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“Spray de covid” israelense não chegou a ser apresentado a Anvisa

O Brasil fechou um acordo com Israel para testar a segunda e terceira fase do medicamento

Por Geovanna Bispo 11/05/2021 4h50

O presidente-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou que não houve entrada protocolo de pesquisa de spray nasal israelense “Não tenho de memória que o grupo falou conosco.”

Em março deste ano, o presidente Jair Bolsonaro fez uma viagem ao país para conhecer o método, que ainda está em fase inicial de testes e não tem eficácia comprovada. A droga, incialmente, foi desenvolvida para combater o câncer de ovário, mas começou a ser experimentada em pacientes em situação grave de covid-19.

Durante a viagem, o Brasil fechou um acordo com Israel para testar a segunda e terceira fase do medicamento, mas, como Barra Torres informou, o spray nunca chegou a ser apresentado a Agência.

Cloroquina

Durante o depoimento, Barra Torres relembrou a reunião com membros do governo federal, onde se discutiu a alteração da bula da hidroxicloroquina, de forma a incluí-la no tratamento contra a covid-19. O presidente confessou que chegou a se exaltar com o imunologista Nise Yamaguchi, que foi quem sugeriu a mudança.

“Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provocou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. A minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser porque só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas desde que seja solicitado pelo detentor do registro.”

Segundo Barra Torres, também participara da reunião, ocorrida no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde da época, Luiz Henrique Mandetta, o da Casa Civil, Braga Netto, e a médica Nise Yamaguchi.

“Quando houve uma proposta de uma pessoa física de fazer isso [alterar a bula de um medicamento], me causou uma reação um pouco mais brusca. Eu disse: ‘olha, não tem cabimento, isso não pode’. E a reunião, inclusive, nem durou muito mais depois disso”, completou o presidente.

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Bolsonaro

Barra Torres ainda afirmou que as declarações do presidente Jair Bolsonaro vão contra as recomendações de autoridades de saúde, como a própria Agência. Questionado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), qual o impacto das declarações de Bolsonaro, que condenam a vacinação contra a covid-19.

“Se todos nós estamos sentados aqui, nesta sala, é porque, um dia, o pai, ou a mãe, ou responsável, nos levou pela mão e nos vacinou. Então, discordar da vacina e falar contra ela não guarda uma razoabilidade histórica, inclusive. Vacina é essencial.”

O presidente finalizou dizendo que o povo brasileiro não pode se guiar pelas falas de Bolsonaro. “Eu penso que a população não deva se orientar por condutas dessa maneira. Ela deve se orientar por aquilo que está sendo preconizado, principalmente pelos órgãos que têm linha de frente no enfrentamento da doença.”

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