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Saúde

Julho Verde: diagnóstico tardio ainda é desafio no combate ao câncer de cabeça e pescoço

Campanha chama atenção para os sinais da doença, a prevenção e a estimativa de 610 novos casos no Distrito Federal em 2026

Débora Oliveira

10/07/2026 20h57

julho verde

Divulgação Instituto do Câncer do Estado de São Paulo

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), só em 2026, o Distrito Federal deve registrar 610 novos casos de câncer de cabeça e pescoço. Em todo o País, a previsão é de 42.150 diagnósticos no mesmo período. Diante desse cenário, a campanha Julho Verde busca ampliar a conscientização sobre a prevenção, os fatores de risco e, principalmente, a importância do diagnóstico precoce, considerado um dos principais aliados para aumentar as chances de cura.

O principal desafio, no entanto, continua sendo a descoberta tardia da doença. Cerca de 80% dos pacientes brasileiros recebem o diagnóstico apenas em estágios avançados, quando o tratamento tende a ser mais complexo e as possibilidades de cura diminuem. Quando identificado precocemente, porém, o câncer de cabeça e pescoço pode alcançar índices de cura de até 90%, o que torna a atenção aos primeiros sintomas um fator determinante.

Segundo o oncologista e cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Santa Lúcia Sul, Dr. Cláudio Cavalcanti, o Julho Verde foi criado para dar visibilidade às doenças que acometem essa região do corpo e orientar a população sobre quando procurar atendimento especializado.

“A campanha tem como objetivo mostrar para a população o que a especialidade pode fazer, como a prevenção do câncer de boca, garganta, laringe, pele, além dos tumores de tireoide e glândulas salivares. Também é uma forma de fazer com que os pacientes tenham uma referência de quem procurar quando surgir algum tumor nessa região”, explica.

O especialista destaca que alguns sinais não devem ser ignorados. “Feridas na boca, na garganta ou nas amígdalas que não cicatrizam em 30 dias, dor ao deglutir, rouquidão ao falar e caroços no pescoço que permanecem por mais de um mês precisam ser avaliados. Na tireoide, nódulos visíveis também devem ser investigados”, afirma. Ele acrescenta que lesões na pele do rosto e do pescoço que não cicatrizam também merecem atenção, já que grande parte dos cânceres de pele ocorre justamente na região da cabeça e do pescoço.

Entre os principais fatores de risco, o médico cita o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo em todas as suas formas. “Devemos evitar a ingestão crônica e excessiva de bebidas alcoólicas, o uso do cigarro, do charuto, do cachimbo e também do cigarro eletrônico. Outro ponto importante é manter uma boa higiene bucal, que também contribui para reduzir o risco de câncer de boca”, ressalta.

A exposição ao sol também exige cuidados. “Devemos evitar o sol entre 10h e 16h. Quando isso não for possível, é fundamental utilizar filtro solar”, orienta o especialista. Segundo ele, a medida ajuda a prevenir os tumores de pele, que são frequentes na região da cabeça e do pescoço devido à exposição solar.

Além dos fatores de risco tradicionais, especialistas observam uma mudança no perfil dos pacientes. Embora o tabagismo e o consumo abusivo de álcool continuem entre as principais causas da doença, cresce o número de tumores relacionados à infecção pelo HPV, principalmente na orofaringe. O cenário faz um alerta sobre a importância da prevenção, da vacinação e da procura por atendimento médico diante dos primeiros sintomas.

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