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Professor M.

Trabalho do Futuro e o Detetive Ciborgue

Ficção científica, imaginário infantil e pesquisas inspiraram o exercício de um trabalho do futuro: detetive ciborgue.

Por Prof. Manfrim 08/11/2020 4h42
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O futuro do trabalho está inserido na agenda de conversas e reflexão de muita gente, como exercício do trabalho do futuro. Resolvi então colaborar com o tema, inspirado na ficção científica, no imaginário infantil e em pesquisas, com um alusivo “detetive ciborgue”.

Isso mesmo, um exercício de imaginação e criatividade para o despertar de reflexões e meditações, insights e ideias e, quem sabe, o despertar de alguma inovação no horizonte. Aspectos refletidos no artigo ‘Criatividade, a habilidade que liberta a Inovação’.

Como as histórias infantis clássicas, tudo começa com: “Era uma vez…” um passeio na praça do bairro em um final de tarde com os filhos, quando o Rafa de 11 anos me faz duas perguntas: Pai, o que eu preciso fazer para me tornar um detetive? O que eu preciso aprender?

Nesse instante, vem o instinto adulto e me faz pensar em realizar um conjunto de questionamentos sobre a origem das duas perguntas. Então, eu respiro fundo e inicio um diálogo com uma simples resposta: Depende!

Pois bem, o “depende” veio acompanhado da colocação de duas perspectivas a ele: detetive virtual ou detetive analógico?

Logo, ele começou a expor a origem de sua curiosidade e acabamos visualizando a perspectiva de dois mundos paralelos, o físico e o digital, e que na verdade são conexos, que existe uma interseção e até simbiose entre eles, o que influenciaria sua escolha de atividade profissional no futuro.

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De fato, aquela conversa me fez refletir sobre o futuro do trabalho e, por consequência, no trabalho do futuro, nas atividades que a geração dele desempenhará daqui a 10 ou 20 anos, sendo ele um nativo digital.

Então, começamos a utilizar o pensamento lúdico para um exercício de visão de futuro, com um personagem que ele curte dos desenhos animados da séria Jovens Titãs, o Ciborgue, um ser humano dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia.

Assim, nasceu a ideia do Detetive Ciborgue! Uma imagem ilustrativa para guiar nossos pensamentos de um exercício de atividade profissional do futuro, e tentar buscar respostas para a pergunta: O que eu preciso aprender para o (no) futuro?

O futuro do trabalho e o trabalho do futuro

De acordo com pesquisas e estudos do Fórum Econômico Mundial, em torno de 65% das crianças que estão no ensino fundamental atualmente trabalharão em profissões que ainda não existem, ou seja, que ainda não foram criadas, que ainda surgirão.

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Relatórios como o do Center for the Future of Work, estabelecido pela Cognizant Technology Solutions, e pesquisas como o do Programa de Estudos do Futuro (Profuturo), da Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo (USP), nos dão algumas pistas das possíveis atividades que irão surgir:

  1. Detetive de dados;
  2. Analista de cybercidade;
  3. Facilitador de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC);
  4. Gestor de ética socioambiental;
  5. Gestor de negócios de inteligência artificial;
  6. Gestor de edge computing (computação na “borda” da nuvem – cloud computing);
  7. Gestor de portfólio de produtos biotecnológicos;
  8. Gestor de equipes humanos-máquinas;
  9. Gestor de diversidade genética;
  10. Gestor de sucesso do usuário (experiência do cliente);
  11. Gestor de Comunidade Virtual (empresa/mercado/cliente);
  12. Gestor de Resíduos e Meio Ambiente Smart;
  13. Gestor de adaptabilidade e saber empresarial;
  14. Especialista em energias renováveis ou energias alternativas;
  15. Engenheiro biotecnologista;
  16. Engenheiro Hospitalar (Gestor da saúde);
  17. Analista de aprendizado de máquinas quânticas;
  18. Construtor de jornadas de realidade aumentada e virtual;
  19. Controlador de estradas inteligentes (terrestres e aéreas);
  20. Arquiteto e Engenheiro 3D/4D;
  21. Desenvolvedor de dispositivos wearables (vestíveis);
  22. Relações Públicas no mercado financeiro de criptomoedas;
  23. Curador de mídias sociais e tráfego pago;
  24. “Prestador” de atenção às pessoas (virtualmente/presencialmente) – Walker Talker;
  25. Conselheiro de bem-estar e saúde;
  26. Auxiliar de saúde assistida por inteligência artificial;
  27. Conselheiro financeiro de bens virtuais;
  28. Guia de loja virtual;
  29. Alfaiate (stylist) digital;
  30. Corretor de dados pessoais;
  31. Curador de memórias pessoais;
  32. Curador de conhecimentos;
  33. Psicólogos especialistas em inteligência social.

Como podemos notar, existe uma expectativa de surgimento de novas profissões relacionadas à união do mundo físico e digital (phygital), bem como a relação do homem-máquina e à própria convivência com o meio ambiente.

Esse é um cenário estabelecido com os olhares sob as tecnologias da informação e comunicação que conseguimos vislumbrar hoje, e que se altera a todo momento, surgindo novas inovações e aplicações no dia a dia de organizações, empresas, governos, sociedade e cidadãos.

Skills (CHA) do trabalho do futuro

Muito se fala hoje sobre Soft skills e Hard Skills, assunto que tratamos no artigo ‘Phygital Skills: o futuro do trabalho’, de profissionais que saibam lidar com a convergência dos universos físico e digital nos negócios.

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Conversamos sobre as habilidades relacionadas à capacidade dos funcionários executarem tarefas profissionais no mundo físico e digital, como também a resolução de problemas, aproveitamento de oportunidades e tomada de decisões nos negócios Phygital.

Portanto, em uma abordagem mais tradicional, podemos tratar como Conhecimentos, Habilidade e Atitudes (CHA) necessários à execução de uma atividade profissional.

Nesse sentido, vamos retomar a ideia do Detetive Ciborgue como exercício do CHA para um trabalho do futuro, um exercício analítico e propositivo dessa atividade profissional.

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Imaginemos que existem os CHAs atuais dos detetives tradicionais (analógicos) e dos detetives virtuais (digitais), que certamente ainda serão úteis em um contexto futuro dessa atividade.

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Lembremos que o ambiente futuro de trabalho desse profissional será em uma sociedade habitada por seres humanos naturais, por ciborgues, por androides (robôs com aparência humana) e uma infinidade de máquinas e equipamentos movidos a inteligência artificial e computação quântica.

Portanto, o CHA dessas “novas” pessoas se alterará substancialmente, influenciado e influenciando esse novo universo de união de seres humanos e máquinas, com competências inexistentes hoje.

Assim, podemos criar uma equação matemático-humana dos CHAs que determinarão as competências de diversos profissionais no futuro, do trabalho do futuro, do futuro do trabalho:

CHA Trabalho Futuro = CHA analógico + CHA digital + CHA humanos naturais + CHA ciborgues + CHA social (phygital + IA).

Um CHA mutável no Mundo VUCA, acrônimo das palavras inglesas Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity (em português: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), em uma sociedade com alta velocidade de mudanças nos diversos aspectos do mundo em que vivemos (como a ciência, tecnologia e negócios) com evoluções e transformações exponenciais (Wikipedia).

Resumindo, constantemente teremos “gênesis”, do grego Γένεσις, “origem”, “nascimento”, “criação” e “princípio” de competências que ainda não existem, ou seja, que ainda não foram criadas, que ainda surgirão.

E, encerramos o diálogo no passei na praça assim:

– E agora Rafa? O que precisa aprender?

– Depende Papai!!!

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Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Pessoas, Gestão Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor do Livro “Educação Empreendedora no Distrito Federal”. Colaborador no Livro “O futuro é das CHICS: como construir agora as Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis”.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

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