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Analice Nicolau
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Ciência explica as mudanças estruturais do corpo feminino na menopausa

Colunista Analice Nicolau

18/05/2026 11h34

Dra. Isabel Martinez, especialista em menopausa

Dra. Isabel Martinez detalha transformações metabólicas além dos hormônios e a real importância de tratamentos integrativos na maturidade


A transição para a menopausa envolve modificações biológicas que alteram a composição corporal e a percepção da mulher sobre si mesma. Em consultório, relatos clínicos indicam que, mesmo mantendo hábitos saudáveis, o organismo responde de forma diferente, resultando em acúmulo de gordura e perda de firmeza cutânea. Diante do sentimento de estranhamento das pacientes com a própria imagem, a Dra. Isabel Martinez esclarece que os sintomas são reais e mensuráveis: “Não é impressão. A ciência confirma”.

Evidências científicas de longo prazo, como o estudo Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN), apontam um ganho de peso contínuo durante o climatério. Contudo, a médica ressalta que o fator crítico é o rearranjo da gordura corporal e a perda de massa magra. “Com a queda do estrogênio, o organismo passa a acumular mais gordura na região abdominal, especialmente gordura visceral, aquela que fica em torno dos órgãos e se associa a maior risco cardiometabólico. Ao mesmo tempo, há redução progressiva de massa muscular e queda do gasto energético”, explica a especialista.

Esse rearranjo estético reflete uma reorganização metabólica severa, na qual o formato corporal se transforma devido à perda concomitante de músculos e ganho de gordura. A perda de contorno na cintura e a projeção abdominal geram queixas profundas sobre a perda da firmeza corporal habitual. A Dra. Isabel Martinez enfatiza a urgência de encarar a mudança clinicamente: “É uma transformação metabólica do corpo feminino. E precisa ser tratada como tal. Isso muda completamente o formato corporal. A cintura fica menos marcada, a barriga mais projetada, o corpo menos firme”.

Dra. Isabel Martinez, especialista em menopausa

A região dos glúteos figura entre as principais insatisfações relatadas, sofrendo impactos na sustentação e no volume devido à migração lipídica para o abdômen. “A perda hormonal favorece redução de massa muscular, piora da qualidade da pele e redistribuição da gordura que antes se concentrava em quadris e glúteos para a região abdominal. O resultado é perda de sustentação, diminuição de volume, flacidez e alteração do contorno corporal”, afirma a médica. Contudo, ela pondera: “Nada disso significa ‘fim da feminilidade’ ou ‘deterioração inevitável’. Significa que o corpo entrou em uma nova fase. E precisa ser tratado de maneira diferente”.

Dra. Isabel Martinez, especialista em menopausa

O plano terapêutico moderno afasta-se de soluções superficiais focadas em emagrecimento rápido e adota um protocolo integrativo de saúde. A estratégia clínica engloba a avaliação do sono, inflamação celular, resistência insulínica e saúde óssea. Conforme define Isabel Martinez, “Não basta falar em emagrecimento. Precisamos falar de músculo, metabolismo, sono, hormônio, inflamação, resistência à insulina, qualidade de pele, saúde óssea e bem-estar emocional”. O treinamento de força torna-se indispensável nesse processo: “O treino de força preserva músculo, protege o osso, melhora o metabolismo e tem impacto direto na longevidade. Alimentação adequada, proteína suficiente, sono reparador e manejo do estresse fazem parte do mesmo tratamento”.

Dra. Isabel Martinez, especialista em menopausa

A reposição hormonal individualizada surge como alternativa para atenuação de sintomas, combinada ao uso de tecnologias médicas corporais chanceladas por sociedades internacionais de laser. Esses recursos associam radiofrequência e bioestimulação, mas devem ser encarados apenas como ferramentas adjacentes à rotina de cuidados de longo prazo. A especialista adverte sobre a ausência de atalhos na medicina: “Mas é preciso deixar claro: não existe tecnologia milagrosa. Esses recursos podem auxiliar dentro de um tratamento global. Não substituem exercício, alimentação e acompanhamento médico”.

O amadurecimento biológico propicia uma reconfiguração na atenção e no autocuidado que as mulheres dedicam à própria saúde de forma integral. A transição hormonal deixa de ser encarada como perda de vitalidade e passa a ser vista como oportunidade de valorização da ciência aplicada ao bem-estar. A Dra. Isabel Martinez encerra a análise propondo um olhar acolhedor e estratégico sobre o envelhecimento: “O corpo muda, sim. Isso não é perder potência, beleza ou vitalidade. É aprender uma nova forma de cuidar de si, com ciência, sem mito. Menopausa não é o fim do corpo feminino. É o começo de uma nova conversa com ele”.

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