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Política & Poder

Um secretário com a cabeça na guilhotina

Arquivo Geral

10/02/2013 10h40

Francisco Dutra

francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br


O comando da Secretaria de Educação balança. “É praticamente certo que haverá mudança. E vai ser mais rápido do que as pessoas pensam. É uma questão de dias”, afiançou um auxiliar do governo Agnelo Queiroz. Ninguém fala abertamente, mas o PT trava uma batalha interna pelo cargo. Sondagens para nomes substitutos correm silenciosamente pelo meio político. 

 

Diversas correntes do partido identificam falhas na gestão da pasta sob a gestão de Denilson Bento. Ao longo dos últimos dias, pressões e articulações pela substituição do secretário vêm ganhando corpo e direção. Apesar dos esforços do secretário à frente da pasta, polêmicas como a implementação do novo modelo de ciclos para o ensino público têm vitaminado a ofensiva pela sua queda.

 

“Está havendo uma disputa dentro do PT pela secretaria”, confirmou um petista, pedindo o anonimato. O embate não teria raízes por fatores pessoais com o nome de Denilson ou mesmo rixas. “É uma briga por espaço, mesmo”, explicou a fonte. Neste caso, trata-se de um dos principais espaços do Executivo. A pasta conta com um dos maiores orçamentos do Distrito Federal. Em outras palavras, é uma das maiores vitrines políticas do governo.

 



No discurso pela queda do secretário, petistas argumentam que a educação é um dos pontos fracos do  Buriti. “É um problema de gestão generalizado. Isso já vem sendo avaliado há algum tempo. Mas não dá para apontar alguém apressadamente porque já houve  mudanças nessa secretaria e não dá para errar de novo”, comentou uma fonte. 

 

No começo da gestão Agnelo, a pasta estava sob a tutela da professora Regina Vinhaes. Oficialmente, a secretaria pediu demissão em setembro de 2011, sendo substituída por Denilson.

 

Por outro lado, filiados que apostam na continuidade de Denilson argumentam que os frutos do trabalho do secretário começarão a ser colhidos neste ano. 

 

Até o final do ano passado, crescia a tese de que a pasta de Educação poderia ser usada na tentativa de reaproximação do governo com o senador Cristovam Buarque (PDT). Defensores da permanência do atual secretário contam que mesmo a tese passou a ser usada para minar seu ânimo. Denilson participa da corrente Construindo um Novo Brasil no DF.

 

Oposição faz as suas críticas

 

1 – A deputada de oposição Celina Leão considera que os últimos atos da pasta da Educação vão na contramão da própria gestão democrática implementada pelo governo Agnelo nas escolas. 

 

2 – Do Conselho de Educação, Celina ouviu que o modelo proposto pela secretaria já havia sido testado em outros países. Só que nas escolas estrangeiras as salas de aula tinham de 10 a 15 alunos.

 

Governistas temem a divisão

 

“Uma disputa como esta nunca constrói nada, muito pelo contrário”, afirma a secretaria da Criança, professora Rejane Pitanga. Integrante da tendência petista Construindo um Novo Brasil  e aliada política de Denilson, Rejane avalia que é preciso unidade para adotar o projeto de governo petista. A secretária considera que a pasta da Educação é uma das mais complexas dentro do governo e que soluções concretas não poderiam ser alcançadas em um estalar de dedos.

Rejane Pitanga lembra ainda que por muitos anos se instituiu o hábito de contratação de professores temporários. E, segundo ela, a atual gestão está, justamente, tentando resolver este problema. 

A tendência por disputas de mais espaços é vista em todos os partidos, mas no PT brasiliense é bem mais intensa. Recentemente, a constante busca de petistas por novas posições dentro do GDF causou um grande desconforto dentro da coligação partidária de sustentação do governo Agnelo. O desconforto chegou a causar manifestações do PMDB, principal aliado petista desde as eleições de 2010.

 

 
Ponto de vista
 
Segundo Rosilene Corrêa,  diretora do Sindicato dos Professores, o Sinpro, a categoria está decepcionada. “A insastisfação se refere ao governo todo, mas principalmente, com relação aos itens financeiros”, afirmou.   “Houve precipitação do GDF e da pasta na implantação do novo modelo de ciclos de ensino. Segundo Rosilene, não houve discussão com os professores e não foram criadas as condições físicas dentro das escolas para aplicar a mudança junto aos alunos. “Não somos contrários ao  modelo, mas  quanto à forma como ele foi imposto, sem os professores terem tempo para discuti-la e conhecê-la”, emendou. Para Rosilene, o cenário de desconforto não se resume à figura de Denilson: “Mas ele é o secretário. Tudo passa pela mesa dele. Então ele tem a sua parcela de responsabilidade”.
 

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