Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Professor M.

Jornada e experiência do cliente híbrido

A fronteira da jornada e experiência do cliente será alterada drasticamente com as novas tecnologias humano-máquina híbridos.

Por Prof. Manfrim 12/10/2020 10h10

 

Acredite, não é ficção científica! Novas tecnologias transformarão os seres humanos em híbridos humano-máquina, onde a fronteira da jornada e experiência do cliente será alterada drasticamente e a relação entre empresas e consumidores reescrita radicalmente.

Diversos avanços científicos na área da saúde relacionadas a Tecnologias Assistivas direcionados para pessoas com deficiência – PCD (convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU de 2006 e Lei Brasileira de Inclusão de 2015) certamente serão estendidos para pessoas sem deficiência, o que potencializará funções motoras e cognitivas dos seres humanos.

Segundo o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT), instituído pela Portaria n° 142, de 16/11/2006, Tecnologia Assistiva “[…] é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social”.

Resumidamente, trata-se de bens e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades humanas, nesse caso específico, e originalmente, para pessoas com deficiência (PCD).

Entretanto, essas tecnologias poderão facilmente ser adaptadas, moldadas, modificadas, instrumentalizadas e direcionas para qualquer ser humano, com o objetivo de potencializar funções cognitivas e (ou) motoras, como exemplo fisiologia, psicomotricidade, ludicidade, neuroplasticidade, neuroengenheira, biorobótica e biomecatrônica.

Logo, com a potencialização cognitiva-motora das pessoas, a relação delas como clientes e consumidores de organizações e empresas trará uma nova realidade para os negócios, uma nova perspectiva de jornada, interação e experiência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O híbrido humano-máquina: Ciborgue (Cyborg)

De acordo com artigo na Wikipédia, “[…] ciborgue é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. É o hibridismo entre o ser humano e a máquina, a incorporação das tecnologias em seus modos de existência”.

O termo foi criado por Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline em 1960 para se referir a um ser humano melhorado que poderia sobreviver no espaço sideral [1], na época em que a exploração espacial ganhava força, forma e competição entre as nações.

Atualmente, os humanos ciborgues são considerados aqueles que se aproveitaram dos avanços da robótica para melhorar certas condições limitadoras, como a perda de um braço, uma perna, ou outro órgão do corpo [2].

As obras de ficção científica literária e cinematográfica transportam esse conceito para as páginas dos livros e telas de TV/cinema de forma magistral o estereótipo desse híbrido humano-máquina, como podemos lembrar de personagens em Star Treck, Star Wars, Exterminador do Futuro, Dragon Ball, Mortal Kombat, Metal Gear, Os Jovens Titãs, Frankenstein, RoboCop, entre outros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vejamos algumas tecnologias atuais e emergentes que poderiam extrapolar funções humanas normais ou inserir novas funções motoras-cognitivas:

– Uma equipe de pesquisadores da Universidade Monash, em Melbourne, Austrália, construiu um dispositivo biônico que eles dizem poder restaurar a visão aos cegos através de um implante cerebral;

– A Neuralink, empresa de Elon Musk, o CEO da SpaceX e da Tesla, pretende realizar em pouco tempo implante de dispositivo capaz de criar uma interface entre cérebros humanos e computadores, para auxiliar a reabilitação motora de pessoas, aplicação de próteses e alzheimer, por exemplo;

– A empresa brasileira Cycor, da fundadora Michele de Souza, que busca a integração entre seres vivos e máquinas, tornando possível a criação de equipamentos capazes de obedecer a comandos do cérebro para controle de máquinas e sistemas (reabilitação física, remodulação cerebral, reatomização celular, etc.);

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

–   Uma equipe da Universidade RMIT, em Melbourne, Austrália, criaram uma pele artificial que é capaz de reagir à dor como a pele humana real, que pode permitir melhores alternativas aos enxertos de pele e até mesmo “aumentar ou compensar a pele humana para o desenvolvimento de humanoides realistas”;

– Um grupo de estudos da Escola de Ciências de Saúde e Reabilitação da Universidade de Pittsburgh, Estados Unidos,  demonstraram que estimulação cerebral por meio de um tipo de fone de ouvido tem sido usado para tratar epilepsia no passado e agora é objeto de outros estudos que investigam se poderia ajudar a tratar a depressão ou mesmo doenças inflamatórias.

– Cientistas da Universidade Irvine da Califórnia mostraram em um estudo que é possível desenvolver células humanas com propriedades ópticas responsivas a estímulos inspiradas em leucophores e cephalopods, as mesmas utilizadas por polvos e lulas para se camuflarem ao ambiente, com aplicação em doenças de pele e regeneração celular

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

– Em San Francisco (USA), na Universidade da Califórnia, em pesquisa financiada pelo Facebook, implantaram eletrodos na superfície do cérebro de pacientes com problemas de fala e conseguiram taxa de precisão das respostas em torno de 61%. Veja mais no artigo “Neuromarketing e a tecnologia de ler pensamentos”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cyborg Client – Cyborg Consumer

Diante dos resultados dos estudos e das perspectivas de uso dessas descobertas nos mais diversos campos do conhecimento humano, para além da área médica, e excetuando a polêmica da área militar, a área de negócios certamente será impactada.

Vamos realizar alguns exercícios dessa interação e interface humano-máquina? A possibilidade de nos transformamos em Cyborg Client/Consumer, Clientes e Consumidores Ciborgues?

Que tal Implantes cerebrais que potencializam a visão e nos conectam a máquinas, equipamentos e computadores?

Quando indagado sobre a possibilidade de pessoas serem conectadas aos carros da Tesla como resultado das pesquisas da Neuralink, de implante de dispositivos cerebrais, Elon Musk foi curto e direto: “Claro!”. Nós serremos os automóveis; os automóveis serão nós.

Especula-se sobre a possibilidade de que essa tecnologia de conexão do cérebro com equipamentos tecnológicos seja capaz, e eventualmente permitir, que os usuários salvem e reproduzam nossas memórias.

No setor de games a experiência será surreal, quando acoplada à realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA). Será difícil distinguir o que é natural e analógico como conhecemos hoje, do que é virtual e digital. Ter, e ser um Avatar, será naturalmente normal.

Vale a pena reler o artigo “Internet das Coisas e Internet de Tudo em nossas vidas” e rever as possibilidades de interconexão humano-máquina na narrativa de cuidados com o peso e saúde corporal no futuro.

A jornada com produtos e serviços extrapolará as fronteiras que conhecemos hoje, com a possibilidade de experimentarmos cheiros, sabores e sensações físicas e psíquicas digitalmente, com praticamente a mesma sensação imersiva dos ambientes do século XX, e atuais do início do século XXI.

A experiência phygital será plena, habitual e corriqueira, com real interconexão, intercessão, interposição, anexação, conjugação, confluência, similitude, fusão, junção, associação, fundição e convergência. Colocando a inteligência artificial como tempero nesse universo, fica quase inimaginável esse cenário de experimentação.

Definitivamente, a jornada e experiência do cliente com produtos e serviços terá a possibilidade e a capacidade de ser singular, exclusiva, distinta, individualizada, ímpar, única e particular, materializando o sonho atual dos profissionais de vendas e marketing, de inovadores e empreendedores.

Hoje, dia das crianças, vale a pena soltar a imaginação e viajar para cenários futuros lúdicos, nos projetando como consumidores e clientes híbridos!

Você está convidado a ser um Cyborg Client – Cyborg Consumer!

———————————————————————————————————————–

[1] HARAWAY, Donna J. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista
no final do século XX. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

[2] https://www.significados.com.br/cyborg.

67▲————————————————————————————————————–

Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Pessoas, Gestão Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor do Livro “Educação Empreendedora no Distrito Federal”. Colaborador no Livro “O futuro é das CHICS: como construir agora as Cidades Humanas, Inteligentes, Criativas e Sustentáveis”.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

_____________________________________________________________________________








Você pode gostar