Camila Costa
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A partir das próximas eleições, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE) terá ponto de transmissão automático de apuração das urnas. O test drive foi feito nestas eleições municipais, quando 119,6 mil moradores de outros estados que moram no DF precisaram justificar o voto. Neste segundo turno, 21,3 mil eleitores foram até os 99 locais de justificativa. Quem não conseguiu apresentar a justificativa em relação ao segundo turno tem até o dia 27 de dezembro para fazê-la.
Com o sistema de transmissão, foram precisos aproximadamente 38 minutos para o TRE ter o conhecimento de todas as justificativas de ausência, por cada zona eleitoral. Pelo computador, era possível checar quantas urnas já tinham sido apuradas em cada local de justificativa. “É muito importante poder precisar essa contagem pela transmissão. Foi instalado um ponto em cada escola e serviu de um teste, com resultado positivo, para as futuras eleições”, explicou o presidente do TRE, Mário Machado.
A expectativa do TRE era de que 25 mil eleitores tivessem ido justificar o voto, no entanto, segundo Machado, os 21,3 mil não fogem do quadro geral estipulado pelo órgão. “Está dentro, porém, o apelo é para que as pessoas transfiram os títulos eleitorais para o DF, para evitar a justificativa. Este processo é um dever, mas a expectativa é de que este número diminua”, frisou. Cinquenta municípios participaram deste segundo turno das eleições municipais.
Líder de justificativa
A zona eleitoral que mais teve justificativa de votos foi a 14ª, na Asa Norte, com 3,9 mil. Cinco pontos foram instalados nas escolas da região.
Na Escola Classe da 304 o movimento foi intenso das 8h às 17h. O representante comercial Felipe Elias dos Santos, de 25 anos, é de São Paulo e mora no DF há um ano e três meses. Achou o processo rápido, simples e cômodo, no entanto, prefere justificar a ir até a cidade natal por falta de credibilidade na política. “Não gosto de participar deste processo, é uma suposta democracia, que não funciona. É um sistema muito falho”, opinou o eleitor.
O eleitor que decidiu, assim como o paulista Felipe, não votar, precisa justificar. Se não vota, não apresenta justificativa pela ausência e também não paga a multa, isso por três eleições consecutivas considerando cada turno uma eleição, tem o título cancelado e fica impedido, por exemplo, de tirar passaporte, inscrever-se em concurso público e renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo.
“Prefiro votar, faz parte do processo democrático, mas este ano não tive como ir até minha cidade”, explicou a estudante de Minas Gerais Vanelle Oliveira, de 29 anos, ao ir justificar o voto. Este é o primeiro ano dela em Brasília e a intenção é ir até o município de origem nas próximas eleições. “Temos que exercer este papel como cidadão, principalmente se queremos uma mudança”, observou.
O juiz da 14ª Zona Eleitoral, Nelson Ferreira Junior, esteve durante todo o dia nas escolas para checar o processo e afirma que não houve irregularidades. “O nosso trabalho é evitar filas, conferir o andamento do sistema, para não parar, verificar se há problema com as urnas, mas foi bem tranquilo, em toda a área. Como neste segundo turno o número de cidades é menor, temos menos justificativas”, indicou.