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Professor M.

Altruísmo, uma competência para Inovadores e Empreendedores

O altruísmo é uma competência necessária para inovadores e empreendedores e tem emergido no meio organizacional e corporativo.

Por Prof. Manfrim 23/08/2020 9h09

 

Cada dia mais presente em nosso dia a dia nas relações pessoais, familiares e profissionais, o espírito de solidariedade, o desejo de bem-estar dos pares, o amor ao próximo e a filantropia, são sentimentos relacionados ao altruísmo, que se aplicam também ao perfil inovador e empreendedor dentro e fora das organizações.

Altruísmo, segundo o dicionário online de Português, está relacionado à ausência de egoísmo; abnegação; atitude que visa o bem-estar do próximo, não ter interesses particulares; dedicação desinteressada; ato de amar ao próximo sem esperar nada em troca; dedicação demonstrada de maneira desinteressada.

Ou seja, agir de forma altruísta, é dar-se ou beneficiar alguém, é criar laços colaborativos, ser útil. Altruísmo tem origem na palavra francesa ‘altruisme’, que indica uma atitude de amor ao próximo ou ausência de egoísmo.

“O pensador Auguste Comte, ainda no século 19, criou a palavra como uma espécie de antônimo do egoísmo e do individualismo, para definir pessoas que valorizavam o próximo e que guiavam as suas ações sempre em prol dos outros, privilegiando a coletividade” (SBCoaching).

Podemos conectar esses aspectos às características e comportamentos desejáveis em inovadores, empreendedores e intraempreendedores no ambiente organizacional e empresarial. Ações e atitudes que busquem a colaboração e cooperação, operar conjuntamente, contribuir e auxiliar pessoas na organização, stakeholders e clientes; o espírito coletivo, a coletividade.

Não seria esse o contexto pregado a tempos como uma das competências positivas e desejáveis das pessoas dentro das organizações?

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Não seria essa a aptidão buscada em inovadores, empreendedores e intraempreendedores?

Não seria esse o objetivo da cultura de colaboração, cooperação e cocriação de profissionais e equipes nas empresas?

Altruísmo no Ambiente Organizacional

Existe uma dualidade presente e persistente do papel das organizações na sociedade, entre a ganância, egoísmos e o capitalismo selvagem e o bem-estar social, ambiental e humano, como se não fosse possível a convivência entre lucro e responsabilidade empresarial.

“As empresas são cada vez mais cobradas por sua atuação relacionada ao bem social. Essa postura vale para seus funcionários, com condições respeitosas de trabalho; para seus stakeholders, com acordos éticos e com governança corporativa; para os investidores, com transparência na condução dos negócios; para a sociedade, com ações e iniciativas que engrandeçam a comunidade; para a natureza, agindo de forma sustentável; para o futuro, medindo as consequências e o impacto de produtos e serviços na economia, no meio ambiente e na vida das pessoas” (PECHLIVANIS, 2020).

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Assim, a abordagem do altruísmo, como um fator de conexão e convergência dessa dualidade imposta e desagregadora, se faz positiva e necessária. É perfeitamente factível a cooperação entre as organizações e a sociedade.

Como já navegamos em vários outros artigos, as pessoas compõem o centro das organizações, o combustível e a razão de ser das empresas, revemos ‘’ Inovação em Pessoas e evolução do Mindset” e “O RH 4.0 ficará obsoleto em breve‘’.

Vale lembrar os movimentos do final do século XX de inserção na cultura organizacional de espírito do voluntariado. Quantos programas foram elaborados nos departamentos pessoais, de recursos humanos, de gestão de pessoas e gestão de talentos com o objetivo de buscar o engajamento organizacional espelhado no engajamento voluntário.

Do mesmo modo, quantos recursos foram aplicados em treinamentos e capacitações procurando desenvolver essa cultura e espírito do voluntariado social para os movimentos, grupos, projetos e equipes nas organizações.

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Igualmente, quem não se lembra de ter recebido um convite para participar de movimentos sociais filantrópicos e de voluntariado por meio da ‘comunicação interna’ da empresa? As ações de endomarketing de engajamento à filantropia e voluntariado?

O valor percebido pelas organizações do espírito solidário, colaborativo, cooperativo e empático não é novo e tampouco inovador, a novidade está na aplicabilidade convergente com abordagens utilizadas atualmente como o Desing Thinking, Closed and Open Innovation, Scrum, Lean, Kanban, Smart, Brainstorming, Scamper, entre outras.

Competências Altruístas

Em um mundo onde a performance no trabalho se tornou um mantra no ambiente organizacional, não poderíamos deixar de incluir o altruísmo no rol de competências pessoais para atuação profissional.

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Agora, vejamos o que podemos internalizar do altruísmo em nossas competências profissionais:

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– Empatia

Na Psicologia, identificação de um sujeito com outro; quando alguém, através de suas próprias especulações ou sensações, se coloca no lugar de outra pessoa, tentando entendê-la. Na Sociologia, enxergar-se de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião de outra pessoa; enxergar os outros de acordo com a opinião deles próprios [1].

– Carisma

Qualidade da pessoa que desperta a simpatia das pessoas com as quais convive, aquela que se preocupa em compartilhar conhecimentos e experiências profissionais e pessoais no ambiente de trabalho. A pessoa que exercita a proatividade respeitando a individualidade do outro.

– Simpatia

Definida como a afinidade moral entre pessoas e similitude no sentir e no pensar. A relação entre pessoas que, gerando impressão agradável e tendo afinidades, se sentem espontaneamente com afinidades. É uma disposição favorável que se experimenta em relação a alguém que pouco se conhece, um estado afetivo. O compenetrar-se das ideias ou sentimentos de alguém por outrem.

– Gentileza

Aspecto de uma pessoa que agrada pela delicadeza de sentimentos ou fineza de maneiras, gestos, atitudes e ações. Gesto de uma pessoa aprazível, que desperta empatia pela elegância e bons atos.

– Solidariedade

São atos e ações pelo qual as pessoas manifestam ajuda e cooperação umas às outras e cada uma delas a todas; identidade de sentimentos, de ideias. No mundo jurídico, é uma condição onde duas ou mais pessoas dividem igualmente entre si as responsabilidades de uma empresa ou negócio, onde todas respondem por uma e cada uma por todas; interdependência.

Benefícios profissional e corporativo altruístas

“A linha que separa o julgamento sobre o que é generosidade genuína e o que é promoção de imagem sempre foi — e sempre será — tênue. Alguns estudiosos (Shaw, Post e Dienhart) afirmam que não veem problema no fato de os programas de apoio social terem reflexos positivos na imagem, reputação ou goodwill da empresa patrocinadora. Consideram que as motivações das empresas resultam de razões altruístas, estratégicas, de cidadania e de prudência, integrando investimentos com doações e repudiando a tese de que o interesse próprio é incompatível com fatores de ordem moral” (PECHLIVANIS, 2020).

O altruísmo corporativo se traduz na empatia, solidariedade, carisma e responsabilidade de uma marca, organização ou empresa com seus funcionários, colaboradores, stakeholders, consumidores, clientes, cidadãos e sociedade.

Vale lembrar também, que o altruísmo é uma forma de combater e amenizar o movimento narcisista de alguns inovadores, que tratamos no artigo “Inovadores Narcisistas no ambiente organizacional”.

Definitivamente, o altruísmo pode proporcionar e gerar grandes benefícios às organizações e seus funcionários, proporcionando e fomentando um ambiente de colaboração, cooperação e cocriação, potencializando movimentos inovadores e empreendedores tão necessários à sobrevivência e crescimento organizacional, quanto à satisfação de pessoas do ambiente interno ou externo.

Como dizia Henri Ford, “Aproximar-se é um começo; manter-se juntos, um processo; trabalhar juntos, um sucesso.”

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[1] Dicionário Online de Português (dicio.com.br).
[2] PECHLIVANIS, Marina. A hora e a vez da generosidade corporativa.
Revista Consumidor Moderno. Disponível em
<https://www.consumidormoderno.com.br/2020/05/06/generosidade-corporativa-empresas/>
Acesso em: 23 ago. 2020.

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Prof. Manfrim, L. R.

Fanático em Gestão Estratégica (Mestrado). Obcecado em Gestão de Negócios (Especialização). Compulsivo em Administração (Bacharel). Consultor pertinente, Professor apaixonado, Inovador resiliente e Intraempreendedor maker.

Explorador de skills em Gestão de Projetos, Pessoas e Educacional, Visão Sistêmica, Holística e Conectiva, Marketing, Inteligência Competitiva, Design de Negócios, Criatividade, Inovação, Empreendedorismo e Futurismo.

Coautor de Livro na área de Educação Empreendedora no DF e membro da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis.

Navegador atual nos mares do Banco do Brasil, Jornal de Brasília e Instituto Brasileiro de Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis. Já cruzei os oceanos da Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Cia Paulista de Força e Luz (CPFL), IMESB-SP, Nossa Caixa Nosso Banco, Microlins SP, Sebrae DF e Governo do Distrito Federal.

Contato para palestras, conferências, eventos, mentorias, hackathons e pitchs: [email protected]

Linkedin – Prof. Manfrim

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