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Concursando Direito

A etapa de títulos vai fazer diferença na minha aprovação

Nesse texto explico alguns pontos de vista sobre o valor da etapa de títulos e se vale a pena mudar a sua rotina de estudos para se dedicar a criar pontos para essa etapa.

Por Werner Rech 02/08/2021 12h47
Etapa de títulos

Eu tenho que te contar uma verdade. Se você quer ser aprovado em concursos jurídicos das carreiras de membros, a etapa de títulos está no seu caminho. Você nem passou numa etapa objetiva, mas já está pensando lá na frente: Será que a etapa de títulos vai fazer diferença na minha aprovação?

Para que serve a etapa de títulos?

Começo te dizendo que a etapa de títulos não vai te reprovar. Do contrário seria um requisito para a posse, como é a prática jurídica, ou, ser bacharel em direito. Logo, essa parte da sua aprovação tem o nome de classificatória, pois somente altera a sua classificação.

Permanecer vivo!

Também não pode fugir da sua vista que a avaliação dos seus títulos somente será realizada se você for aprovado nas etapas anteriores, pois em regra está entre as últimas etapas. Isso se aplica a você e todos os outros candidatos. Logo, muitas pessoas carregadas de títulos não terão esses títulos avaliados, pois reprovaram nas etapas anteriores.

Talvez você deve então se preocupar com o que vem primeiro. Meu senso de urgência diz que eu devo me preocupar em estar vivo primeiro, para depois pensar no resto. Nos concursos eu acredito que a ideia seja a mesma.

Dividir para conquistar?

Eu até entendo quem vai fazer aquela pós-graduação mandraque, só para cumprir tabela. Mesmo assim, alguma energia terá que ser aplicada na sua vida acadêmica. A pergunta que devo fazer aqui é: será que esse tempo não seria melhor aplicado estudando mais para ser provado nas etapas objetivas, discursivas e orais? A minha resposta é no sentido de não valer o esforço da pós-graduação, se o seu foco é apenas pontuar na etapa de títulos.

Outra divisão bem complicada é a de grana. Eu não tinha muito dinheiro enquanto estudava. Se essa é a mesma situação sua, já deve ter notado que uma pós-graduação dificilmente é gratuita. Muitas vezes você já é concursado e pode estar pensando em ter uma bolsa paga pelo seu órgão empregador, mas leia bem as letras miudinhas. Em regra, existe uma cláusula de vinculação com o órgão. Isso pode te obrigar a pagar integralmente pela pós-graduação caso peça exoneração antes de um determinado tempo.

Eu falei isso por ter feito 3 pós-graduações enquanto me preparava, dentre estas uma foi financiada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios – TJDFT. Você pode dizer que estou sendo hipócrita ou que não estou passando uma mensagem verdadeira. Na verdade, deu certo para mim, mas notei que isso dividia a minha atenção e não gerou um resultado tão bom na etapa de títulos. Queria que alguém tivesse me dito isso a época. Talvez eu não desse ouvidos, como você também talvez não dê.

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Está sobrando tempo?

Além disso, cursar uma pós-graduação de 360 horas (normalmente é mínimo aceito como título) leva muito mais horas do que isso. Nem preciso te lembrar que essas horas são apenas a carga de aulas. Em regra, você ainda terá que fazer algumas leituras, escrever alguns textos e prestar provas. Sem esquecer que tudo isso é feito numa “vibe” diferente dos concursos públicos.

Você pode estar nesse momento querendo negar o meu conselho, pensando que conhecimento é conhecimento, seja numa pós-graduação, seja nos estudos para concursos. Porém eu posso te garantir que as discussões acadêmicas são sobre questões vanguardistas. O ineditismo é algo muito almejado na academia. Já nos concursos o pragmatismo é a essência, principalmente na etapa objetiva.

O examinador não quer saber se você é um grande desenvolvedor de ideias. O objetivo nos concursos é avaliar se você tem conhecimento das matérias para aplica-las no dia-a-dia. Para demonstrar isso você precisa de muita repetição nos estudos e capacidade de interpretação. Essa dicotomia notável na força motriz dos concursos e da academia é algo inconciliável, na minha opinião.

A equação da aprovação!

Como se não bastasse tudo que eu já falei até aqui, existe uma desproporção gigantesca na pontuação das outras etapas e da etapa de títulos. Mesmo que você pense em errar como eu e cursar uma pós-graduação enquanto estuda para concursos, o esforço não vale a pena diante da recompensa.

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Nas etapas de títulos uma pós-graduação vale perto de um ponto. Mestrado e doutorado valem mais, evidentemente, mas também tomam ainda mais tempo e energia. Será que com mais 360 horas líquidas de estudo você não conseguiria acertar mais duas questões na prova objetiva ou uma na discursiva?

Nos meus cálculos essa conta não fecha. Contudo, digo isso apenas do ponto de vista objetivo e somente se você está pensando exclusivamente na sua pontuação. O ambiente acadêmico tem diversos outros benefícios. O que quero dizer é que os outros benefícios podem ser usufruídos depois que você já estiver no seu tão sonhando cargo, muitas vezes com direito a licença.

Tudo isso para te dizer que os títulos não devem ser uma preocupação, mas você não pode deixar de apresentar se tiver algum. O que não pode acontecer, na minha opinião, é uma alteração dos rumos dos teus estudos para conseguir angariar pontos numa fase que nem mesmo vai te eliminar da disputa.

Se o seu objetivo é ser Defensor Público, fique ligado no Canal Defensolândia!

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Levando em conta ou não o que você leu por aqui, já está na hora de voltar aos estudos e assombrar o examinador!

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