Raquel Martins Ribeiro
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br
No mês da Consciência Negra, a população é convidada a refletir sobre como o Brasil ainda está longe de alcançar a tão almejada igualdade racial. Prova disso, é que constantemente crimes de racismo estampam os noticiários do País. A última vítima foi a atriz global Taís Araújo, que no dia 31 de outubro teve sua página oficial do Facebook atacada por racistas escondidos atrás de perfis falsos.
“A mulher negra empoderada incomoda a sociedade racista”, esse é o diagnóstico da atriz brasiliense Tuanny Araújo, que integra o Grupo Teatral Embaraça, em cartaz, amanhã e domingo, no Teatro Sesc Garagem (913 Sul), com o espetáculo Pentes, que antecipa as celebrações da Semana da Consciência Negra no DF.
Segundo a atriz, a montagem foca, justamente, em derrubar a imposição da estética branca como ideal de beleza. Um padrão que motiva a ação dos preconceituosos. “O cabelo crespo é a ponta de um iceberg. Ele carrega em si, uma série de exclusões, pessoais e profissionais, que nós negras sofremos diariamente”, ressalta Araújo.
Performance
Tuanny sobe ao palco ao lado de outras três atrizes: Fernanda Jacob, Ana Paulo Monteiro e Elisa Carneiro. Juntas, elas utilizam a linguagem teatral para conscientizar os espectadores. “O teatro é um ato político. Mas tratar de um tema gritante como esse não desmerece o nosso trabalho cênico”, considera.
O texto inspira-se em histórias do cotidiano e depoimentos pessoais do elenco. Mistura momentos de discurso direto a poética da performatividade. “A gente usa de muita gentileza e um pouco de comicidade, para fazer com que o público embarque na trama”, revela Tuanny.
“Impomos a nossa representatividade. E lutamos por respeito a nossa cultura, nossas diferenças e ancestralidade”, conclui a atriz e ativista negra.
Combinação de samba e ritmo afro-brasileiros
Há quatro anos, os amantes do samba de Brasília se acostumaram ao som e estilo do grupo Filhos de Dona Maria. Agora, os integrantessomam a experiência nos palcos a canções inéditas e lançam seu primeiro álbum, intitulado Todos os Prazeres.“Quando formamos o grupo, não sabíamos ainda por qual caminho seguiríamos. Esse tempo foi necessário para que fortalecessemos nossa identidade”, explica o cavaquinista Khalil Santarém.
Repertório
O disco traz 15 faixas, com composições do grupo em parceria com nomes como Breno Alves, Kadu Nascimento, Mãe Dora de Oyá, Gabriel Gomes, Nêgo Bom, Dinho Braga. Além da música Tia Baiana, cedida por Wilson Moreira. “ A nossa principal característa é que gostamos de explorar outros ritmos afro-brasileiros como o jongo e o samba de roda”, ressalta o músico.
O CD conta, ainda, com participações especiais. Entre elas, a cantora paulistana Fabiana Cozza, o Afoxé Alafin Oyó, expoente da cultura negra em Olinda (PE) e o bamba Wilson Moreira.
Contribuições culturais
O espetáculo Aini-Ará, em cartaz nos dias 17 e 18 de novembro, no Teatro Plínio Marcos, do Complexo Cultural Funarte (Eixo Monumental) é o segundo de uma trilogia sobre a cultura afro-brasileira, intitulada Esferas Musicais. A peça leva para o palco questões sobre o enfrentamento ao racismo, o papel da mulher negra na sociedade, a discussão sobre a maioridade penal e a contibuição cultural negra para as expressões artísticas da capital. “Trazemos todos os elementos, sejam eles culturais ou religiosos, para o nosso contexto atual”, explica o diretor George Ângelo.