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Exposições

Cerrado Cultural recebe exposições de Claudio Tozzi

Mostras “Uma continuidade como respiro” e “Abismal…Abissal” reúnem obras históricas e produções contemporâneas

Larissa Barros

26/05/2026 11h40

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Foto: Gilberto Evangelista

Brasília recebe, até 25 de julho, duas novas exposições na Cerrado Cultural, no Lago Sul. As mostras “Uma continuidade como respiro”, do artista Claudio Tozzi, e a coletiva “Abismal…Abissal” propõem um diálogo entre diferentes gerações da arte contemporânea brasileira, reunindo desde obras históricas até produções de jovens artistas do Centro-Oeste. 

Claudio Tozzi é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Nascido em São Paulo, o artista, pintor, desenhista, gravador e arquiteto ganhou destaque nos anos 1960 como integrante da chamada Nova Figuração brasileira. Sua produção utiliza elementos da cultura de massa, como cores vibrantes, retículas e imagens inspiradas em jornais e quadrinhos, para discutir questões políticas, sociais e urbanas. Ao longo da carreira, sua obra passou por transformações, se aproximando da geometria e da relação entre arte e espaço arquitetônico, sem abandonar o caráter crítico e experimental.

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Foto: Gilberto Evangelista

A exposição do artista reúne trabalhos produzidos entre 1963 e hoje, e foi construída a partir de um percurso não cronológico, buscando aproximar obras de diferentes períodos da trajetória do artista. A curadoria é assinada por Cristiano Raimondi, que acompanhou de perto o processo de criação da mostra.

“Mais do que apresentar diferentes fases de maneira linear, meu interesse foi evidenciar como certas tensões formais, políticas e perceptivas atravessam toda a obra de Tozzi, transformando-se continuamente sem jamais perder o seu núcleo inicial”, explica Raimondi.

Segundo o curador, obras emblemáticas como Multidão (1968) dialogam diretamente com produções recentes, como Território (2012), revelando permanências na pesquisa visual do artista ao longo de mais de seis décadas. “Muda a linguagem formal, mas permanece a reflexão sobre organização, ocupação, coletividade e poder”, afirma.

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Foto: Gilberto Evangelista

A exposição também busca criar uma atmosfera intimista. As paredes da galeria receberam o mesmo tom presente na casa de Tozzi, aproximando o público do universo cotidiano do artista. “As obras criam um ‘respiro temporal’, onde passado e presente coexistem continuamente”, completa o curador.

Na mesma ocasião, a Cerrado Cultural apresenta a coletiva “Abismal…Abissal”, com curadoria de Tálisson Melo. A mostra reúne obras de 12 artistas e investiga as relações entre memória, subjetividade, paisagem e interioridade.

De acordo com Tálisson Melo, o conceito da exposição surgiu das conversas com artistas que cresceram no interior do Brasil, especialmente no Centro-Oeste. “Percebi que esse espaço territorial, geográfico e regional do interior também encontrava diálogo com o interior subjetivo, com a experiência de cada um”, destaca.

O curador explica que o título da mostra parte da ideia de “abismo”, explorando tanto a dimensão territorial quanto emocional desse conceito. “O abismal está mais ligado ao território e à paisagem; e o abissal, a um espaço oceânico pouco conhecido e que demanda pesquisa”, diz. Para ele, as obras dialogam com esse “Brasil profundo” e com os espaços internos da memória e da subjetividade.

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Foto: Gilberto Evangelista

Além das exposições, a proposta da Cerrado Cultural é fortalecer a circulação da arte contemporânea produzida no Centro-Oeste e ampliar o diálogo com artistas de outras regiões do país. O espaço nasceu em 2022, a partir de uma parceria entre Lucio Albuquerque, da Casa Albuquerque Galeria de Arte, e os sócios da galeria Almeida & Dale, de São Paulo. O Cerrado Cultural é um centro de artes visuais localizado em Brasília, criado para promover e difundir a arte moderna e contemporânea no Centro-Oeste.

“O nome Cerrado foi pensado para demonstrar nosso total compromisso com a produção artística da região e a herança artística cultural que, em grande medida, inspirou a criação de Brasília”, explica Lucio Albuquerque, sócio-diretor da galeria.

Para o curador, as duas mostras refletem justamente essa proposta de diversidade. “Temos uma exposição de um artista com mais de seis décadas de percurso e uma coletiva com jovens artistas do Distrito Federal e de Goiás que já despontam no cenário nacional”, afirma.

Segundo Albuquerque, a ideia é oferecer ao público um panorama mais amplo da arte contemporânea brasileira. “É um processo contínuo que, a médio prazo, renderá frutos muito importantes para a cidade, a região e o país”, conclui.

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