O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) implementou um novo processo de vigilância para infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras), com a integração da equipe de enfermagem ao monitoramento. A medida passou a reforçar a checagem de pacientes internados, especialmente os que utilizam cateteres.
As Iras se dividem entre infecções primárias da corrente sanguínea (IPCS), pneumonia associada à ventilação e infecções do trato urinário. No HCB, o IPCS é o tipo mais comum, em razão do perfil dos pacientes atendidos, que inclui crianças imunossuprimidas, uso de diferentes tipos de cateter e maior complexidade de acessos venosos.
Segundo o hospital, as visitas para verificação de cateteres são feitas pelas equipes do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) e de enfermagem. Com a ampliação do número de profissionais envolvidos, a identificação de sinais de infecção passou a ocorrer mais rapidamente.
O gerente do SCIH, o infectologista Bruno Lima, afirmou que o processo busca superar limitações das auditorias, antes mais concentradas no serviço. Ele disse que a nova dinâmica ajudou a cobrir turnos e a ampliar a discussão de condutas entre as equipes. Os enfermeiros também foram orientados sobre a forma de analisar os cateteres e quais informações devem ser coletadas com pacientes e acompanhantes.
O HCB adotou ainda uma ferramenta de registro das visitas, que gera um histórico de cada paciente. De acordo com Bruno Lima, o processo é atualmente registrado na plataforma RedCap, o que permite rastrear os bundles nominalmente e recuperar informações em caso de infecção.
O novo modelo começou em 2025 como projeto-piloto e alcançou toda a internação em janeiro deste ano. Ao longo das fases de implantação, o hospital informou que manteve 96% de conformidade. A expectativa é que, ao fim do primeiro semestre, os dados consolidados confirmem os resultados obtidos até agora.