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CAMPEÃO DE FOTOGRAFIA

Arquivo Geral

04/05/2004 0h00

Responsável pelas imagens mais belas da sétima arte nacional, o diretor de fotografia Walter Carvalho é o homenageado do mês de maio no projeto Encontro com o Cinema Brasileiro, realizado mensalmente pelo Centro Cultural Banco do Brasil. De hoje a domingo, serão exibidos 13 trabalhos de Walter, incluindo Janela da Alma, no qual estreou como diretor e foi premiado.

Marcos Alteberg, idealizador do projeto, explica que a motivação para criar a mostra foi aproximar quem faz cinema nacional de quem assiste. No Rio de Janeiro o projeto é sucesso há oito anos. Em Brasília, esta é a 5ª edição. Junto com o homenageado, Marcos procurou escolher as obras que serão exibidas de acordo com a importância e disponibilidade.

Só para o cinema, Walter realizou mais de 50 filmes e conquistou 21 prêmios em festivais nacionais e internacionais. É autor de uma produção fotográfico-documental bem menos conhecida, que começou há 35 anos e caminha paralelamente ao seu trabalho cinematográfico.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o paraibano Walter Carvalho se definiu como um dependente físico do cinema. “Tenho necessidade de me expressar para sobreviver”, filosofa. Ele descobriu o amor pelo cinema ainda garoto, quando teve a oportunidade de ajudar no curta Os Homens do Caranguejo do irmão, o cineasta Vladimir Carvalho. “Nunca imaginei que esta seria a forma com a qual pagaria minhas contas”, revela.

ProjetosO consagrado fotógrafo, responsável por obras como Lavoura Arcaica, Amarelo Manga, Abril Despedaçado, Madame Satã, Carandiru – todos em cartaz no festival – e Central do Brasil, escolhe os projetos que irá desenvolver baseado em dois valores: o tema – ele dá preferências a obras que discutem questões humanas – e o parceiro – os mais freqüentes são os diretores Walter Salles, Luis Fernando Carvalho e Sandra Werneck.

Outra escolha é trabalhar com a crueza. “Não gosto de filtros fantásticos, eles maquiam a realidade. Reajo contra o verniz”, conta. Cita Amarelo Manga, do diretor Cláudio Assis, para ilustrar a forma como aproveita a realidade. As imagens são amareladas, como a narrativa. “Trabalho na subjetividade do outro”. Madame Satã é outro exemplo. O filme é escuro, como obscura é a história protagonizada por Lázaro Ramos.

Ele explica que cabe ao diretor de fotografia transformar a informação verbal em informação visual por meio da luz, do quadro, da exposição. Para mergulhar no universo narrativo da fotografia, ensina um segredo: muita leitura. “É preciso conhecer Machado de Assis, José Lins do Rego, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna”, afirma. Para completar a bagagem cultural, ele acrescenta as músicas de Caetano Veloso e Bob Dylan e as pinturas renascentistas. “Estas são as agulhas da minha bússola”.

Responsável também pela fotografia de novelas globais, como Renascer e O Rei do Gado, Walter Carvalho é enfático ao diferenciar a televisão do cinema: a TV não passaria de um mero eletrodoméstico. “Não é arte nem se propõe a isso. Até a dramaturgia é furada”, alfineta. Antes de qualquer insinuação, ele faz questão de esclarecer que o parceiro na telinha, o diretor Luiz Fernando Carvalho, é uma exceção. “Ele não faz obras apenas para atingir o Ibope”.

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    CAMPEÃO DE FOTOGRAFIA

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    04/05/2004 0h00

    Responsável pelas imagens mais belas da sétima arte nacional, o diretor de fotografia Walter Carvalho é o homenageado do mês de maio no projeto Encontro com o Cinema Brasileiro, realizado mensalmente pelo Centro Cultural Banco do Brasil. De hoje a domingo, serão exibidos 13 trabalhos de Walter, incluindo Janela da Alma, no qual estreou como diretor e foi premiado.

    Marcos Alteberg, idealizador do projeto, explica que a motivação para criar a mostra foi aproximar quem faz cinema nacional de quem assiste. No Rio de Janeiro o projeto é sucesso há oito anos. Em Brasília, esta é a 5ª edição. Junto com o homenageado, Marcos procurou escolher as obras que serão exibidas de acordo com a importância e disponibilidade.

    Só para o cinema, Walter realizou mais de 50 filmes e conquistou 21 prêmios em festivais nacionais e internacionais. É autor de uma produção fotográfico-documental bem menos conhecida, que começou há 35 anos e caminha paralelamente ao seu trabalho cinematográfico.

    Em entrevista ao Jornal de Brasília, o paraibano Walter Carvalho se definiu como um dependente físico do cinema. “Tenho necessidade de me expressar para sobreviver”, filosofa. Ele descobriu o amor pelo cinema ainda garoto, quando teve a oportunidade de ajudar no curta Os Homens do Caranguejo do irmão, o cineasta Vladimir Carvalho. “Nunca imaginei que esta seria a forma com a qual pagaria minhas contas”, revela.

    ProjetosO consagrado fotógrafo, responsável por obras como Lavoura Arcaica, Amarelo Manga, Abril Despedaçado, Madame Satã, Carandiru – todos em cartaz no festival – e Central do Brasil, escolhe os projetos que irá desenvolver baseado em dois valores: o tema – ele dá preferências a obras que discutem questões humanas – e o parceiro – os mais freqüentes são os diretores Walter Salles, Luis Fernando Carvalho e Sandra Werneck.

    Outra escolha é trabalhar com a crueza. “Não gosto de filtros fantásticos, eles maquiam a realidade. Reajo contra o verniz”, conta. Cita Amarelo Manga, do diretor Cláudio Assis, para ilustrar a forma como aproveita a realidade. As imagens são amareladas, como a narrativa. “Trabalho na subjetividade do outro”. Madame Satã é outro exemplo. O filme é escuro, como obscura é a história protagonizada por Lázaro Ramos.

    Ele explica que cabe ao diretor de fotografia transformar a informação verbal em informação visual por meio da luz, do quadro, da exposição. Para mergulhar no universo narrativo da fotografia, ensina um segredo: muita leitura. “É preciso conhecer Machado de Assis, José Lins do Rego, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna”, afirma. Para completar a bagagem cultural, ele acrescenta as músicas de Caetano Veloso e Bob Dylan e as pinturas renascentistas. “Estas são as agulhas da minha bússola”.

    Responsável também pela fotografia de novelas globais, como Renascer e O Rei do Gado, Walter Carvalho é enfático ao diferenciar a televisão do cinema: a TV não passaria de um mero eletrodoméstico. “Não é arte nem se propõe a isso. Até a dramaturgia é furada”, alfineta. Antes de qualquer insinuação, ele faz questão de esclarecer que o parceiro na telinha, o diretor Luiz Fernando Carvalho, é uma exceção. “Ele não faz obras apenas para atingir o Ibope”.

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