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O que é inteligência emocional, afinal?

A inteligência emocional é o processamento cognitivo das informações que vêm carregadas de emoções. A coluna de hoje traduz isso a você, leitor

Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Recentemente, fui procurado por uma grande empresa de Brasília para conversarmos a respeito de seus processos de contratação de funcionários. E como sempre, ouvi a famosa frase: “Contrata-se pela técnica, demite-se pelo comportamento”. Hoje em dia, porém, é preciso ter inteligência emocional.

Primeiro: contratou errado? A pessoa responsável pela contratação errou. Simples assim.

Mas, e com relação à inteligência emocional, o que é isso?

Inteligência emocional é um campo de estudo recente na ciência da psicologia, ao mesmo tempo em que tem sido um dos aspectos mais debatidos e publicados nos últimos anos, em especial pelo autor do best-seller “Inteligência Emocional”, Daniel Goleman, que tornou famoso o conceito que intitula seu livro. Entretanto, a primeira definição acadêmica do tema foi proposta por Salovey e Maye, em 1990, após extensa revisão de literatura sobre inteligência e emoção.

O problema é que, depois do best-seller de Goleman, qualquer traço não cognitivo era — e ainda é — interpretado por muitas pessoas, inclusive psicólogos, como sendo inteligência emocional. Obviamente, aquilo que até então era apenas uma teoria, tornou-se verdade absoluta para o mercado e, com ela, as promessas de sucesso e lucro surgiram de todas as formas e em todos os cantos do mundo.

Ter inteligência emocional se tornou o fetiche de empresas e instituições escolares. Treinamentos foram e continuam sendo criados e frequentados por milhares de pessoas. Escolas abriram espaço em seus currículos para esta disciplina, que promete dar a seu filho uma melhor inteligência emocional e, assim, ser bem-sucedido na vida e nos negócios.

Por isso, é importante destacar que a inteligência emocional é o processamento cognitivo das informações que vêm carregadas de emoções. Essas informações, ao entrarem em nosso sistema de cognição, são automaticamente percebidas como estados emocionais. E é aqui que desenvolvemos a inteligência emocional: quando passamos a utilizar da emoção para facilitar o pensamento de forma adaptativa ao momento e/ou situação.

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Resumidamente, quando desenvolvemos a inteligência emocional, geramos emoção para facilitar nosso pensamento e adaptarmos ele a esta emoção.

Parece complicado, não é mesmo? Mas vamos lá:

Todos temos a capacidade de gerar, sentir, manipular e examinar os sentimentos em nós mesmos, de modo a auxiliarmo-nos a tomar uma decisão. Esta decisão, por sua vez, é nossa capacidade/habilidade em definir as tarefas a serem realizadas, levando-se em consideração o próprio estado emocional. Assim, conseguimos aproveitar nossas alterações de humor para motivar diferentes perspectivas cognitivas e dirigir a alteração aos aspectos ambientais relacionados com o sentimento em curso.

Isto é, a sucessão de experiências emocionais gera um conjunto de conhecimentos que auxiliam na compreensão das emoções futuras, diante das mais diversas condições.

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Este conjunto de conhecimentos nos leva ao real entendimento de nosso estado emocional, nos permitindo compreender, inclusive, as mais diversas transições emocionais, como quando, por exemplo, passamos do estado de vergonha para o estado de raiva em uma situação constrangedora, mas sem deixar que o sentimento de raiva assuma as rédeas do jogo, afinal, dependendo da situação, isso pode ser prejudicial.

Aprender a interpretar o que se sente é saber nomear as emoções e estabelecer relação de proximidade, diferença e intensidade de cada uma delas. Assim, o indivíduo passa a ser capaz de ponderar emoção e situação, bem como compreender qual reação deve se sobressair naquele momento.

Seguindo estes passos, temos o que alguns autores como Caruso, Salovey, Brakett e Mayer (este último, no livro “The Ability Model Emotional Intelligence”) entendem como regulação da emoção o momento em que exercemos a capacidade de gerenciar as emoções agradáveis ou desagradáveis, compreendendo-as, sem exagero ou diminuição de sua importância, assim como controlá-las ou descarregá-las de forma apropriada, de acordo com o ambiente, cenário e/ou contexto.

Até a próxima!

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