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Artistas dão novo fôlego ao Centro Cultural Dulcina com evento ‘pague o quanto quiser’

Arquivo Geral

02/03/2016 7h00

Raquel Martins Ribeiro

raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br

Resultado da união e determinação de músicos e produtores culturais do Distrito Federal a favor da ocupação e revitalização do Centro Cultural Dulcina de Moraes e do próprio Conic, o projeto Quarta Dimensão – Frequências Autorais estreia hoje, a partir das 20h, com show de nomes locais como Trio Muntchako, Cae Maia e Renato Matos, entre outros.

“Ao visitar o Dulcina, no ano passado, eu e um grupo de amigos ficamos com o coração partido ao ver a degradação do espaço. Resolvemos, então, fazer uma reunião com  músicos e produtores do DF para pensar em uma maneira de ocupar o local. A adesão nos surpreendeu, com a presença de mais de 90 bandas”, explica Jenny Choe, produtora cultural da Latitude 15 e uma das organizadoras do projeto. Segundo ela, a ideia de um evento colaborativo agradou a todos os músicos presentes, que viram na iniciativa uma oportunidade para driblar a falta de espaços e incentivo à cena independente de Brasília.

Jenny, que também integra o Coletivo Mutirão Cultural, começou a convidar artistas para ajudar na revitalizar do espaço. Dentre os nomes estão Kaká Guimarães, o ilustrador Daniel Grilo e Andrey Remuche, que está coordenando a reforma no subsolo do local. “Vimos a necessidade de os próprios artistas tomarem conta dos espaços, e é isso que estamos fazendo”.

Um dos diferenciais do Quarta Dimensão é que o público é quem decide quanto vai pagar para participar do evento, escolhendo valores que vão de R$ 5 a R$ 50. “Queremos democratizar a cultura. Aproveitamos o local que já é acessível, e damos às pessoas a escolha para determinar quanto podem pagar”, ressalta Choe.

De acordo com a organizadora, a ideia é transformar o projeto em opção cultural semanal para os brasilienses, levando a cada semana artistas não só do DF, mas de outros estados e até países. É o caso do multi-instrumentista alemão Konrad Kuechenmeister, que também integra o cardápio sonoro da primeira noite.

Para o DJ Barata, membro do Trio Muntchako, que apresenta repertório instrumental, o Conic é uma opção para os artistas que perderam palcos para a polêmica Lei do Silêncio, como ficou conhecida a Lei nº 4.092, de 2008. “O teatro Dulcina tem uma acústica excelente, com 400 lugares. Sem contar que não estaremos em área residencial portanto não haverá o risco de sermos impedidos de tocar”, considera o DJ.

Baile do Chocolaty

Jenny Choe adianta que, além do projeto de hoje, outros eventos estão programados para reforçar as ocupações do Dulcina e do Conic. Nesta sexta, às 22h, o Mutirão Cultural promove o Baile do Chocolaty no Conic, com ingressos a R$ 20. A festa é uma homenagem ao DJ, que representa um dos primeiros nomes da discotecagem do DF nos estilos hip hop, charme, funk e trap. “Chocolaty e Celsão sempre comemoravam a data juntos. Depois da morte de Celsão, resolvemos não deixar morrer essa festa, que já é tradição pra quem curte black music”, conclui a organizadora. Informações da festa: 8428-1377. Evento não recomendado para menores de 18 anos.

Serviço

Quarta Dimensão – Frequências Autorais –  Hoje, às 20h. No Teatro Dulcina,  Conic (Setor de Diversões Sul). Ingressos: entre R$ 5 e R$ 50. Informações: 8417-6112. Não recomendado para menores de 18 anos.

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