha, o Brasil pode até fingir que queria discutir tática, mas a pergunta real sempre foi uma só: Neymar vai ou não vai?
Vai.
O anúncio oficial foi feito nesta segunda-feira (18), durante a cerimônia da CBF para a divulgação dos 26 convocados que disputarão o Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá. A lista marca a primeira Copa de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira e confirma o retorno de Neymar ao torneio mais importante do futebol.

O clima de confirmação já vinha sendo construído ao longo do dia. Mais cedo, foi noticiado que a CBF havia pedido ao staff do jogador as medidas para a produção da “roupa dos convocados”, traje oficial que será usado pela delegação na viagem aos Estados Unidos. No idioma do futebol, isso era praticamente um grito vindo do cabide.
Depois, veio a informação de bastidor de que Ancelotti já teria comunicado Neymar sobre a decisão antes do anúncio público. A partir daí, meu amor, a convocação deixou de ser dúvida e virou espera com hora marcada.

Neymar chega à Copa como um dos nomes mais midiáticos da Seleção. O camisa 10 voltou ao futebol brasileiro pelo Santos e passou os últimos meses tentando provar condição física para convencer Ancelotti. Em entrevista recente, disse que fez o máximo para estar pronto e que, caso não fosse chamado, torceria pelo Brasil como qualquer torcedor.
Mas foi chamado.
A volta do atacante também tem peso simbólico. Neymar não é apenas mais um nome da lista. É o jogador brasileiro mais reconhecível da geração, o personagem que divide opiniões, move audiência, vende camisa, irrita críticos e ainda carrega a aura de quem pode decidir um jogo em um lance.
Ancelotti, claro, não levou Neymar por nostalgia. A decisão passa por condição física, leitura técnica e pela ideia de ter no elenco um jogador capaz de mudar uma partida. Mesmo longe do auge absoluto, Neymar segue sendo Neymar. E isso, para o bem ou para o caos, nunca é pouco.
A Seleção se apresenta na Granja Comary, em Teresópolis, no próximo dia 27, para iniciar a preparação. Antes da estreia na Copa, o Brasil ainda fará amistosos contra Panamá, no Maracanã, e Egito, em Cleveland. A estreia no Mundial está marcada para 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey.
No café, minha fonte de TV nem tentou competir com a notícia. Ela só encostou a xícara no pires e disse: “agora começa a Copa”. E começa mesmo. Porque convocação com Neymar muda o humor do país, muda a mesa dos comentaristas, muda o roteiro das redes e muda até a ansiedade de quem jurava que não ligava.