Depois de mais de uma década construindo sua trajetória no circuito independente, a banda paulista Allpacas lançou hoje seu primeiro álbum de estúdio. Intitulado Jorge, o disco marca a consolidação dos 11 anos de estrada do grupo e chega de forma totalmente independente, reunindo 13 faixas que transitam entre o hardcore melódico, o punk e influências recentes do post-punk.
Mais do que um álbum de estreia, Jorge sintetiza a evolução da banda desde sua formação, em 2014. Conhecida pelas composições rápidas, bem-humoradas e carregadas de ironia, a Allpacas mantém a identidade construída ao longo dos anos, mas amplia sua sonoridade ao incorporar novas referências sem abrir mão da energia característica do gênero.
O título do disco antecipa o tom adotado pelo quarteto. Inspirado no meme “Jorge queria ser hardcore, mas sua mãe não deixava”, o nome funciona como uma provocação à própria banda e à cena punk, brincando com a ideia de autenticidade e desconstruindo estereótipos associados ao universo hardcore.
Nas letras, o grupo direciona o olhar para questões concretas do cotidiano brasileiro. Em vez de temas abstratos, o repertório aborda assuntos como crise habitacional, precarização do trabalho, desigualdade social e cenário político. Faixas como “M.R.V. (Morra Rápido Verme)” e “Bueiros” discutem o déficit de moradia e o caos urbano, enquanto “Startup” e “Bom Prato Gourmet” tratam da uberização e das transformações nas relações de trabalho. Já “Analfabeto Funcional” e “Lumpemparlamentarismo” voltam a atenção para a alienação social e o ambiente político.
A produção do álbum também reflete o espírito independente da banda. As 14 músicas previstas para as sessões de gravação foram registradas ao vivo em apenas dois dias, na Hup Sounds, em Americana (SP), sob produção e engenharia de som de Artie Oliveira.
“A banda passou 10 anos para gravar o primeiro álbum, e surgiu a oportunidade com o Artie Oliveira, de Campinas, que ajudou bastante a gente a fazer acontecer. Ele foi o produtor e engenheiro de som que fez toda a parte de captação”, relembra o guitarrista e fundador Felipe Rodrigues.
Segundo o músico, o cronograma intenso exigiu sintonia entre os integrantes.
“Foi um desafio grande porque tínhamos que gravar 14 músicas em dois dias. Fizemos tudo em um final de semana. Gravamos ao vivo, todos juntos. Foi uma experiência tanto desafiadora quanto de muita aprendizagem.”
A etapa de pós-produção ficou sob responsabilidade do guitarrista Bruno “Menega” Meneghel, que assinou a edição, mixagem e masterização do trabalho.
“A gente gostou bastante do trato que ele deu nas músicas. Ficamos muito ansiosos para o lançamento, porque foi a consolidação dos 11 anos de banda. Nesse álbum tem as primeiras músicas que fizemos no começo, até as que fizemos por último, como ‘M.R.V.’ e ‘Bueiros’, que saíram como singles antes. Agora é fazer show para divulgar nosso álbum”, afirma Felipe.