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Venda de atletas ao exterior rende quase R$ 3 bi ao Brasil em 2025

As receitas e despesas correspondem a negociações envolvendo atletas de diferentes modalidades esportivas

Redação Jornal de Brasília

11/07/2026 13h39

fbl eur c1 chelsea barcelona

Foto: ADRIAN DENNIS / AFP

NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Em um mercado cada vez mais globalizado, nenhum país no mundo exporta tantos jogadores de futebol quanto o Brasil. Segundo dados do Banco Central, a venda de atletas ao exterior no ano passado rendeu quase R$ 3 bilhões ao país.

Em 2025, foram recebidos US$ 553,7 milhões (R$ 2,86 bilhões pela cotação atual) com a comercialização de atletas para fora do país e gastos US$ 234,7 milhões (R$ 1,2 bilhão) para trazer jogadores ao Brasil.

Ou seja, o saldo no ano passado foi positivo em US$ 319 milhões (R$ 1,65 bilhão). Esse valor equivale a cerca de 15% das divisas geradas pelo Brasil com a venda de carne de porco para o exterior, a título de comparação, também de acordo com o BC.

O resultado superavitário ficou em linha com o registrado em 2018, quando o saldo ficou em US$ 319,8 milhões (R$ 1,65 bilhão na cotação atual). Naquele ano, contudo, as receitas totalizaram US$ 383,7 milhões (R$ 1,98 bilhão) e foram equivalentes a seis vezes o montante das despesas, que somaram US$ 63,9 milhões (R$ 330 milhões).

O registro dessas operações, incorporadas pelo BC na balança de pagamentos, é feito por meio de um contrato de câmbio -instrumento que permite que moedas estrangeiras, como dólares ou euros, sejam convertidas em reais e entrem efetivamente na economia brasileira.

Os passes dos atletas estão incluídos em uma categoria chamada “ativos não financeiros não produzidos”, que engloba itens com valor econômico real, mas que não foram fabricados. É o caso também, por exemplo, de licenças de marca, franquias, direitos de exploração de recursos naturais e até de criptoativos.

As receitas e despesas correspondem a negociações envolvendo atletas de diferentes modalidades esportivas. No entanto, a compra e venda de jogadores de futebol equivale quase ao montante total, visto que outros mercados movimentam volumes de recursos pouco significativos.

Os clubes de futebol não são obrigados a internalizar os recursos e podem optar por manter o dinheiro obtido pela transferência de um atleta em uma conta no exterior. Nesse caso, os valores não entram no cálculo do BC. Mas esse tipo de prática é menos comum diante das necessidades financeiras das equipes brasileiras.

Em perspectiva histórica, o Brasil é exportador de jogadores, especialmente para a Europa. Conforme dados do BC, as receitas com passes de atletas superaram as despesas em todos os anos desde o início da série, em 1995.

Consultor de gestão e finanças do esporte e sócio da consultoria Convocados, Cesar Grafietti ressalta que a exportação de jogadores brasileiros ao futebol mundial se transformou ao longo do tempo em uma importante fonte de receitas aos clubes nacionais.

Segundo ele, no ano passado, quase 30% das receitas obtidas por clubes da Série A do futebol brasileiro vieram da venda de jogadores.

“Nós temos observado não um aumento na quantidade de jogadores, mas um aumento no valor de jogadores sendo negociados. Hoje, os atletas brasileiros, que saem sempre mais jovens, dos 17, 18 aos 21 anos, têm valido mais”, afirma. “Temos visto mais negócios na casa de 25, 30, 40 milhões de euros, coisas que no passado eram muito raras. Vendiam-se mais jogadores na casa de 5, 7, 10 milhões de euros.”

A mudança, de acordo com o especialista, reflete a evolução na estrutura financeira de alguns clubes.

Enquanto eles operavam com déficit, esse tipo de negociação servia para cobrir rombos no caixa. Com as contas no azul, as vendas deixaram de ser uma necessidade e passaram a ser vistas como oportunidades.

Com isso, os clubes podem agora negociar melhor as transferências e cobrar mais caro pela venda de jogadores.

No ano passado, segundo relatório de transferências publicado pela Fifa, o país liderou tanto a saída (1.005) quanto a entrada (1.190) de atletas do futebol masculino profissional.

No caso das entradas, a maior parte das transferências veio de clubes de Portugal (180), Paraguai (54), Colômbia (53), Argentina (49) e Bolívia (37). Portugal também foi o principal destino de quem deixou o Brasil, com 184 transferências. Na sequência, aparecem Malta (35), Ucrânia (34), Japão (34) e Coreia do Sul (31) na lista de saídas.

A maior chegada de jogadores vindos do exterior pode ser explicada, segundo Grafietti, por três fatores.

O primeiro é a constituição das SAFs (sociedades anônimas de futebol), modelo que permite aos clubes se tornarem empresas.

“Elas vêm para reestruturar os clubes e fazer o processo de gestão, mas, na medida em que esse processo está ainda em andamento, tem muito investidor colocando dinheiro para fazer contratações”, diz.

O segundo aspecto é a força de Flamengo e Palmeiras para reforçar seus elencos, tanto contratando jogadores estrangeiros quanto repatriando brasileiros.

É o caso, por exemplo, de Andreas Pereira, meio-campista que estava no futebol inglês e assinou contrato com o time alviverde em agosto de 2025, e de Lucas Paquetá, contratado pelo clube rubro-negro junto ao West Ham em janeiro deste ano.

O terceiro elemento é o aumento de receitas com a entrada das casas de apostas no mercado do futebol.

Os clubes, mesmo aqueles com dificuldades financeiras, passaram a receber mais recursos vindos das bets e passaram a usar esse dinheiro para contratações.

Segundo o site Transfermarkt, especializado em valores de mercado do futebol, o Palmeiras foi o clube brasileiro que mais arrecadou com negociações em 2025, sendo 145,9 milhões de euros (R$ 860 milhões na cotação atual) em vendas e empréstimos.

A cifra foi puxada pela ida de Estêvão ao Chelsea por 45 milhões de euros (R$ 265,5 milhões) -o atleta se apresentou à equipe inglesa um ano depois de o acordo ter sido fechado, em 2024.

Na sequência, ainda de acordo com o Transfermarkt, vêm Botafogo, com 119 milhões de euros (R$ 702 milhões), e Flamengo, com 82,6 milhões de euros (R$ 487 milhões). A principal saída do time alvinegro foi a de Luiz Henrique ao Zenit por 33 milhões de euros (R$ 194,7 milhões). O clube rubro-negro, por sua vez, vendeu Wesley para a Roma por 25 milhões de euros (R$ 147,5 milhões).

Entre as contratações efetuadas pelos clubes brasileiros em 2025, destaca-se o acordo firmado pelo Palmeiras com o Barcelona para contratação de Vitor Roque, que estava emprestado ao Real Betis. O clube pagou, segundo a mídia especializada, 25,5 milhões de euros (R$ 150 milhões) aos espanhóis por 80% dos direitos econômicos do centroavante.

Também movimentou o mercado do futebol a contratação de Danilo pelo Botafogo. O volante estava no Nottingham Forest, da Inglaterra, e voltou ao Brasil em uma transação estimada em 22 milhões de euros (R$ 129,8 milhões).

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