O Sistema Único de Saúde (SUS) alcançou em 2025 um marco no cuidado às mulheres com câncer de mama: pela primeira vez, o número de reconstruções mamárias superou o de mastectomias. Foram 19,4 mil procedimentos reparadores, ante 18,3 mil retiradas da mama.
Segundo o Ministério da Saúde, o resultado está relacionado tanto à melhora da assistência oncológica, que vem reduzindo a necessidade de retirada total da mama em muitos casos, quanto à estratégia de ampliar o acesso à cirurgia reconstrutiva para mulheres mastectomizadas que aguardavam pelo procedimento.
Em relação a 2022, quando o SUS realizou 12,3 mil reconstruções mamárias, o crescimento foi de 57,7%. O avanço foi impulsionado por investimentos de R$ 40,2 milhões em recursos federais e pela habilitação de 176 hospitais de alta complexidade para ofertar a cirurgia na rede pública.
Na última semana, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação do acesso à cirurgia plástica reconstrutiva pelo SUS. Antes restrito aos casos de sequelas decorrentes do tratamento do câncer, o procedimento passa a contemplar todas as situações de mutilação mamária, total ou parcial. A medida contará com investimento de R$ 15,9 milhões ainda em 2026. A partir de 2027, haverá um aporte anual estimado em R$ 27,4 milhões, o que representa um acréscimo de aproximadamente R$ 3,1 milhões em relação aos recursos destinados em 2025.
O ministério também destacou ações voltadas à prevenção e ao diagnóstico do câncer de mama. Entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 37,8 milhões na aquisição de 27 mamógrafos e destinados outros R$ 302,4 milhões para 19 projetos de enfrentamento da doença.
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta para 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Desconsiderados os tumores de pele não melanoma, a doença segue como o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres.
O governo federal também vem desenvolvendo ações por meio do programa Agora Tem Especialistas, com mutirões e as Carretas da Saúde da Mulher, que oferecem exames como mamografia, ultrassonografia, exame citopatológico e biópsia para reduzir o tempo de espera e agilizar o cuidado às pacientes.
Entre os casos que ilustram a ampliação do acesso está o de Maria Cleonildes Alves da Silva Gama, de 56 anos, moradora de Novo Gama (GO), no Entorno do Distrito Federal. Há cerca de cinco anos, ela descobriu um nódulo na mama direita, próximo à axila, foi diagnosticada com câncer, passou por mastectomia e realizou a reconstrução mamária em 24 de outubro de 2025, no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia, onde também fez a quimioterapia e deu continuidade ao tratamento.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo está investindo para garantir atendimento integral às pacientes oncológicas em todas as etapas do cuidado, incluindo a recuperação da autoestima, da dignidade e da qualidade de vida.