Os freqüentadores anônimos talvez sejam, guardadas as devidas proporções, as melhores atrações e testemunhas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
A carioca Conceição Silva, 66 anos, mora há 29 anos em um bloco em frente ao Cine Brasília e é testemunha de vários festivais. “É o máximo morar ao lado do cinema, e não apenas pelo festival, mas pelos filmes sempre bem-selecionados que passam na sala”, atesta a professora aposentada que no ano passado trabalhou no café La Película ao lado da amiga Artemis, proprietária da casa.
“Dava para assistir a alguns trechos. Nós nos revezávamos e contávamos uma para a outra a parte que havíamos perdido”, lembra Conceição, divertida. Apesar de preferir o cinema fora da época da festival, ela é enfática: “A badalação é ótima”.
Outro personagem interessante é o funcionário do café, o artista plástico Marcos Araújo, 28 anos. Como se não bastasse acompanhar o festival de camarote, ele ainda participará do curta Brasília a Pé, dirigido por Roberto Barbieri. “O filme conta as dificuldades de se caminhar a pé em Brasília”, antecipa ele, que não tem carro. Vale prestar atenção aos portas-copos do café, feitos à mão por Marcos. Ele lembra que o curta passará em uma mostra paralela.
O cinéfilo e mestre confeiteiro Mauro Rappel, 27 anos, freqüenta o festival desde a época em que estudava Química na UnB. “Há cerca de quatro anos a escolha dos filmes se tornou mais criteriosa”, pondera. “Acredito que glamourizaram muito o festival”, endossa a proprietária do café, Artemis. “Mas continuarei vendo os filmes, só que selecionarei ainda mais os filmes a que assistirei”, garante Mauro. “Na verdade, todo mundo se encontra no café no final”, finaliza Artemis. Então, ficamos combinados assim.