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Polícia Civil conclui inquérito de incêndio no Ninho e mantém oito indiciamentos

A delegacia responsável pelo caso remeteu novamente suas conclusões ao órgão em agosto, quando advogados de alguns dos indiciados pediram novas audiências

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A Polícia Civil do Rio remeteu ao Ministério Público do Estado a conclusão do inquérito aberto em fevereiro do ano passado para investigar as causas e os culpados pelo incêndio no Ninho do Urubu, e manteve os oito indiciamentos apontados ainda em junho. A tragédia no CT do Flamengo, que neste sábado completa um ano, deixou dez mortos e três feridos.

O inquérito, conduzido pela 42ª DP do Rio, havia sido entregue ainda em junho, mas foi devolvido pelo MP, que requisitou novas diligências. A delegacia responsável pelo caso remeteu novamente suas conclusões ao órgão em agosto, quando advogados de alguns dos indiciados pediram novas audiências. Em dezembro, mais uma vez o relatório acabou voltando à Polícia Civil.

Agora, a investigação por parte da polícia está concluída. “A unidade (42ª DP) estava realizando apenas diligências solicitadas pelo MP, que foram concluídas e encaminhadas ao órgão”, informou a Polícia Civil nesta sexta-feira.

O inquérito remetido ao MP ano passado apontava oito culpados, e entre os indiciados está Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo. O ex-cartola, três funcionários do clube, três engenheiros da empresa que forneceu os contêineres que incendiaram e um técnico em refrigeração foram apontados pela polícia como responsáveis por dez homicídios com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) e 14 tentativas de homicídio (considerando o número de atletas que estavam no Ninho do Urubu e sobreviveram).

Quando foi indiciado, Bandeira de Mello se disse “surpreendido”, mas afirmou que estava com a “consciência absolutamente tranquila” e que confiava na Justiça.

Flamenguistas fazem memorial 

Os rostos dos 10 garotos mortos há um ano no incêndio no Ninho do Urubu, o CT do Flamengo, agora poderão ser vistos por todos os torcedores que forem ao Maracanã. E tudo isso graças à iniciativa de um grupo de flamenguistas, que grafitou um muro em frente à principal arena do Rio de Janeiro e estádio que todos aqueles jovens atletas sonhavam em um dia atuar.

A pintura de parte do muro que separa a Radial Oeste, via que passa em frente ao estádio, e os trilhos de uma das linhas do metrô carioca começou na última quarta-feira e tem previsão de ser finalizada neste sábado. A obra foi idealizada pelo artista Airá Ocrespo e está sendo executada por ele e por um grupo de 30 flamenguistas.

“A galera queria fazer uma homenagem e eu considerei que era uma coisa muito simbólica, muito marcante”, comentou Airá, ressaltando que fez questão de participar do projeto desde que os próprios torcedores também participassem da pintura do grafite. “Eu propus a eles que fizessem essa ação coletiva, deixar o suor de todo mundo, para mostrar que é importante pra torcida, que eles se importam com o que aconteceu, com os desdobramentos, e que eles estão juntos”.

Todo o material utilizado foi adquirido através de uma vaquinha feita entre os torcedores, que arrecadaram cerca de R$ 1.500. O dinheiro foi gasto com as tintas, água, lanches e transporte para quem morasse longe.

Um dos torcedores envolvidos no projeto é o vendedor Carlos Motta, de 39 anos. Ele disse que a ideia surgiu em redes sociais e reuniu dezenas de flamenguistas “de vários setores das arquibancadas”. O mural – ou “memorial”, como eles estão chamando – não tem nenhuma ligação oficial com o Flamengo.

“É um contraponto a essa ideia de ficar falando e discutindo sobre preço da vida das crianças”, ressaltou Motta. “O importante pra nós é discutir e levantar os sonhos que esses garotos tinham, de serem jogadores de futebol, de jogar no Maracanã, de vestir a camisa do Flamengo, dar uma vida melhor pra família. Esses garotos representam o sonho de quase todos nós”.

Além de homenagear os garotos que morreram na tragédia, o memorial é uma forma de os torcedores demonstrarem que não necessariamente concordam com a forma como o clube está tratando a questão. “Sobre a diretoria do Flamengo: levar essa questão dos garotos para discutir na Justiça, fazer comparações com Brumadinho, valores pagos com indenizações em Mariana, a gente não entende que isso seja razoável. A vida das pessoas não tem preço”, afirmou Motta.

“Os diretores do Flamengo, certamente, a maioria tem filhos. E qual o preço da vida dos filhos deles? Por que a gente tem que colocar preço na vida do filho dos outros? O clube precisa assumir uma responsabilidade que é sua, independente da culpabilidade de quem quer que seja”, concluiu o torcedor.

CPI pede condução coercitiva de dirigentes do Clube

Dirigentes e ex-diretores do Flamengo foram convocados, mas não compareceram nesta sexta-feira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o incêndio no CT Ninho do Urubu, que matou 10 jogadores das categorias de base e feriu outros três em 8 de fevereiro de 2019.

O Flamengo informa ter enviado o diretor jurídico Antonio Cesar Dias Panza e o advogado William de Oliveira como representantes do clube. Entre os intimados estavam o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello e o atual mandatário Rodolfo Landim. Nenhum dos dois apareceu.

O presidente da CPI dos Incêndios então ordenou a condução coercitiva dos dirigentes. O pedido ainda tem de ser protocolado para começar a valer. Landim, Bandeira de Melo e demais membros da diretoria envolvidos no inquérito deverão prestar depoimento na próxima sexta-feira. Se não comparecerem, oficiais de Justiça irão buscá-los em casa.

Além dos dirigentes, familiares de três das vítimas também foram convocados para a CPI. O pai de Pablo Henrique, Wedson Candido de Matos, compareceu como representante das vítimas. A família de Wedson e de outros seis jogadores ainda não fizeram acordo com o Flamengo.

Até agora, o clube rubro-negro indenizou três famílias. O clube ainda negocia com os familiares de Arthur Vinícius, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Jorge Eduardo, Samuel Rosa e Pablo Herique. Com a proximidade da conclusão do inquérito policial que apura a responsabilidade pelo incêndio, a tendência é de que mais famílias acionem judicialmente o clube.

 

Estadão Conteúdo


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