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O martírio de um escritor na tela

Arquivo Geral

23/11/2003 0h00

Para Sylvio os seis longas escolhidos para a competição do 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro podem, desde já, ser considerados premiados, só pelo fato de estarem sendo exibidos no festival de maior visibilidade do cinema nacional.

O diretor veio para Brasília apresentar Lost Zweig, seu décimo longa-metragem. O roteiro e o propósito de realizar o longa precedem o média-metragem, Zweig: A Morte em Cena, filmado em 1994 e concluído em 1995. Este média, uma produção do Instituto Goethe do Rio de Janeiro, foi produzido para a TV por assinatura 3sat, da Alemanha.

“Estreou coincidindo com a Feira do Livro de Frankfurt, que naquele ano homenageava a Áustria e exibia reeditada toda a obra de um dos seus maiores escritores, Stefan Zweig”, lembra Back. “O roteiro de ficção, baseado na biografia de Zweig Morte no Paraíso, de Alberto Dines, sofreu algumas intervenções fundamentais. É que o livro tratava de recuperar, por meio do memorial de pessoas que haviam convivido com Zweig no Rio de Janeiro, os conturbados meses em que ele morou no Brasil até o suicídio”, conta.

O trabalho de pesquisa foi intenso. As entrevistas com os sobreviventes que conviveram com o casal Zweig (hoje, todos mortos) abriram novos conhecimentos em torno do cotidiano do escritor e de sua mulher, inclusive sobre o polêmico visto de permanência concedido pela ditadura Vargas, ostensivamente anti-semita.

Para Back, o fato de ele ter escolhido filmar com artistas estrangeiros e fazer um filme falado em inglês não vai interferir na divulgação e na visibilidade do longa. “O nosso espectador está há décadas tão viciado em legendas que, não faz muito tempo, ele levava até meia hora dentro do cinema para se dar conta de que se falava português na tela. O estranhamento que surge, ironicamente, acaba aproximando ainda mais a platéia do filme porque mexe com o seu inconsciente cultural colonizado”, diz.

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    23/11/2003 0h00

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    O diretor veio para Brasília apresentar Lost Zweig, seu décimo longa-metragem. O roteiro e o propósito de realizar o longa precedem o média-metragem, Zweig: A Morte em Cena, filmado em 1994 e concluído em 1995. Este média, uma produção do Instituto Goethe do Rio de Janeiro, foi produzido para a TV por assinatura 3sat, da Alemanha.

    “Estreou coincidindo com a Feira do Livro de Frankfurt, que naquele ano homenageava a Áustria e exibia reeditada toda a obra de um dos seus maiores escritores, Stefan Zweig”, lembra Back. “O roteiro de ficção, baseado na biografia de Zweig Morte no Paraíso, de Alberto Dines, sofreu algumas intervenções fundamentais. É que o livro tratava de recuperar, por meio do memorial de pessoas que haviam convivido com Zweig no Rio de Janeiro, os conturbados meses em que ele morou no Brasil até o suicídio”, conta.

    O trabalho de pesquisa foi intenso. As entrevistas com os sobreviventes que conviveram com o casal Zweig (hoje, todos mortos) abriram novos conhecimentos em torno do cotidiano do escritor e de sua mulher, inclusive sobre o polêmico visto de permanência concedido pela ditadura Vargas, ostensivamente anti-semita.

    Para Back, o fato de ele ter escolhido filmar com artistas estrangeiros e fazer um filme falado em inglês não vai interferir na divulgação e na visibilidade do longa. “O nosso espectador está há décadas tão viciado em legendas que, não faz muito tempo, ele levava até meia hora dentro do cinema para se dar conta de que se falava português na tela. O estranhamento que surge, ironicamente, acaba aproximando ainda mais a platéia do filme porque mexe com o seu inconsciente cultural colonizado”, diz.

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